‘Nem Botafogo, nem Flamengo: O verdadeiro milagre deste Mundial é o Boca Juniors’
Xeneizes superaram crises internas e atuações abaixo do esperado para recuperar espirito de luta no Mundial de Clubes
Ainda que não tenha vencido no Mundial de Clubes, o Boca Juniors é uma das surpresas da competição. O time de Buenos Aires caiu em um grupo considerado difícil, ao lado de gigantes do futebol como Bayern de Munique e Benfica, e mesmo com uma equipe considerada “a pior dos últimos anos” conseguiu resultados que podem ser apontados como positivos diante dos clubes europeus.
Até por isso o jornalista Antonio Serpa destacou em análise feita na “TyC Sports” que o clube Xeneize é o verdadeiro milagre do Mundial, superando os feitos de Flamengo e Botafogo, que venceram Chelsea e PSG, respectivamente.
— Nem Botafogo, nem Flamengo. O verdadeiro milagre do Mundial de Clubes, o verdadeiro golpe, quem deu foi o Boca Juniors. Sem dúvida. Nem precisa se classificar para as oitavas de final. O empate contra o Benfica e a derrota por só um gol para um time como o Bayern, convertem a equipe de Russo a que deu o maior salto na competição — escreveu o jornalista.
Por que campanha do Boca Juniors no Mundial é um milagre?
Tanto contra Benfica quanto no duelo com o Bayern de Munique, os dois primeiros confrontos do Xeneize, eram esperadas goleadas europeias. O Boca Juniors chegava à competição machucado, com derrotas duras nos torneios locais, e vivendo um crise sem fim nos bastidores. No entanto, o que foi visto dentro de campo surpreendeu.
Contra os Encarnados, os argentinos abriram 2 a 0 no placar e sonharam com uma vitória até 40 minutos do segundo tempo, quando Otamendi marcou o gol que daria o empate português. Diante do Bayern de Munique, o elenco Azul y Oro conseguiu superar a grande pressão imposta pelos alemães para empatar o jogo e perdeu nos detalhes após Olise marcar o segundo dos bávaros, também aos 40 do segundo tempo.
Milagre? Mística? Peso da camisa? Muitas suposições foram criadas após o Boca Juniors evitar duas goleadas, mesmo sendo uma equipe claramente inferior em nível técnico. No entanto, os Xeneizes ainda chegam até a última rodada da competição com chances claras de se classificar para as oitavas de final e seguir escrevendo sua história no Mundial de Clubes.

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Um time machucado que juntou seus cacos e fez o torcedor acreditar novamente
Quem acompanha o futebol argentino, até chegou a acreditar que 2025 poderia ser um ano diferente para o Boca Juniors. O presidente do clube Juan Román Riquelme abriu os cofres e fez grandes contratações, deixando o torcedor iludido com bons resultados. Ander Herrera, Alan Velasco, Carlos Palacios, Rodrigo Battaglia, Ayrton Costa e Agustín Marchesín foram alguns dos nomes que chegaram ao Xeneize e custaram alguns milhões.
Apesar das grandes contratações, que inclusive fizeram o torcedor acreditar na formação de um ‘Super Boca Juniors’, os argentinos não conseguiram corresponder dentro de campo. Na Libertadores, competição que o clube voltou a disputar após ser vice em 2023, e ficar de fora em 2024, os Xeneizes sequer chegaram na fase de grupos, sendo eliminados para o Alianza Lima na pré-Libertadores.
Já no Apertura Argentino, o clube também não fez uma campanha de encher os olhos. No superclásico disputado contra o rival River Plate, o time, na época comandado por Fernando Gago somou mais uma derrota diante do adversário. Os resultados ruins culminaram na demissão do treinador e deixou o clube por mais de um mês sendo comandado por um técnico interino. No período, ainda caiu nas quartas de final para o Independiente, dentro da própria Bombonera, quando foi derrotado por 1 a 0.
A má fase gerou uma crise interna no Boca Juniors que parecia perdido, mas ainda tinha um Mundial de Clubes pela frente. Nas arquibancadas, a torcida, sem paciência, protestava e pedia a saída de todos, inclusive do próprio ídolo Juan Román Riquelme da presidência do clube.
— Convido vocês a lerem atentamente essa formação: Marchesín; Advíncula, Di Lollo, Costa e Blanco; Zeballos, Alarcón Battaglia, Braida e Saracchi; Milton Giménez. E agora me digam se não é um milagre perder por só um gol contra um top cinco do mundo, uma equipe capaz de juntar Olise, Kane, Coman, Gnabry, Musiala… Esse foi o time que o Boca terminou jogando contra o Bayern — seguiu o jornalista Antonio Serpa.
“Enquanto Kompany mandava para o campo Sané, Musiala ou Upamecano, Russo respondia com o Changuito Zeballos, Alarcón e Saracchi. Uma brincadeira de muito mal gosto”, analisou.
Com fracassos em sequência, poucas pessoas acreditavam que os argentinos pudessem sonhar com a classificação no Mundial de Clubes, ainda mais com os gigantes no mesmo grupo. Mas a chegada de Miguel Ángel Russo parece ter mudado o panorama da situação.
O técnico, campeão da Libertadores em 2007 com os Xeneizes, chegou fazendo algumas alterações e viu a equipe recuperar seu espirito de luta. Contra Benfica e Bayern de Munique, ainda que o resultado não tenha sido os três pontos sonhados, o elenco se provou competitivo e deixou tudo dentro de campo, orgulhando seu torcedor tão machucado nos últimos tempos.
Torcedor esse que também não se abalou pelos resultados negativos e invadiu os Estados Unidos para apoiar o clube. Na partida contra os alemães, o Hard Rock Stadium parece Bombonera, com a ‘hinchada’ cantando os 90 minutos e fazendo uma grande festa como forma de apoio.

O que o Boca Juniors precisa fazer para se classificar?
Esse apoio será importante para o destino do Boca na competição. Com um empate e uma derrota, o clube precisa vencer o Auckland na última rodada para se manter na disputa. Mas não é qualquer vitória: o time argentino precisará golear por 6 gols de diferença e torcer para que o Bayern vença o Benfica.
Já classificado, os alemães entram em campo buscando a primeira posição do grupo e, se depender do técnico Vicent Kompany, entrarão para vencer os portugueses, o que seria positivo para os Xeneizes.
— É absolutamente impossível não jogar pela vitória. Vamos ir para ganhar, não tem discussão — disse o treinador belga.
Ainda que não consiga a classificação, o feito do Boca Juniors até aqui não deixará de ser considerado um milagre para muitos, assim como explica o jornalista Antonio Serpa.
— Nem com meia dúzia de gols nos classificamos, porque ainda falta o Bayern dar uma mão, já classificado, contra um Benfica que jogará a vida. Um empate classifica os dois. O que vai acontecer veremos na terça. De qualquer jeito, esse time do Russo está feito. Recuperou seu espírito de luta. Não a sorte, provavelmente, porque a sorte tem que ajudá-la.
Veja os próximos jogos do grupo C do Mundial
- Boca Juniors x Auckland City – 24 de junho, às 16h (de Brasília)
- Bayern de Munique x Benfica – 24 de junho, às 16h (de Brasília)



