México

Vantagem doméstica

Nas últimas seis edições da Liga MX o futebol azteca viu seis equipes diferentes chegarem ao título, dado que somente acentua o tão alardeado equilíbrio entre os concorrentes. Em um campeonato disputado como o mexicano, o fator casa é mais do que importante: é vital no desempenho dos clubes que pretendem alcançar a taça. Obter vitórias jogando em seus domínios, além de ajudar na soma de pontos na primeira fase, empolga o torcedor e ajuda incrementar o apoio na Liguilla, fase mais decisiva da disputa. E serve também como uma medida para verificarmos quais os reais postulantes ao título mesmo com ainda poucas rodadas sendo concluídas.

Não à toa, os três últimos clubes campeões nacionais mantiveram a invencibilidade jogando dentro de seu estádio na primeira fase: Tijuana (Apertura 2012), Santos (Clausura 2012) e Tigres (Apertura 2011) não tiveram as melhores campanhas atuando como locais, mas ainda assim não foram superados em casa, obtendo uma vantagem mental preponderante nos momentos decisivos dos playoffs.

Tendo esse ponto como chave é interessante notar os clubes que já se destacam nesse início de Clausura, atuando de forma contundente em seus estádios e utilizando os mandos como propriamente se espera desses clubes: superioridade total. São justamente as equipes que deverão brigar pela taça ao fim da competição. Cruz Azul, América, Tigres, Santos, Tijuana e Monterrey, clubes que certamente disputarão o título, mantém os 100% nesse início de torneio, enquanto o Atlas, que briga diretamente contra o descenso, é o único intruso da lista.

Enquanto as atuações de Cruz Azul e América surpreendem pela facilidade (leia-se goleadas impostas) com que superaram seus adversários, Tigres, Santos e Tijuana mantiveram suas metas intactas durante seus jogos, outro ponto importante para quem espera uma boa campanha no futebol azteca. Toluca e León, dois clubes reconhecidos por tornar seus estádios verdadeiros caldeirões e grandes obstáculos aos visitantes, não começaram da melhor forma suas campanhas em casa no Clausura, mas sabem que uma possível volta ao topo passa necessariamente pelo apoio de seus torcedores nas partidas em ambiente doméstico.

Uma boa campanha em casa traz consigo outra vantagem: o forte apoio do torcedor nas fases decisivas, com um incremento no número de torcedores presentes aos estádios. Ainda que as médias de público não sejam o modo ideal de ranquear o apoio aos clubes no futebol azteca, dão uma boa medida dos bons desempenhos dessas equipes. A disparidade se dá pela diferença no porte dos estádios. A ótima média de cerca de 19.000 torcedores por partida no estádio Caliente impulsionou sobremaneira a campanha vitoriosa dos Xolos no Apertura, mas foi apenas a 11ª entre os 18 times que disputam a Primera División. Isso por que o estádio do clube fronteiriço possui a menor capacidade entre os utilizados por clubes da elite mexicana.

O mesmo ocorre com o TSM Corona, casa do Santos, que apesar manter um percentual de lotação próximo do limite, conta com uma capacidade (30.000) abaixo da maior parte dos rivais. Isso sem falar no incidente vivido nas cercanias do mesmo durante um duelo pelo Apertura 2011, que causou a paralisação de uma partida motivada por disparos que assustaram público, atletas e mídia presentes. A insegurança do local certamente diminui um pouco a média de público de um time que logo no torneio seguinte alcançou o título nacional.

Ainda assim não dá pra se desconsiderar o forte impacto que esses estádios lotados causam aos visitantes. Enfrentar Tijuana, Toluca, Tigres e Cruz Azul em seus domínios é uma tarefa notoriamente inglória para qualquer adversário. Na contramão, um estádio grande como o Azteca, de propriedade do América, ainda que conte com um média de público alta, dificilmente causa impacto nos adversários pela dispersão da torcida. Tanto que nas últimas temporadas, a maior parte dos bons resultados obtidos pelo conjunto de Coapa veio fora de casa, sendo o América um dos clubes que mais possui dificuldades para fazer valer sua vantagem de mando de campo.

