México

Trauma argentino

O fato de times médios e pequenos como Estudiantes, Vélez Sársfield e Argentinos Juniors terem conquistado a Libertadores criou, no Brasil, a idéia de que os argentinos em geral crescem quando jogam a competição sul-americana. Como toda generalização, é errada. Há momentos em que os times argentinos sentem traumas e caem de rendimento no torneio. Algo que ficou evidente no início da segunda fase da edição 2008.

Difícil entender como River Plate e San Lorenzo puderam perder de modo tão contundente para Deportivo San Martín e Caracas (o Estudiantes também perdeu, mas apertou o Deportivo Cuenca na altitude e até poderia ter saído de campo com melhor sorte). Ainda que os vencedores tenham méritos – e, no caso do Caracas, a evolução nos últimos anos salta aos olhos –, os argentinos pareceram incapazes de criar alguma resistência. Mesmo com sua inegável superioridade técnica e econômica.

Millonarios e Ciclón, para os padrões argentinos, são considerados clubes que “amarelam” na Libertadores. Os riverplatenses têm dois títulos, mas ambos contra o América de Cáli, um clube ainda mais traumatizado com decisões sul-americanas. De resto, o time de Núñez tem histórico de perder jogos internacionais para equipes mais fracas. O mesmo vale para o San Lorenzo, time de terceira ou quarta (os resultados variam de acordo com a pesquisa) da Argentina que jamais chegou sequer à final do torneio. Mal comparando, seria um Corinthians platino.

É difícil imaginar que tais traumas internacionais se prolonguem até o final da primeira fase. Ainda que as derrotas tenham sido duras, San Lorenzo e River são favoritos a uma das duas vagas de suas chaves nas oitavas-de-final. Ms precisam usar essas derrotas para resolverem seus problemas.

O primeiro, evidente, é o bloqueio psicológico. A Argentina é a grande potência histórica das competições de clubes da América do Sul e não há porque um grande argentino se sentir menor diante de um adversário qualquer. E, na Libertadores, a capacidade de fazer o adversário se sentir intimidado pela força do rival é chave para quase todas as conquistas.

Outro problema é técnico. O River Plate tem uma defesa muito fraca, que deixou os atacantes do San Martín (notadamente Ovelar) jogar livre de marcação, criando perigos evitáveis ao gol de Carrizo. O San Lorenzo pagou pelo desajuste de uma equipe em formação. Há jogadores interessantes, como D’Alessandro, Romeo, Aureliano Torres, Placente e Bilos, mas a equipe está em formação depois de um segundo semestre modorrento em 2007.

Nos dois casos, os técnicos – Diego Simeone e Ramón Díaz – terão de ajustar as equipes sem margem de erro. Nova derrota pode complicar muito a situação dos dois times. No mínimo, colocá-los em posição desagradável para o emparceiramento das oitavas. O que ajudaria, e muito, a que os traumas riverplatenses e azulgranas durem por mais um ano.

A vez das copas nacionais
O Brasil é um mundo à parte da América Latina. Não se comunica com os outros países e não liga para o que ocorre no continente. Mas o mesmo não vale para os outros países. O intercâmbio de jogadores, treinadores e idéias é comum e percebe-se que medidas tomadas em alguns países gradualmente são adotadas em outros. Depois da onda de Aperturas e Clausuras/Finalización, é a vez das copas nacionais.

Até dois anos atrás, o Brasil era o único país latino-americano com copa nacional. Chile e México tiveram as suas, mas foram extintas na década de 1990. A Copa Peru e a Copa Simon Bolívar (Bolívia) não são copas nacionais, mas nomes de torneios que reúnem campeões regionais para definir quem sobe para a primeira divisão.

Parece que a coisa muda de figura. Para a temporada 2007/8, a Venezuela criou sua copa com times das duas primeiras divisões. Uma forma de consolidar o crescimento do futebol no país. O torneio nem teve seu primeiro campeão e já surgem congêneres pelo continente.

Nesta semana, a Dimayor (liga colombiana de futebol) anunciou a criação da Copa Colômbia a partir de 2009. O formato é bastante esquisito. Os 36 times (primeira e segunda divisões somadas) se dividem sem eis grupos regionais de seis equipes. Os times jogam em turno e returno dentro das chaves e os dois primeiros se classificam. Os 12 classificados jogam em mata-mata até sobrarem três. Aí, o time de melhor campanha entre os eliminados é repescado e formam-se as semifinais. O campeão tem uma vaga na Copa Sul-Americana.

Os grupos já foram divididos. Grupo A: Atlético Junior, Real Cartagena, Unión Magdalena, Barranquilla, Córdoba e Valledupar; Grupo B: Atlético Nacional, Independiente Medellín, Envigado, Pereira, Rionegro e Bajo Cauca; Grupo C: Cúcuta, Bucaramanga, Boyacá Chicó, Alianza Petrolera, Real Santander e Patriotas; Grupo D: Millonarios, Independiente Santa Fe, La Equidad, Academia, Bogotá e Centauros; Grupo E: América de Cáli, Deportivo Cali, Deportivo Pasto, Deportes Quindío, Cortuluá e Depor; e Grupo F: Tolima, Once Caldas, Atlético Huila, Girardot, Expreso Rojo e Juventud Soacha.

Ainda que a fórmula de disputa pareça muito mais a dos Brasileirões da década de 1970 do que um mata-mata puro, o papel dessa competição no calendário colombiano é de uma copa.

Outro país que ensaia criar sua copa é a Bolívia. Foi anunciado que, já neste ano, serão disputadas três competições no país: Apertura, Clausura e Playoff. O Playoff é a novidade. Disputado no segundo semestre, reúne as 12 equipes da primeira divisão em mata-mata para definir o terceiro representante do país na Libertadores (o “prêmio” ainda é passível de confirmação).

A criação desses torneios é um fenômeno incipiente que pode não ter via longa. De qualquer modo, é evidente o surgimento de uma tendência. Alimentada pela necessidade de dar atividade aos clubes no ano inteiro, de aproveitar um nicho ainda aberto e de usar a possibilidade de distribuir vagas em duas competições internacionais.

Duelo de contrastes
Um duelo interessante deste fim-de-semana é Tigres de la UANL x Chivas de Guadalajara. São duas equipes tradicionais que vivem momentos muito distintos. O Chivas é líder disparado (já!), enquanto que o Tigres divide a lanterna com Tecos de la UAG, Atlas e Pumas de la Unam.

As Chivas venceram o clásico tapatío contra o Atlas (2 a 0, gols de Omar Bravo), lideram com 13 pontos em 15 possíveis e já abriram quatro pontos para os segundos colocados (Pachuca e Morelia). O ritmo desse início de temporada do Rebaño impressiona e dá ao time de Jalisco o status de primeiro favorito a despontar.

Enquanto isso, os Tigres preocupam na luta contra o rebaixamento. Nas duas rodadas da última semana, os regiomontanos perderam vexatoriamente (0 a 3 em casa contra o fraquíssimo Veracruz e 1 a 6 contra o Pachuca). Os resultados custaram o cargo ao técnico Américo Gallego, que pediu demissão. É a primeira vez desde que virou técnico que o argentino sai de um time sem um título nacional.

Para essa partida, o Tigres aparece com o novo técnico Manuel Lapuente, ex-seleção mexicana. O treinador terá de reverter o processo de implosão nos felinos, que não conseguem superar a cobrança e jogar com tranqüilidade para transformar os investimentos em resultados. Até porque o Puebla dá sinal de vida e, se o Veracruz também melhorar um pouco, a situação do time de Monterrey se torna bastante delicada no promedio (média de pontos nas últimas três temporadas, fator que determina o rebaixamento no México).

SELEÇÃO DA RODADA

Veja a seleção do site Medio Tiempo da 4ª rodada do Clausura: Jorge Vilalpando (Puebla); Omar Monjaraz (San Luis), Jonny Magallón (Chivas de Guadalajara), Fernando Ortíz (Santos Laguna) e Mario Pérez (San Luis); Alejandro Arguello (América), Hugo García (Veracruz), Fernando Arce (Santos Laguna) e Francisco Torres (Santos Laguna); Salvador Cabañas (América) e Omar Bravo (Chivas de Guadalajara). Técnico: Miguel Herrera.

Veja a seleção do site Medio Tiempo da 5ª rodada do Clausura: Óscar Pérez (Cruz Azul); Walter Erviti (Monterrey), Horacio Cervantes (Morelia), Mauricio Romero (Morelia) e Paul Aguilar (Pachuca); Wilson Tiago (Morelia), Sergio Rosas (Puebla) e Gabriel Pereyra (Atlante); Humberto Suazo (Monterrey), Omar Bravo (Chivas de Guadalajara) e Luis Gabriel Rey (Pachuca). Técnico: David Patiño.

CURTAS

LIBERTADORES
– O Peru foi a feliz surpresa da primeira semana. Cienciano e Deportivo San Martín venceram e o Coronel Bolognesi empatou com o Flamengo. Todos os jogos foram em território peruano e nenhum é favorito à classificação, mas foi um começo empolgante para um país que anda tão em baixa.

– O único argentino que venceu foi o Lanús. Depois de um primeiro tempo mais complicado contra o Danubio, Sand e Valeri se soltaram mais e deram a vitória ao atual campeão argentino.

BOLÍVIA
– The Strongest em crise. O time não venceu nenhuma das cinco partidas de pré-temporada e a torcida pede a saída do presidente Jorge Pacheco e do técnico Bernardo Redín. O clube comemora seu centenário e um título é considerado fundamental.

– A polícia prendeu Ángel Pérez Argote, líder da barra brava do Oriente Petrolero e acusado de agredir duas pessoas antes do clássico contra o Blooming pela Copa Aerosur. Detalhe: as vítimas eram torcedores alviverdes.

CHILE
– Princípio de crise na Universidad de Chile. Após a derrota para o Everton, Carlos Heller, principal acionista do clube, disse que é uma vergonha como a equipe está jogando.

COLÔMBIA
– Faustino Asprilla negocia seu retorno aos gramados. O atacante de 38 anos defenderia o Sport Ancash, do Peru.

– O Atlético Nacional tem um reforço para a Libertadores. O técnico Héctor Quintabani foi liberado pelos médicos após se afastar por hipertensão arterial.

EQUADOR
– Hernán Darío Gómez (veja nota abaixo) é o candidato mais forte ao posto de treinador do Equador. O colombiano levou La Tri à Copa de 2002 e disse que quer retornar, mas só o fará se houver consenso na federação equatoriana.

GUATEMALA
– O técnico Harnán Darío Gómez se demitiu do cargo de técnico da seleção guatemalteca. A decisão foi tomada como conseqüência da derrota por 5 a 0 para a seleção olímpica argentina.

MÉXICO
– O América tem um desfalque importante para o próximo mês. O Ochoa não atua neste fim-de-semana por contusão no tornozelo direito. Depois, o goleiro se apresenta à seleção mexicana que disputara o Pré-Olímpico. Memo só retornaria às águilas em 23 de março.

PARAGUAI
– O Apertura começa neste fim-de-semana. Na abertura do torneio, nesta sexta, o Sportivo Luqueño fez 3 a 1 no Sol de América.

PERU
– O meia colombiano Johnnier Montaño, do Alianza Lima, acusou Jorge Pacheco, dirigente do Universitário, de ameaçá-lo de morte. O jogador teria assinado dois contratos, mas ficou com o Alianza, o que irritou os cremas. Gino Pinasco, presidente do Universitario, pedirá a suspensão de Montaño por um ano pela acusação a Pacheco.

URUGUAI
– Gustavo Matosas, técnico do Peñarol (é aquele ex-jogador do São Paulo), sofre pressão pela derrota do seu time por 3 a 0 para o Nacional na Copa Ricard. O treinador preferiu escalar reservas, mas a torcida não gostou. Resposta do técnico: “peço aos torcedores que apóiem sempre. Quando o jogo terminar, eu prometo ficar um tempinho a mais no gramado para que me xinguem”.

– O Apertura começa neste fim-de-semana com Rampla Juniors x Defensor Sporting.

VENEZUELA
– Para o jogo Unión Maracaibo x Boca Juniors, a prefeitura de Maracaibo comprou todos os ingressos das arquibancadas laterais, popular e sul. As entradas serão distribuídas gratuitamente.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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