Mundial de Clubes

Mundial: Vitória do Real mostrou legado de Ancelotti e isso pode ser fundamental no mata-mata

Gigante espanhol bateu Pachuca sem correr riscos, mesmo atuando com um a menos desde os primeiros minutos da partida

Visando as fases decisivas do Mundial de Clubes, um dos jogos mais interessantes até agora foi a única derrota sul-americana, quando o Boca Juniors perdeu para o Bayern de Munique.

Foi um encontro entre um dos clubes europeus mais fortes e o sul-americano mais fraco, e no primeiro tempo o abismo entre os times ficou bem evidente. Com um repertório rico e insinuante, o Bayern massacrou um adversário incapaz de levar o jogo para o campo rival. Poderia ter sido 5 a 0. Mas não foi. O Bayern desperdiçou um monte de oportunidades e marcou somente um. E no segundo tempo, essa vantagem começou a parecer um pouco precária.

O Bayern leva quase todo mundo para frente.  Quando perde a bola procura ganhar de volta – ou pelo menos parar o contra-ataque na fonte – com uma pressão feroz. Mas, numa noite de verão em Miami, não conseguiu manter a pressão depois do intervalo. E o seu modelo de jogo é tão ofensivo, e faz o campo tão grande, que se o rival consegue lançar um contra-ataque, os poucos defensores têm um espaço enorme para cobrir. E, em uma jogada de somente dois homens, o Boca empatou.

O Bayern reagiu para ganhar o jogo – com todos os méritos – nos últimos minutos.  Mas a partida deixou uma pergunta intrigante: se o Bayern estava correndo riscos até contra o Boca Juniors, como seria contra um Flamengo ou Palmeiras?

Poderoso Bayern de Munique sofreu para ganhar do contestado Boca Juniors em Miami (Foto: Imago)
Poderoso Bayern de Munique sofreu para ganhar do contestado Boca Juniors em Miami (Foto: Imago)

No mata-mata, então, o modelo atual do Bayern deixaria o time aberto demais.  As condições são desfavoráveis. Nessa pré ou pós-temporada, simplesmente não tem o preparo físico para jogar desta forma. Não reconhecer isso é uma negação da realidade.

Daí surge uma nova pergunta: Será que um time como o Bayern está disposto ou é capaz de mudar a forma de jogar?

Vitória do Real Madrid mostrou legado de Ancelotti

Tem um gigante europeu claramente capaz de fazer isso – o Real Madrid. A vitória sobre o Pachuca – 3 a 1, em calor infernal, após ter um homem expulso no início – mostra claramente o lastro de Carlo Ancelotti. 

Como ele frisou em sua primeira entrevista coletiva como treinador da seleção brasileira, o Don Carlo não gosta de ter um time com uma identidade fixa. Ele tem preferência para um equipe capaz de fazer várias coisas, de se adaptar para as circunstâncias da partida. E foi exatamente isso que o seu ex-time conseguiu fazer contra o Pachuca. A primeira vitória de Xabi Alonso veio com a marca grande de Ancelotti – e isso pode ser muito importante nas próximas duas semanas.

O desempenho brasileiro até agora – e especialmente a vitória do Botafogo em cima do Paris Saint Germain – deixou uma coisa bem clara. Vencer os brasileiros neste Mundial é longe de ser somente uma questão de talento. Vai ter que competir, de mostrar um foco e um espírito de sacrifício também. 

O destino do torneio não vai ser definido somente em lances bonitos de ataques empolgantes – mas também em quem está disposto a correr para trás.

Foto de Tim Vickery

Tim VickeryColaborador

Tim Vickery cobre futebol sul-americano para a BBC e a revista World Soccer desde 1997, além de escrever para a ESPN inglesa e aparecer semanalmente no programa Redação SporTV. Foi declarado Mestre de Jornalismo pela Comunique-se e, de vez em quando, fica olhando para o prêmio na tentativa de esquecer os últimos anos do Tottenham Hotspur

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