Mundial de Clubes

Flamengo leva lições da eliminação que serão importantes para o restante do ano

Bayern de Munique venceu Rubro-Negro -- com muitos méritos -- por 4 a 2 nas oitavas de final do Mundial de Clubes

A notícia é: o Flamengo foi eliminado nas oitavas de final do Mundial de Clubes para o Bayern de Munique após derrota por 4 a 2. Entretanto, a análise do porquê isso aconteceu não se resume apenas a uma frase.

Para começar, o Rubro-Negro não perdeu por causa de “quatro erros” individuais. Isso desmerece o que os Bávaros fizeram dentro de campo. Além disso, um dos melhores times do Brasil — para não dizer o melhor — ainda está muito abaixo da primeira prateleira do futebol europeu.

Portanto, o “troféu joguei de igual para igual” não foi conquistado. E isso não é um problema, até porque é preciso reconhecer a superioridade do adversário quando ela existe. Sem terra arrasada, mas também, sem glamourização da derrota.

Como Bayern de Munique encurralou o Flamengo?

Filipe Luís, do Flamengo, com Kompany, treinador do Bayern (Foto: Imago)
Filipe Luís, do Flamengo, com Kompany, treinador do Bayern (Foto: Imago)

Nos primeiros 10 minutos, o Bayern de Munique abriu 2 a 0 sobre o Flamengo. Uma postura avassaladora, característica dos alemães muito antes da chegada do técnico Vincent Kompany, contratado no início da temporada. Então, o que explica esse domínio sobre os brasileiros?

Primeiro: os Bávaros prezam pela posse de bola, assim como o Rubro-Negro de Filipe Luís. Como o Flamengo também tentou dominar as ações da partida, o Bayern de Munique subiu sua marcação para impedir a construção do Flamengo desde a defesa.

Ao fazer esse “simples” movimento, os alemães fecharam as linhas de passe dos brasileiros do meio-campo para o ataque. A única saída do Rubro-Negro era tentar tocar de um lado para o outro até achar os espaços, ou simplesmente tentar avançar com a bola no pé. Ou seja, as falhas foram forçadas.

Com essa estratégia, os Bávaros sempre estiveram em seu campo de ataque. Isso rendeu um dos escanteios que terminou no gol contra de Erick Pulgar. Depois, Dayot Upamecano perseguiu Giorgian De Arrascaeta para roubar a bola no meio-campo que terminou no chute de Harry Kane.

Veja abaixo uma ilustração de como a pressão insaciável foi o fator crucial para o 4 a 2.

Com a vantagem confortável no placar, o Bayern de Munique diminuiu o ímpeto até para preservar o condicionamento físico dos atletas — afinal, ainda restavam 80 minutos de futebol. Foi a partir desse momento que o Flamengo conseguiu chegar ao último terço e Gérson marcou um golaço.

Mais uma vez, os alemães aumentaram a velocidade, impediram o avanço dos brasileiros para além do círculo central e encontraram as redes outra vez com finalização de fora da área de Leon Goretzka.

Tudo isso para dizer que, mesmo com menor posse, menos chutes e passes — apesar do aparente equilíbrio em números –, os Bávaros tiveram o Rubro-Negro sob controle durante toda a partida. A famosa máxima do “saber sofrer”.

Na etapa final, o roteiro se repetiu. O Flamengo encontrou um gol de pênalti com Jorginho após toque de mão de Michael Olise. Entretanto, o Bayern de Munique enterrou as chances de um empate com outro desarme perto da grande área, com Luiz Araújo encurralado, para Kane cravar.

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O óbvio precisa ser dito

Troféu do novo Mundial de Clubes da Fifa exposto em Madri
Troféu do novo Mundial de Clubes da Fifa exposto em Madri (Foto: Imago)

Por que times como Bayern de Munique, Real Madrid, PSG e Liverpool são tão dominantes no futebol mundial? Porque eles têm mais dinheiro, logo têm mais condições de contratar os melhores jogadores, investem em suas instalações de treino e gramados, além de ter uma preparação física de elite e comprometimento tático exemplar.

Nem mesmo o Flamengo, que é uma das referências do futebol sul-americano na última década em todos esses quesitos, está no mesmo nível dos gigantes europeus. A melhora desses aspectos é fundamental para equilibrar as forças, porém, isso é um projeto a longo prazo.

O legal do Mundial de Clubes é que o futebol é a arte do possível — citando o narrador Rogério Vaughan, da “ESPN”. Em torneios de curta duração, qualquer resultado pode acontecer — até mesmo o Botafogo, atual campeão da Copa Libertadores, vencer o PSG, vencedor da última Champions League.

Entretanto, isso não exclui a evidente distância entre um continente e outro. Logo, o Rubro-Negro cair para os Bávaros no mata-mata era o esperado. É uma tragédia? Não, o saldo é mais positivo do que negativo, pois dá para competir, apesar de tantas adversidades.

Filipe Luís se mantém fiel a suas ideias

Filipe Luís em Flamengo x Bayern de Munique no Mundial
Filipe Luís em Flamengo x Bayern de Munique no Mundial (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

Outro ponto que cabe o destaque é Filipe Luís, que em nenhum momento abriu mão de sua identidade no Mundial de Clubes. Seja contra Espérance, Chelsea, Los Angeles FC ou Bayern de Munique, o Rubro-Negro se propôs a jogar.

O próprio técnico admitiu em coletiva pós-jogo que a classificação às quartas de final do torneio não aconteceu porque os Bávaros são melhores em tudo que se propõem a fazer. Ainda assim, Filipe Luís se manteve fiel a suas ideias de buscar a vitória.

Há quem possa criticar o treinador do Flamengo por entrar de peito aberto contra o Bayern de Munique. Contudo, essa seria a mesma opinião caso o Rubro-Negro eliminasse os Bávaros? A interpretação não pode se limitar exclusivamente ao resultado.

O Glorioso, por exemplo, apostou em uma filosofia completamente diferente para superar o PSG. A aula defensiva rendeu elogios de Luis Enrique, que classificou o Botafogo como o adversário mais difícil de superar em 2024/25.

Cada um tem sua forma de enxergar o jogo. Nem tudo é uma história de superação ou um vexame antológico. Às vezes, o mais forte vence o mais fraco — e assim é a vida.

Foto de Matheus Cristianini

Matheus CristianiniRedator

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.

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