Ainda não é possível afirmar com certeza que os times que iniciaram a competição com boas exibições em casa chegarão até as fases mais decisivas, mas a se julgar pelas últimas edições da Liga MX e pelo potencial das equipes invictas em seus domínios, é justo começar a analisar melhor os favoritos por esse ângulo, mesmo com o campeonato ainda no início. Até por que cumprir o “dever de casa” é sempre um bom primeiro passo para atingir seus objetivos…

Curtas

– Seleção da 4ª rodada Trivela: Jesús Corona (Cruz Azul), Edgar Castillo (Tijuana), Darío Verón (Pumas UNAM), Rafael Figueroa (Santos) e Dárvin Chávez (Monterrey); Christian Giménez (Cruz Azul), Fernando Arce (Tijuana), Rodolfo Salinas (Santos) e Efraín Velarde (Pumas UNAM); Joaquín Larrívey (Atlante) e Emanuel Villa (Tigres); T: Guillermo Vázquez (Cruz Azul);

Costa Rica

– Com um gol do zagueiro Giancarlo González, que atua no futebol norueguês, a Costa Rica superou Honduras e, em casa, sagrou-se campeã da Copa Centroamericana pela sétima vez na história;

– Os comandados do técnico colombiano Jorge Luis Pinto tiveram uma campanha quase perfeita, ainda que longe de brilhante, com 4 vitórias em cinco partidas, seis gols marcados e apenas um sofrido. Foram três vitórias mínimas, sendo que o artilheiro do time (e da competição), Jairo Arrieta, marcou apenas 2 gols;

– Por causa da competição continental, não houve rodada no Campeonato de Verano da Primera División, com o Cartaginés mantendo a liderança, com 9 pontos em 3 partidas, seguido de Uruguay (2 jogos) e San Carlos (3 jogos), ambos com 6 pontos;

El Salvador

– Com uma campanha apagada e obtendo vaga para as semifinais apenas no sorteio, El Salvador ainda conseguiu um desempenho melhor que os demais “grandes” da América Central, em uma competição marcada pelo pragmatismo e nível baixíssimo das apresentações;

– A única vitória da Selecta veio na disputa do 3º lugar, frente ao fraco Belize, por 1×0, em tento marcado por Nelson Bonilla, do Alianza. Ainda assim, o selecionado comandado pelo peruano Agustín Castillo igualou pela 5ª vez sua melhor campanha na história da disputa;

– Já o torneio Clausura da Liga Mayor terá início no dia 2 de fevereiro, com o Clássico Nacional opondo FAS e Águila, os dois maiores campeões nacionais, logo na rodada inaugural. Atual campeão, o Isidro Metapán recebe o Atlético Marte;

Guatemala

– Com três empates e uma derrota e apenas três gols marcados em quatro partidas, a seleção guatemalteca caiu na fase de grupos da Copa Centroamericana pela terceira vez consecutiva, perdendo a vaga nas semifinais para a fraquíssima seleção de Belize e ocupando o posto de maior decepção do torneio;

– Com um time formado apenas por atletas que atuam na Liga Nacional, a Bicolor do ex-goleiro uruguaio Ever Hugo Almeida foi superada na disputa do quinto lugar pelo Panamá e também ficou sem a vaga para a Copa Ouro, ficando cada vez mais longe de confirmar a evolução que aparentava no começo da década de 2000;

– Com o adiamento do Clásico Chapín, entre os dois maiores clubes do país, Municipal e Comunicaciones, três equipes venceram seus duelos após empatarem na rodada inaugural e assumiram a ponta do Clausura da Liga Nacional, com 4 pontos: o Deportivo Mictlán superou o Halcones por 3×0, enquanto a Universidad bateu o Deportivo Petapa e o Malacateco derrotou o Heredia;

Honduras

– Outra seleção das chamadas “grandes” a decepcionar, os hondurenhos apresentaram um futebol burocrático, suaram para bater a fraca Belize por 1×0 e ainda levaram o troco dos costarriquenhos na reprise da final da última edição da Copa Centroamericana, perdendo a chance de alcançar seu quarto título da competição;

– Sob o comando do colombiano Luis Fernando Suárez, os Catrachos têm como maior objetivo uma quarta (ou quem sabe terceira) posição no hexagonal decisivo das Eliminatórias para a Copa de 2014, que começa na próxima semana. O futebol mostrado foi fraco, mas como os rivais Costa Rica e Panamá também não animaram…

– No Clausura da Liga Nacional, o Olímpia venceu o Atlético Choloma, em casa, e manteve a ponta, com seis pontos em dois jogos. Os Merengues dividem a liderança do Clausura com a Real Sociedad, que aplicou um contundente 3×0 no Deportivo Vida e também manteve os 100% de aproveitamento;

Panamá

– Ainda que não tenha repetido as boas campanhas das últimas edições, os panamenhos não fizeram feio na Copa Centroamericana, mantendo-se invictos apesar da quinta colocação. Eliminado no sorteio após dois empates na fase de grupos, os Canaleros superaram a Guatemala na briga pela 5ª posição e garantiram vaga na Copa Ouro 2013;

– Atual campeão, o Árabe Unido superou o San Francisco por 3×0 e tomou a liderança do Clausura da Liga Panamenha do rival, agora com sete pontos em três partidas. Já o clube de La Chorrera estacionou nos seis pontos e agora tem a companhia de Tauro e San Miguelito, que também venceram na rodada.

Mostrar mais

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo