México

Incógnita verde e ouro

Um time jovem, de estilo envolvente e ofensivo, comandado por um treinador promissor e sem grandes medalhões, vindo de uma campanha surpreendente e pronto para fazer sua estreia em uma competição de respeito e, quem sabe, alcançar novamente o título nacional. Esse é o panorama atual do León, tradicional clube mexicano que voltou à elite entrando direto na briga pelo título e pelas primeiras posições.

Esse é, também, o cenário que irá encontra o veterano zagueiro Rafael Márquez, que retorna ao futebol azteca 13 anos após rumar para terras europeias e tornar-se a principal referência na década de uma seleção dominante a nível continental, mas que ficou no quase nas principais disputas internacionais.

Pentacampeão mexicano, o clube esmeralda viveu um dos piores momentos de sua história na década de 2000. Depois de seguidas fracas campanhas na elite, os leoninos foram rebaixados ao fim do torneio Verano em 2002. Como no futebol azteca o sistema de acesso premia apenas um clube por temporada, três títulos do Clausura (que acontece na segunda parte da temporada e na primeira metade do ano solar) não foram suficientes para devolver o clube à Primera División, já que nas três oportunidades o León viu o vencedor do Apertura superá-lo na Final da Liga de Ascenso e ficar com a vaga.

Na última temporada, contudo, a agonia da torcida verde e ouro teve fim, com o clube derrotando o Correcaminos na decisão e voltando ao topo do futebol azteca. Mantido no cargo, o uruguaio Gustavo Matosas realizou a manutenção da maior parte do elenco, optando por nomes pontuais e a base que conquistou o acesso. Sem grandes nomes, mas com um futebol ofensivo a corajoso, a Fera surpreendeu os grandes clubes do país, enfrentando-os de igual para igual em qualquer partida. Nos jogos em casa, o intenso clima e pressão do estádio Nou Camp fez a diferença, ajudando os Panzas Verdes a obterem triunfos incontestáveis sobre Monterrey, Tigres, Pumas, Jaguares, o então campeão Santos (3×0) e o futuro campeão Tijuana (4×0).

Com o melhor ataque do Clausura e uma defesa segura, a eliminação só veio nas semifinais da Liguilla, num erro de cálculo de Matosas, que optou por retrancar o time após obter boa vantagem na partida de ida frente ao Tijuana. A direção dos Leones identificou que boa parte do erro também coube à falta de experiência do elenco, um dos mais jovens da Liga MX. Prestes a disputar sua primeira Libertadores, a resolução veio na forma do zagueirão dispensado do New York Red Bulls (EUA): Rafa Márquez. Um nome tão ousado quanto arriscado.

Ainda que tenha atributos técnicos de sobra para justificar sua chegada ao clube de Guanajuato, é difícil imaginar outras grandes vantagens que a contratação traga ao clube. Eficiente e discreto em sua passagem por Monaco (FRA) e nos primeiros anos de Barcelona (ESP), os problemas do Kaiser de Michoacán parecem ter começado justamente após as ótimas temporadas que fez em seu início pelo clube catalão. Sem grande concorrência no elenco, e se impondo também na Tricolor azteca, Rafa capitaneou uma geração que não contou com um nome de destaque internacional nos setores de criação e ofensivos, centralizando boa parte do destaque midiático no país por se tratar do único jogador mexicano titular em um clube vencedor e recheado de estrelas.

Após alguns atritos com Guardiola, o “Duque” assinou com o clube nova-iorquino como jogador designado e com salário acima da média da liga norte-americana. O início foi excelente, mas diferente do ex-companheiro Henry, que se tornou crucial à franquia da Major League Soccer, Rafa transformou-se mais em um problema do que uma solução. Polêmicas desnecessárias, como críticas à equipe, declarações à imprensa exigindo um lugar no time titular e, pior, em momentos decisivos da temporada, fizeram com que o defensor perdesse seu posto para nomes um tanto quanto obscuros como Wilman Conde, Tyler Ruthven e Stephen Keel.

A gota d’água para a direção dos touros foi a suspensão por três partidas após agredir o meia Shea Salinas, do San José Earthquakes. Passando de titular inquestionável à reserva de luxo e fonte de problemas, Rafa perdeu parte de seu prestígio também na seleção mexicana, que viu despontarem bons nomes para o setor defensivo na própria Liga MX.

Longe de seu papel de referência no selecionado e de bons desempenhos por clubes, o retorno para o clube Esmeralda parece ser uma última tentativa do jogador de retomar as atenções do técnico José Manuel de la Torre, uma vez que o próprio zagueiro já declarou que deseja se aposentar no Brasil, em 2014. Para ele, uma oportunidade mais do que clara. Resta saber o quanto será também útil ao clube e, principalmente, ao bom ambiente que reina em León.

Com 33 anos, Rafa Márquez será o jogador mais velho (até o momento) do elenco. A questão é que os demais expoentes do clube, como o zagueiro Magallón e o atacante uruguaio Sebastián Mas atuam muito bem como porta-vozes do time e escudos do jovem treinador uruguaio. Um papel que dificilmente se imagina Rafa desempenhando. Os questionamentos quanto ao que uma eventual ida ao banco de reservas ou uma reprimenda ao seu reconhecido temperamento explosivo podem gerar já geram expectativas na imprensa azteca.

Não se pode descartar que a chegada de Rafa também pode agregar uma competitividade (notadamente internacional) da qual o time ainda tem carência, muito graças aos anos na divisão de acesso. Mas é bom que direção e comissão técnica fiquem atentas. Os sucessos monegasco e catalão são bons exemplos, mas vale lembrar que a liga norte-americana não tem rebaixamento e azedar o bom clima que o jovem time leonino possui pode ser o primeiro passo para uma derrocada da qual o Panzas Verdes querem distância.

Curtas

– Muitas trocas e contratações já foram fechadas pelos clubes aztecas visando o torneio Clausura, que encerra a temporada. De maior destaque, vale ressaltar o retorno do veterano atacante Miguel Sabah ao Chivas e chegada do goleador (e polêmico) colombiano Téo Gutiérrez ao Cruz Azul;

Costa Rica
– Com gols de Allen Guevara e Jorge Davis, a Alajuelense venceu o Herediano, em Heredia, por 2×1 (Cristian Montero descontou para os donos da casa), na primeira partida da decisão do Campeonato de Invierno;

– Com o triunfo, o clube de Alajuela ficou próximo de seu 28º título da Primera División, podendo até perder por um gol no próximo sábado, em casa;

El Salvador
– Após empate no tempo normal e na prorrogação, o Isidro Metapán superou o Alianza nos pênaltis e obteve seu 7º título da Liga Mayor;

– Sem gols durante o tempo regulamentar, o duelo contou com um empate por 1×1 na prorrogação, mas o time de melhor campanha venceu as penalidades por 5×4 para ficar com a taça do Apertura;

Guatemala
– Os dois maiores campeões do futebol guatemalteco, Comunicaciones e Municipal fizeram uma decisão sem grandes emoções no Apertura da Liga Nacional. Dono da melhor campanha da competição, os Cremas praticamente garantiram a taça com um incontestável 3×0 na casa do rival já no primeiro jogo;

– Na volta, um triunfo simples no estádio Cementos Progreso garantiu a 25ª conquista nacional (contra 29 do rival) e a vaga na próxima edição da Concacaf Champions League;

Honduras
– Atual campeão, melhor time da primeira fase e maior campeão nacional, o Olímpia manteve a boa campanha e goleou o Victoria por 4×0 no duelo de volta da final do Apertura para conquistar seu 26º título da Liga Nacional;

– O time dos brasileiros Douglas Caetano e Fábio de Souza, contou com gols de Roger Rojas (artilheiro da competição), Juan García, Javier Portillo e Ramiro Bruschi para fazer a alegria de sua torcida e comemorar o tricampeonato nacional pela segunda vez em sua história (o outro aconteceu em 2006);

Panamá
– A LPF (Liga Panamenha de Futebol) divulgou os premiados do último Apertura de sua divisão de elite: Jorman Aguilar, o “garoto de ouro” de apenas 18 anos do surpreendente Río Abajo, ficou com o prêmio de artilheiro da competição, enquanto Alex Rodríguez, do Sporting San Miguelito, ficou com o posto de goleiro menos vazado;

– Comandante do décimo título nacional do Árabe Unido, o colombiano Jahir Palacios levou o prêmio de melhor técnico da competição;

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