Miami vai virar Buenos Aires? Torcida do Boca promete ‘invasão’ no Mundial de Clubes
Clube xeneize lidera ranking de partidas que tiveram mais ingressos vendidos na competição
Uma verdadeira invasão azul e ouro. Isso é o que estão prometendo os torcedores do Boca Juniors para o Mundial de Clubes. A equipe xeneize está entre os times que mais venderam ingressos na competição segundo ranking divulgado no dia 14 de maio pela Fifa.
Dois jogos do time argentino são os mais vendidos do torneio até o momento, sendo o confronto contra Benfica e Bayern, ambos em Miami, cidade historicamente ocupada por latinos e descendentes.
Segundo time com mais títulos da Libertadores, o Boca Juniors já disputou o Mundial de Clube seis vezes em sua história e tem três títulos nos formatos anteriores da competição. Agora, em 2025, o clube disputará o novo torneio devido a classificação no ranking da Conmebol. Vice-campeão continental em 2023, o clube xeneize somou boa pontuação e garantiu vaga ao lado do rival River Plate, que também fez boas campanhas na Liberta nos últimos anos.
Duas torcedoras e uma paixão em comum: o Boca Juniors
Dentre as torcedoras que estarão presentes, estão Micaela Domínguez e Camila Velardi, moradoras de Buenos Aires. As torcedoras do Boca Juniors não perdem um jogo da equipe e no Mundial de Clubes não seria diferente.
Mica, como preferiu ser chamada, não fica fora de uma partida da equipe xeneize há três anos. A torcedora começou a preparação para estar presente no torneio mundial em novembro.

— No dia que começaram a vender os ingressos eu decidi comprar o meu, sem pensar muito. Tenho a cidadania italiana, então para mim era muito mais fácil, eu sabia que era certeza que poderia entrar nos Estados Unidos. Não foi algo que eu fiquei me preparando por um ano inteiro. Se me perguntassem um mês antes se eu iria, eu não saberia. Quando começaram as vendas eu disse: “Quero ver um Mundial de Clubes”, coloquei isso na cabeça e comprei o ingresso para três jogos e a passagem de avião — contou Mica.
Já Camila moldou a sua carreira profissional para poder viajar acompanhando o clube do coração. A mulher, que hoje trabalha como esteticista, chegou a pedir demissão do seu antigo trabalho para poder ter maior flexibilidade na hora de assistir aos jogos do Boca Juniors.
Eu pedi demissão do último trabalho por causa do Boca.
— Decidi que tinha que trabalhar para mim, assim podia montar meus horários e assistir ao Boca quando quisesse, sem depender de ninguém, Já assisti jogos em Mendoza, Córdoba, e também fora do meu país como Uruguai, Chile e Brasil — disse a torcedora.
— Até por isso, consegui começar a planejar essa viagem desde o ano passado e vamos ficar vários dias nos Estados Unidos. Quando soubemos que o Boca estava classificado, não lembro muito bem o mês, decidi fechar a viagem com meu namorado. Já tínhamos o passaporte, faltava obviamente o visto, mas compramos os ingressos mesmo assim — explicou Cami.
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Miami vai virar Buenos Aires?
Ambos os jogos mais vendidos do Mundial de Clubes são do Boca Juniors e ocorrerão em Miami, com isso, a cidade promete receber muitos torcedores da equipe xeneize, que deve jogar como um time “local”, devido à presença de tantos torcedores. Além dos argentinos que estão viajando até a cidade norte-americana, também há muitos torcedores que residem no local e aproveitarão para assistir aos jogos.
— Acredito que a maioria dos torcedores será de argentinos que vão viajar (para os EUA). Mas eu sei que o Boca é mundial e tem torcedores por todos os lados. Você levanta uma pedra e tem um torcedor do Boca. Assim que acredito que a maioria será da Argentina, mas não acharia estranho ter torcedores de outros países, porque é uma loucura sermos o time que mais vendeu ingressos para o Mundial — disse Camila.
Inclusive, Miami é o principal destino dos argentinos dentro dos Estados Unidos. Dados do censo dos EUA indicam que mais de 69 mil argentinos têm o seu domicílio registrado na Flórida, sendo que a maioria vive na área metropolitana de Miami, incluindo Miami Beach e Kendall. Além disso, existe um bairro conhecido como “Little Buenos Aires”, que é um dos principais locais de concentração da comunidade argentina na cidade.
— É notável a quantidade de torcedores indo da Argentina aos Estados Unidos para assistir aos jogos do Boca Juniors no Mundial de Clubes. Sem dúvida, o fato de dois jogos serem disputados em Miami influencia muito, já que esse é o destino favorito e habitual de muitos argentinos quando tiram férias. Além disso, tem uma grande colônia argentina no local, e isso vai ser possível notar dentro e fora dos estádios que o Boca jogue — explicou o jornalista e coordenador do site “Top Mercato“, Santiago Sourigues.

Segundo o diário “Olé”, da Argentina, os custos de uma passagem até Miami são muito mais acessíveis que para outros locais do país norte-americano. Em um breve levantamento feito através do site “Flight Radar”, entre os dias 9 e 10 de junho, datas que antecedem o Mundial de Clubes, 14 voos deixaram o Aeroporto Internacional Ministro Pistarini — Ezeiza, em Buenos Aires, em direção aos EUA. Desses, nove tinham como destino Miami. O restante se dividia entre Houston, Atlanta, Nova York e Washington.
— A verdade é que o ambiente vai estar muito lindo. Nós vamos jogar em Miami e acredito que a comunidade latino-americana é muito grande, acredito que são muito fanáticos. Agora está Leo (Messi) jogando aí (em Miami), assim que vai ser muito importante a chegada de todo o nosso público, porque vai dar uma cor muito linda na cidade — disse Marcos Rojo, zagueiro do Boca Juniors em entrevista recente para a Fifa.
Com a proximidade da competição, os torcedores já estão chegando nos Estados Unidos. Segundo o jornalista Gastón Gerke, da ‘Directv Argentina’, o número de argentinos já está aumentando na cidade e enquanto o torneio não acontece, passeiam pelos pontos turísticos. No dia 15 de junho, véspera da estreia Xeneize, os torcedores planejam um ‘bandeiraço’ em Miami.
Além dos dois jogos na fase de grupos, Miami também pode ser sede do Boca Juniors caso a equipe avance para as oitavas de final em segundo do grupo. O primeiro colocado jogará as oitavas na Carolina do Norte.
— Alguns torcedores que eu conheço alugaram condomínios inteiros para se hospedarem, ou seja, é uma loucura, pensar que argentinos alugaram um condomínio em Miami Beach para ir ver o Boca. Para mim isso ainda é algo incrível — contou Micaela.

Os cinco jogos com mais ingressos vendidos
1- Boca Juniors x Bayern de Munique (Miami)
2- Boca Juniors x Benfica (Miami)
3- Flamengo x Chelsea (Philadelphia)
4- Real Madrid x Al Hilal (Miami)
5- Salzburg x Real Madrid (Philadelphia)
Ao todo, pessoas de 130 países compraram ingressos para os jogos do Mundial de Clubes, sendo que Estados Unidos, México, Canadá, Brasil e Argentina foram os que mais adquiriram. Alemanha, Arábia Saudita, França, Japão e Espanha também aparecem no top 10.
Mas antes do sonho ser realizado, a dificuldade do visto
Assim como no Brasil, argentinos que queiram viajar para os Estados Unidos devem ter visto de turismo, e as regras para obter o documento são tão complicadas quanto em nosso país.
Micaela, por ter cidadania italiana, não precisou se preocupar com a autorização, uma vez que o passaporte europeu permite entrada nos Estados Unidos sem grandes problemas. Já Cami precisou passar pelo processo de solicitação do visto, algo bastante tenso, uma vez que alguns pessoas conhecidas da torcedora tiveram o documento negado.
— Fiquei muito nervosa, porque estava vendo muitas pessoas que tinham o visto negado. Casos de famílias inteiras que iam tirar o documento e só um membro tinha o visto negado. Além de tudo, eles não explicam o motivo de estarem negando, só não aprovam e pronto. Fiquei muito nervosa, não consigo explicar o quanto. Mas lá fizeram quatro perguntas, inclusive se fazíamos parte da ‘La 12’ (organizada do Boca Juniors), levamos os documentos que pediam, e tivemos o documento aprovado. Foi muito emocionante — relatou.
— Tivemos um ‘Deus’ à parte, por que nosso visto foi aprovado, enquanto o de outras pessoas não — completou Camila.

Nos bons e nos maus momentos, a torcida sempre apoiando
O ano de 2025 não é dos melhores para o Boca Juniors e seu torcedor. O elenco xeneize vive uma fase de frustrações, derrotas doloridas, eliminações prematuras e também de ausência em competições continentais como a própria Libertadores. Mesmo assim, o torcedor segue presente e apoiando o clube em todos os jogos, até mesmo fora do país.
— Pode chover, trovejar, acontecer o que for, nós sempre estaremos no estádio, porque é um sentimento que não se pode explicar. A paixão que sentimos, eu falo do Boca e me emociono. É algo muito lindo, de verdade, o sentimento do torcedor do Boca, e também poder viver isso. Sempre estaremos com o clube — afirmou Camila.
A opinião de Camila é compartilhada pelo jornalista Gastón Gerke.
— É a paixão do torcedor. Difícil de explicar, o torcedor do Boca vive assim apesar dos resultados. O clube é grande pelo seus torcedores — disse.
Além disso, o clube recentemente trocou de treinador, e Miguel Ángel Russo chegou para ter logo como um de seus primeiros desafios o Mundial de Clubes. O experiente treinador foi uma aposta do presidente do clube e ex-jogador, Juan Román Riquelme, que quer recuperar a identificação e os bons resultados da equipe.
— O Boca chega na disputa em um mal momento e em meio a grandes questionamentos aos jogadores e dirigentes. O Boca atravessa a sua pior temporada em muitos anos, logo depois de um mercado de passes muito custoso. Além disso, contratações questionáveis e problemas institucionais impactaram o cenário tumultuoso do conjunto xeneize. Até por isso, para o Mundial, Riquelme decidiu contratar Miguel Ángel Russo como treinador, depois de mais de um mês com um técnico interino — explicou Santiago.
Mesmo em meio a tantos problemas, os xeneizes estarão presentes apoiando a equipe. Para Micaela, por exemplo, o Mundial e a grande presença de torcedores nos Estados Unidos pode servir de motivação para os jogadores.
— Eles sabem que é algo importante e quero acreditar que vão buscar fazer um bom campeonato. O mundo todo estará vendo, não quero acreditar que eles possam fazer um papelão ou que vão jogar mal. Acredito que vão dar o melhor deles. Nós vamos com um técnico que foi o último a nos fazer ganhar algo. Acho que isso pode dar mais atitude aos jogadores. Eles tem que se esforçar ao máximo, afinal são jogos importantes para eles também — disse.




