México

Vamos à luta, companheiros

O movimento sindical no esporte brasileiro é quase inexistente. Não tem a adesão dos profissionais, a atenção da imprensa, o reconhecimento do público e a menor consideração do patronato. Não fosse o trabalho de alguns abnegados, a luta por direitos trabalhistas dos atletas seria nula.

Pois o cenário é bastante diferente na América Espanhola. E, no momento, o Uruguai serve de principal prova. Depois de duas suspensões entre dezembro e janeiro últimos por violência dos torcedores, o futebol charrua pode, novamente, ficar parado. Dessa vez, por causa de uma greve.

Vários clubes do país estão atrasando salários de seus funcionários. A situação é tão crítica que, por problemas financeiros, o Villa Española foi excluído do Clausura. Diante do temor de que a situação siga na mesma, os jogadores decidiram convocar uma paralisação. A rodada prevista para a última quarta-feira foi adiada e o impasse poderia afetar competições internacionais. De acordo com os líderes do movimento, os atletas estariam dispostos a passar por cima até da Libertadores e das Eliminatórias da Copa.

O impasse obrigou os dois lados a sentarem para negociar. O sindicato dos jogadores e a AUF (federação uruguaia) se aproximaram de um acordo. Os clubes negociaram suas dívidas e os atletas concordaram em voltar a jogar. No entanto, ainda sobraram duas arestas a serem aparadas: o Nacional ainda não havia acertado com Rubén da Silva e o Peñarol tinha uma dívida com Darío Vera.

Os dois grandes clubes uruguaios preferiram negociar diretamente com os atletas e deixaram a questão em suspense por mais um tempo. Os Bolsos foram rápidos e anunciaram, ainda nesta quinta, que já haviam equacionado os problemas com Da Silva. No entanto, o Peñarol continua relutando em pagar Vera.

De acordo com os cálculos do sindicato dos jogadores, os Manyas devem cerca de US$ 50 mil para o atleta. A diretoria do clube discorda, pois alega que Vera não ainda foi inscrito na AUF e, por isso, não seria jogador profissional. O Tribunal Arbitral, que julgou o caso, só confundiu ainda mais a situação. Três membros ficaram do lado do Peñarol e outros três estipularam em US$ 3 mil a dívida. O que seria o voto de minerva foi a favor do atleta (ou seja, do pagamento de US$ 50 mil).

Com medo de que a situação se prolongue por mais tempo, já há quem apareça com soluções de emergência. Gerardo Arias, um dos principais empresários de jogadores do país, se dispôs a pagar a dívida do Peñarol e, posteriormente, estudar uma compensação com Vera ou o clube.

A tendência é que o caso se resolva em breve e não afete as participações uruguaias em competições internacionais. De qualquer modo, o simples fato de uma greve ser convocada, de todos os jogadores aderirem e isso forçar a busca por uma solução já é notável. O Brasil poderia pensar um pouco nisso, até porque o fantasma de atrasos de salários está mais forte do que nos últimos anos.

Tubarão alviverde

Tubarões não têm capacidade para bombear água para as brânquias, assim, precisam estar em movimento com a boca aberta para respirar. Além disso, a ausência de bexigas natatórias dificultam a flutuação, os obrigando a nadar sempre para não afundar. Ou seja, a maioria das espécies de tubarões precisa se movimentar muito e sempre para não morrer asfixiada ou afundar. Contra o Colo-Colo, o Palmeiras mostrou ser assim.

Desde o início do ano, o time Alviverde se notabilizou por imprimir um jogo rápido e envolvente, usando a velocidade de pensamento de Cleiton Xavier, a boa fase de Diego Souza, o oportunismo de Keirrison e a rapidez de deslocamento de Willams e Marquinhos. Os chilenos sabiam disso. E, para asfixiar e afundar os palmeirenses, trataram de impedir os brasileiros de se movimentar.

Meléndez fechou o meio-campo, anulando Diego Souza. A defesa esteve compacta e não deu espaços para os atacantes palmeirenses explorarem sua velocidade. Torres, com sua capacidade de trocar passes, ajudava a cadenciar o jogo, enquanto que Barrios e Carranza ficavam na frente como referências para os ataques. Mesmo depois da expulsão de Meléndez, os colocolinos não mudaram seu plano. Tiraram um atacante, mas continuaram com a formação defensiva e com armas para contra-ataques.

Deu muito certo. O Palmeiras mostrou suas principais fragilidades: uma defesa lenta e insegura e um sistema ofensivo que não soube se adaptar a uma partida que se desenhou desfavorável. O Cacique dominou completamente a partida e venceu com extrema facilidade, sem correr tantos riscos mesmo no Parque Antarctica lotado.

Com uma derrota em casa, o Alviverde precisa vencer o Sport na sempre complicada Ilha do Retiro. Um empate até serve, mas não seria muito bom. Derrota deixa o time paulista em situação delicada, carecendo de três vitórias nas últimas três rodadas e ainda contar com combinação de resultados.

Quando não pôde se mexer, o Palmeiras afundou. Precisa aprender a sobreviver de outro jeito se não quiser morrer de vez na Libertadores.

México: este é o mundo das Chivas

Depois de terminarem o Apertura fora até mesmo do mata-mata, as Chivas de Guadalajara começaram 2009 dispostas a retomarem o domínio do futebol mexicano. Reforçaram o ataque, recuperaram seu goleiro titular (que ficou seis meses contundido) e ainda contrataram um dos melhores meias do país no ano passado. O time ainda não se encontrou completamente, mas dá sinais de que pode atingir seu objetivo.

No meio da semana passada, o chiverío chamou a atenção pelos 6 a 2 que meteu no Everton chileno pela Libertadores. A fraqueza do adversário atenuou um pouco o impacto do placar, mas, no último domingo, os tapatíos fizeram algo ainda maior: 5 a 0 no Pachuca, que ocupava a superliderança (líder na classificação geral) do Clausura.

O modo como as Chivas se impuseram deixou bem claro qual o potencial dessa equipe. O primeiro tempo foi morno, com os dois times respeitando demais o adversário e se contentando com o 0 a 0. Após o intervalo, o Rebaño voltou com uma atitude completamente diferente. Atacante com intensidade e saindo para o ataque com rapidez, a equipe de Efraín Flores expôs todos os problemas dos Tuzos, algo que já ficara evidenciado pela eliminação na Pré-Libertadores.

Aos 2 minutos, Galindo abriu o marcador de cabeça. O Pachuca tentou buscar o empate e se abriu para as Chivas explorarem os contra-ataques e acabasse ampliando a vantagem aos 24 minutos. A partir daí, o time de Guadalajara apenas se manteve atento o suficiente para aproveitar o abalo psicológico dos Tuzos.

Mesmo com a derrota, o Pachuca ainda é o superlíder. No entanto, tem sua confiança abalada e mostra sua vulnerabilidade a todos. Enquanto isso, as Chivas assumem a dianteira do Grupo 2 e já sabem como praticar o melhor futebol do México.

SELEÇÃO DA RODADA
Veja a seleção do site Medio Tiempo para a 8ª rodada do Clausura mexicano: Sergio Bernal (Pumas de la Unam); Sergio Amaury Ponce (Chivas de Guadalajara), Aaron Galindo (Chivas de Guadalajara), Michael Orozco (San Luis) e Efraín Velarde (Pumas de la Unam); Tressor Moreno (San Luis), Israel Castro (Pumas de la Unam) e Sinha (Toluca); Alfredo Moreno (Necaxa), Humberto Suazo (Monterrey) e Christian Benítez (Santos Laguna). Técnico: Efraín Flores (Chivas de Guadalajara).

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