México

Tiro pela culatra?

Pouco ou quase nada mudou. A impressão que se tem após quase dois anos de Concachampions é essa. Nos próximos dias, o torneio entra em suas semifinais com quatro mexicanos na briga pelo título. Times que, em determinado momento da competição, recorreram a um expediente que costumava causar calafrios nos dirigentes antes da europarização do campeonato: o uso de juvenis em algumas partidas. Pois é, e ainda assim os astecas conseguiram chegar lá, na linha de chegada do continental, mesmo que às vezes passando a sensação de meio que sem querer.

A pergunta a que se fazem pela região é simples: será que era a hora mesmo de ter aumentado o número de vagas dos mexicanos? Ok, a saudosa Copa dos Campeões tinha muito poucas datas, não era nada atrativa comercialmente e ocupava um sub-espaço no calendário da maior parte de seus participantes. Era, de fato, necessário inchar a competição para que ela pudesse crescer. Ainda assim, o tiro que parecia mesmo mais do que necessário está saindo pela culatra.

Muito disso talvez tenha a ver com a falta de oposição que os clubes do México encontram no torneio. Quando se pensa em Concacaf, qual a rivalidade que vem logo à mente? Mexicanos e americanos, claro. Mas o que fazer quando estes últimos não tratam o principal interclubes local com a atenção que ele pede? Fica difícil imaginar algum desenvolvimento assim. De qualquer forma, será que eles possuem alguma culpa no cartório?

Mesmo no futebol, os Estados Unidos passam aquela sensação de que vivem num mundinho à parte e que, aparentemente, apenas aparentemente, fizeram um favor aos demais ao dar mais uma chance para esse estranho esporte. Isso, por si só, já parecia estar de bom tamanho, posto que, fora isso, muito pouco foi feito para uma real integração com o restante dos países que cercam seu território, influindo diretamente no que acompanhamos na Concachampions.

Afinal de contas, como esperar que os Red Bulls da vida façam frente aos mexicanos se quando a competição entra em sua fase de mata-matas eles se encontram em meio à pré-temporada? Tudo bem, os russos se deparam com o mesmo dilema na Europa e poderiam servir, a exemplo de seus pares, mais uma vez como referência para os americanos. Parece ser simples, certo? Mas não é.

Nem mesmo o fator financeiro aparenta ser algo que vá contribuir para o fortalecimento dos adversários mexicanos na competição. Para os astecas, paira algo como um tal de déjà vu na mente. De novo, a única motivação que as equipes têm para prestigiar a Liga dos Campeões da Concacaf é a vaga no Mundial de clubes. Nada mais, nada menos, a não ser vez ou outra quando um embate reserva o encontro entre dois rivais. Pouco, muito pouco para quem queria uma cópia fiel da Uefa.

O que esquecem talvez de ver é que mesmo por lá, nos gramados em que pisam pés que valem milhões, também ocorre esse mesmo problema – quatro ingleses nas quartas de final em uma temporada não muito distante, lembram? Pois, então, não fosse por isso, Platini e sua turma não teriam feito tamanho esforço para reforçar o sentido continental do torneio – e até estão conseguindo algum resultado, vide a distribuição de países nesse ano. Mas vá saber se isso não é um efeito isolado ou algo que sinalize mesmo uma mudança pelo velho continente.

Fato é que, a continuar assim, dificilmente veremos um real crescimento da Concacaf. Os mexicanos seguirão sonhando com a Libertadores, desdenhando a LC com seus juvenis, prejudicando o desenvolvimento adversário e vendo os americanos fechados com seus designated players. Muito pouco para quem sonhava em repetir as glórias europeias. Talvez seja cedo para se chegar a tantas conclusões. Mas, antes assim, enquanto há tempo, do que mais tarde, quando já será tarde demais. Para todos.

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Equipe Trivela

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