Copa do MundoEliminatórias da CopaMundo

Bélgica e Colômbia serão cabeças de chave em 2014?

A Copa do Mundo de 2014 será na América do Sul pela primeira vez desde 1978, quando a Argentina foi sede do evento. E se mantido o sistema para definição de cabeças de chave do último Mundial, o ranking da Fifa, é grande a chance da América do Sul ter quatro cabeças de chave na Copa. Além do Brasil, o país sede, Argentina (2º), Colômbia (5º) e Uruguai (7º) estariam entre os cabeças de chave da Copa. Além disso, a Bélgica, seleção que tem sido muito falada nas Eliminatórias europeias, é atual sexta colocada e também seria cabeça de chave. Mas será que a Fifa permitiria?

É difícil prever qual será a posição de cada um dos times em novembro, último ranking antes do sorteio da Copa, em dezembro, porque ele pode mudar muito de mês a mês. Mas é bem razoável prever que pelo menos três times da América do Sul estarão muito bem colocados.

Além do Brasil, que será cabeça de chave independente do ranking, a Argentina subiu para segundo lugar no ranking da Fifa divulgado nesta quinta e está praticamente garantida como seleção no primeiro pote do sorteio. A surpresa mesmo é a Colômbia, que é quinta colocada o ranking da Fifa pelo excelente desempenho nas Eliminatórias. O time de Falcao García e Freddy Guarín é o segundo colocado, atrás só da Argentina e já garantida na Copa.

Por fim, o Uruguai. A Celeste foi quem mais subiu na edição de setembro, subindo cinco posições, de 12º para 7º. Com essa posição o time seria cabeça de chave – são oito os cabeças de chave no Mundial e na Copa do Mundo de 2010, o critério de definição foi somente o ranking da Fifa. Mas nem sempre o ranking, por si, foi critério de desempate.

Só que sabemos que a Fifa costuma mudar o critério de acordo com a necessidade de mudar os cabeças de chave. Basicamente, uma forma de usar a matemática a seu favor. Em 2002, por exemplo, usaram o desempenho nas últimas três Copas do Mundo (com peso maior para as mais recentes) e mais o desempenho no ranking da Fifa em dezembro dos dois anos anteriores e mais novembro do ano vigente para fazer com que a Alemanha, 11ª colocada no ranking na época, fosse uma das cabeças de chave.

Em 2006, o critério foi mudado: só duas Copas eram levadas em consideração, além do ranking da Fifa. Desta vez, a Itália estava mal (12º) e foi salva pelo método utilizado. Em 2010, a manobra foi usar só o ranking, mas não o mais recente, então de novembro de 2009, mas o de outubro do mesmo ano. A razão? A França estava pior colocada (9ª) no ranking anterior e a Fifa queria tirá-la do grupo de cabeças de chave. Em novembro, último ranking antes do sorteio, os Bleus estavam em 7º lugar. Não teria como tirá-los do grupo dos cabeças de chave.

Então, foi usado o ranking de outubro. Brasil (1º), Espanha (2º), Holanda (3º), Itália (4º), Alemanha (5º), Argentina (6º) e Inglaterra (7º) eram os primeiros colocados. Só gente pesada. E a única mudança que precisava ser feita era tirar a França dos cabeças de chave como forma de punir o time pela classificação polêmica com gol irregular contra a Irlanda. A França era a nona colocada no ranking (a Croácia era oitava, mas não foi para a Copa). Mas, por sorte, tudo acabou dando certo: a França ficou no grupo da África do Sul, o pior dos cabeças de chave.

Considerando que Colômbia e Bélgica são países que sequer jogaram as última Copas, parece improvável que a Fifa mantenha o critério da Copa do Mundo de 2010 para definir os cabeças de chave. Se assim for, a probabilidade de quatro sul-americanos como cabeças de chave é enorme.

Mas convenhamos: Bélgica e Colômbia podem até ter times interessantes, mas não merecem ser cabeça de chave do torneio de futebol mais importante do mundo pelo que fizeram nos últimos quatro anos. Vale lembrar que a Colômbia foi eliminada pelo Peru na Copa América de 2011, enquanto a Bélgica sequer conseguiu classificação para a Eurocopa de 2012. A campanha nas Eliminatórias das duas seleções é boa, mas muita calma nessa hora.

O ranking da Fifa dá importância excessiva aos jogos imediatamente recentes, mas não leva em conta um ciclo maior de resultados, como seria de se esperar em seleções. O ranking dá um peso muito grande para os resultados recentes, o que leva a distorções grandes. A Bélgica, por exemplo, era 41ª colocada em dezembro de 2011, 21ª em dezembro de 2012 e atualmente é sexta colocada. Uma variação muito grande para uma seleção que não conquistou nada.

É possível que a Fifa resgate uma das fórmulas anteriores para definir os cabeças de chave no sorteio da Copa do Mundo do Brasil, em dezembro. Ou mesmo crie até um novo. Afinal, é fácil fazer os números dizerem o que queremos. E a Fifa dificilmente irá querer ver Bélgica e Colômbia como cabeças de chave.

Mostrar mais

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo