México

The day after

Luis Fernando Suárez, Erwin Sánchez e José del Solar. Técnicos de, pela ordem, Equador, Bolívia e Peru. Nos últimos dias, todos eles tiveram de ouvir pesadas críticas e ratificar a permanência em seus cargos. Tudo porque, nas duas primeiras rodadas das Eliminatórias Sul-Americanas, suas seleções não apresentaram um bom futebol.

O caso mais contundente foi o do Equador. A imprensa local não aceitou a derrota caseira para a Venezuela e os 5 a 0 impostos pelo Brasil no Maracanã. “Humilhação” foi o adjetivo mais comum para descrever o início da campanha de La Tri. De fato, foram resultados bem desagradáveis, mas ainda há um grande exagero em já colocar o Equador fora da disputa.

O principal problema é que, depois de participar de duas Copas seguidas, imprensa e torcida equatorianas já consideram sua seleção uma força continental. Apesar do inegável crescimento, é um grande exagero. O Equador tem nível similar a quase todas as seleções sul-americanas e perder em casa é normal dentro do perde-ganha que são as Eliminatórias. Cair diante do Brasil no Rio de Janeiro é mais normal ainda.

Na Bolívia, o empate com a Colômbia acendeu o alerta: a altitude não cria uma vantagem suficiente para que La Máquina Verde se garanta em casa sempre. E olha que os bolivianos inovaram na estratégia, deixando o time principal se aclimatando na altitude por uma semana enquanto que um time misto ia ao Uruguai na primeira rodada. Basicamente, tentou-se aceitar uma derrota quase certa para tentar uma vitória depois.

O azar da Bolívia é que a Colômbia já estava acostumada com os Andes também, pois ficara em Bogotá nos dias anteriores. Ainda que existe uma diferença de altitude significativa, a queda de rendimento dos colombianos não foi tão acentuada.

A sensação de que o time não deve, mais uma vez, ir à Copa, já incentivou os que querem uma rápida mudança de planos. Erwin Sánchez foi contestado, mas o entendimento médio é que o time é fraco e serão necessários anos para que esse déficit técnico seja contornado.

Para os peruanos, a sensação de que o time não vai longe também é grande. Tanto que José del Solar teve de insistir que continua no projeto e que não assumiu – após a demissão de Julio César Uribe em julho – como “tampão”. A federação peruana também teve de dizer o mesmo.

No final das contas, as três contestações têm como fundo a percepção de que havia otimismo exagerado em relação às possibilidades de Equador, Bolívia e Peru. Se houver tranqüilidade para avaliar o que acontece, é possível perceber que apenas com organização essas três seleções poderão recuperar-se do início claudicante nas Eliminatórias. Ou, pelo menos, evitar que uma crise transforme tudo em vexame como o do Chile em 2001.

Bolívia: dois novatos

Se a seleção boliviana não agita muito a torcida, pelo menos há o campeonato nacional. Neste fim-de-semana, tem início o hexagonal final do Clausura 2007. Ao contrário do Apertura, disputado em pontos corridos, o Clausura teve dois grupos de seis equipes, com as três primeiras de cada um se classificando para a fase final, essa em pontos corridos.

Para o torneio em andamento, há novidades. Os pequenos Real Mamoré e La Paz conseguiram surpreendentes classificações, deixando de lado potências como Bolívar e Oriente Petrolero e o ascendente Real Potosí, campeão do primeiro semestre. Veja abaixo o que se pode esperar da competição.

Blooming

Nome: Club Social, Cultural y Deportivo Blooming
Estádio: Ramón Tahuichi Aguilera (Santa Cruz de la Sierra, 30.000 lugares)
Principal jogador: Joselito Vaca
Ponto positivo: Com Vaca e Limberg Gutiérrez, tem um dos meio-campos mais talentosos do país
Ponto negativo: não está na altitude e sofre quando tem de visitar equipes andinas
Técnico: Gustavo Quinteros

Discretamente, o Blooming é candidato ao título. O time tem bastante talento e experiência, sobretudo com Joselito Vaca e Limberg Gutiérrez no meio-campo, e tem feito uma campanha consistente, mesmo sem chamar tanto a atenção. A segurança defensiva pode ser determinante, desde que o ataque seja um pouco mais produtivo. Nesse caso, não seria surpreendente uma arrancada na reta final.

Jorge Wilstermann

Nome: Club Jorge Wilstermann
Estádio: Félix Capriles (Cochabamba, 32.000 lugares)
Principal jogador: Daner Pachi
Ponto positivo: a dupla de ataque é bastante forte
Ponto negativo: nunca conseguiu repetir o futebol competitivo e ofensivo que levou os aviadores ao título do Clausura 2006
Técnico: Vladimir Soria

Campeão do Clausura 2006 com uma defesa fortíssima, o Jorge Wilstermann perdeu fôlego neste ano. A campanha no Apertura foi decente, mas o desempenho no Clausura tem decepcionado. O goleiro Hugo Suárez ainda está entre os melhores do país (o que não quer dizer muito) e a dupla Pachi-Nelson Sosa leva muito perigo aos gols adversários. A vitória sobre o Real Potosí fora de casa no jogo decisivo para a classificação serve de alento para os aviadores

La Paz

Nome: La Paz Fútbol Club
Estádio: Hernando Siles (La Paz, 42.000 lugares)
Principal jogador: Augusto Andaveris
Ponto positivo: é o time mais consistente da Bolívia nesta temporada e começa o hexagonal com um ponto extra
Ponto negativo: não tem torcida ou tradição em decisões e pode ter problemas financeiros
Técnico: Sergio Apaza

Um time barato, que ganhou confiança durante o ano e, agora, é o que vive melhor momento na Bolívia. É esse o perfil do La Paz, equipe que começou como surpresa do torneio e já é visto por alguns como favorito. Ainda é cedo, até porque a trajetória no Apertura foi similar, com o rendimento caindo nas rodadas finais. Outro problema é a crise financeira, com jogadores reclamando de salários atrasados (o atacante colombiano Mauricio Pinilla deixou o clube). De qualquer modo, é o time a se olhar no momento.

Real Mamoré

Nome: Club Real Mamoré
Estádio: Gran Mamoré (Trinidad, 12.000 lugares)
Principal jogador: Luis Reyes
Ponto positivo: joga sem pressão, pois chegar na fase final já é mais que o esperado
Ponto negativo: não está na altitude e sofre quando tem de visitar equipes andinas, não tem grande torcida, tampouco tradição em decisões
Técnico: Luis Galarza

Depois de terminar o Apertura na última posição, a expectativa em torno do Real Mamoré era de ficar na luta contra o rebaixamento. Até foi assim, mas como o grupo do Clausura foi equilibrado, uma série de bons resultados depois da chegada do técnico Luis Galarza permitiu que o time acabasse se classificando. É completo azarão e não tem nenhum grande destaque individual que permita pensar realmente no título.

San José

Nome: Club Deportivo San José
Estádio: Jesús Bermúdez (Oruro, 28.000 lugares)
Principal jogador: Limbert Pizarro
Ponto positivo: tem torcida espalhada por todo o país, garantindo apoio mesmo quando é visitante
Ponto negativo: há um bom tempo não disputa títulos e, no Clausura 2007, quase ficou na primeira fase
Técnico: Marcos Ferrufino

Entre os clubes mais populares da Bolívia, o San José é uma incógnita, pois raramente consegue ser realmente competitivo. Neste hexagonal final não deve ser muito diferente. A equipe se classificou na última rodada com um suado empate contra o Blooming. Em toda a campanha, os orureños apresentaram um time muito mais voluntarioso do que técnico e as poucas boas figuras são Limberto Pizarro e Alejandro Gómez. Parece pouco.

The Strongest

Nome: Club The Strongest
Estádio: Hernando Siles (La Paz, 42.000 lugares)
Principal jogador: Pablo Escobar
Ponto positivo: torcida fanática, tradição e time em fase de ascensão
Ponto negativo: estado de saúde do técnico
Técnico: Óscar Sánchez

Pela força do time e pela fase que vive, o The Strongest surge como candidato forte ao título. Depois de uma campanha terrível no Apertura (terminou em sétimo), a diretoria atigrada reforçou bastante o elenco. Além disso, contou com o “encaixe” entre o técnico Óscar Sánchez e o time. Mas há motivos de preocupação: o clube deve salários ao elenco (prometem quitar nesta semana) e Sánchez pode deixar o Tigre por problemas de saúde.

Equador: Serra Norte x Serra Sul

Pela primeira vez em mais de 30 anos, a fase final do Campeonato Equatoriano não terá nenhum time de Guaiaquil. Com isso, o duelo ficou para equipes andinas: três da capital, ao norte, e três do interior, ao sul. Pelo menos, ninguém pode reclamar da altitude.

Deportivo Azogues

Nome: Deportivo Azogues
Estádio: Jorge Andrade Cantos (Azogues, 9.000 lugares)
Principal jogador: Franklin Corozo
Ponto positivo: joga sem a menor pressão ou responsabilidade
Ponto negativo: não tem tradição, o time é tecnicamente fraco e já começa o hexagonal em último
Técnico: Carlos Sevilla

Clube pequeno, que veio recentemente da Segundona, chegar ao hexagonal final foi uma enorme surpresa. O time aproveitou a má fase de todos os grandes no primeiro semestre para ficar perto da classificação. Na segunda etapa, manteve o desempenho mediano e contou com a sorte de a LDU Quito ficar entre os três primeiros nas duas fases. Com isso, passou por índice técnico. Tem jeitão de coadjuvante.

Deportivo Cuenca

Nome: Club Deportivo Cuenca
Estádio: Alejandro Serrano Aguilar (Cuenca, 22.000 lugares)
Principal jogador: Xavier Klimowicz
Ponto positivo: quando teve tranqüilidade para trabalhar, mostrou bom futebol
Ponto negativo: a crise financeira do clube é grave e pode ser refletida em campo
Técnico: Gabriel Perrone

O clube vive grave crise financeira e até sua sede pode ser usada para quitar as dívidas. Por isso, foi uma enorme surpresa quando um time completamente reformulado em relação ao que disputou a Libertadores 2006 fez grande campanha na primeira etapa do campeonato. A classificação veio, mas a crise se fez sentir no segundo semestre, quando o desempenho foi fraco (dividiu a lanterna com o Imbabura). Pela tendência descendente, não deve lutar pelo título.

Deportivo Quito

Nome: Sociedad Deportivo Quito
Estádio: Olímpico Atahualpa (Quito, 40.000 lugares)
Principal jogador: Juan Triviño
Ponto positivo: ganhou confiança depois de uma boa campanha na segunda etapa
Ponto negativo: só tem um ponto extra e a equipe não é regular
Técnico: Luis González

O time não é dos mais fortes e seu goleiro é Viteri, o mesmo que falhou nas derrotas da seleção equatoriana para Venezuela e Brasil nesta semana. Deve lutar para ficar em zona de classificação para alguma competição continental na próxima temporada.

El Nacional

Nome: Club Deportivo El Nacional
Estádio: Olímpico Atahualpa (Quito, 40.000 lugares)
Principal jogador: Walter Ayoví
Ponto positivo: o time é tecnicamente muito forte e experiente
Ponto negativo: torcida pouco participativa e muitos jogadores são da seleção equatoriana, podendo perder confiança com os resultados ruins de La Tri
Técnico: Ever Almeida

O elenco impressiona pela quantidade de jogadores experientes: Ibarra, Omar e Erik de Jesús, Mario Quiroz, Walter Ayoví e Ivan Kaviedes. Com essa base, El Nacional conta com uma equipe consistente e de forte poder ofensivo. No primeiro semestre, ainda sentiu demais a má campanha da Libertadores, mas recuperou a confiança e chega ao hexagonal final como candidato ao título.

LDU Quito

Nome: Liga Deportiva Universitaria de Quito
Estádio: Casa Blanca (Quito, 45.596 lugares)
Principal jogador: Agustín Delgado
Ponto positivo: time mais consistente do Equador na temporada, já começa o hexagonal como líder (5 pontos extras). Há vários jogadores experientes e talentosos
Ponto negativo: o favoritismo pode desconcentrar os jogadores e o goleiro Mora passa por má fase
Técnico: Edgardo Bauza

Pelo desempenho consistente todo o ano (foi o único a terminar entre os três primeiros nas duas etapas do campeonato) e o elenco que possui, é o favorito ao título. Mora não tem sido um goleiro tão seguro, mas a defesa ainda conta com Ambrosi, Jairo Campos e Arlin Ayoví. No meio-campo, o destaque e a dupla Urrutia-Edwin Tenório, que dão suporte para os atacantes Escalada e Guerrón. Nada mal.

Olmedo

Nome: Club Deportivo Olmedo
Estádio: Olímpico de Riobamba (Riobamba, 18.000 lugares)
Principal jogador: Óscar Bagüí
Ponto positivo: fez uma grande primeiro turno, mostrando que tem potencial para pensar alto
Ponto negativo: perdeu completamente a concentração e o embalo na segunda etapa
Técnico: Victor Marchessini

É preciso saber qual Olmedo disputará o hexagonal: o do primeiro ou o do segundo semestre. No início do ano, o time de Riobamba foi a grande atração do Equador, com um futebol consistente baseado na defesa segura. Na segunda etapa da competição, a equipe se acomodou com a classificação e perambulou discretamente sem muito objetivo. Os destaques são Bagüí e Luis Caicedo, ambos da seleção equatoriana.

CURTAS

ELIMINATÓRIAS
– Uma bela análise dos jogos das Eliminatórias Sul-Americanas pode ser vista na coluna Eliminatórias 2010. Clique aqui para ver.

AMISTOSOS
Resultados dos amistosos envolvendo seleções latino-americanas (só da Concacaf) na semana de jogos de seleções: El Salvador 2×2 Costa Rica, México 2×2 Nigéria, Honduras 1×0 Panamá, Costa Rica 1×1 Haiti, México Sub-23 2×3 Guatemala, El Salvador 0x0 Trinidad e Tobago.

BOLÍVIA
– O jogo contra a Colômbia foi o 100º da Bolívia em Eliminatórias da Copa. O retrospecto não é dos melhores: 29 vitórias, 20 empates e 51 derrotas.

CHILE
– Rodada quente no fim-de-semana: há o superclásico Colo-Colo x Universidad de Chile e o líder Audax Italiano visitando o Cobreloa na altitude de Calama.

COLÔMBIA
– O Finalización recomeça com um jogo bastante interessante: o Tolima, terceiro colocado, recebe o líder Atlético Nacional.

EQUADOR
– Além do hexagonal final da Primera A (primeira divisão), começa neste fim-de-semana o hexagonal final da Primera B (Segundona equatoriana). Estão na disputa Aucas, Espoli, LDU Portoviejo, Manta, Técnico Universitario e Universidad Católica.

– Com um amistoso de veteranos disputado em Quito, Alex Aguinaga encerrou oficialmente sua carreira. O ex-meia já abandonara o futebol há dois anos. Participaram do jogo jogadores como Ariel Graziani, Luis Hernández, César Sampaio, Carlos Valderrama, Faustino Asprilla, Iván Zamorano, Ivo Basay, Marco Etcheverry, José Luis Chilavert, José del Solar, Zaguinho, Manuel LaPuente e Hernán Darío Gómez.

MÉXICO
– Na mesma rodada, Santos Laguna e Atlante perderam e o Apertura não tem mais invictos. Os laguneros caíram diante do Tecos de la UAG (1×3) em Zapopán e o Atlante perdeu em Cancún para o Pachuca (1×2). Ainda assim, ambos ainda são primeiro e segundo na classificação geral.

PARAGUAI
– O Olimpia quebrou a invencibilidade do Libertad no ‘clásico alvinegro’ e embolou o Clausura. Os liberteños ainda lideram, com 30 pontos, mas sofrem perseguição de Cerro Porteño, com 29, e Olimpia, com 25.

PERU
– José del Solar, técnico da seleção peruana, voltou a defender que o país mande seus jogos mais importantes pelas Eliminatórias nos 3,6 mil m de altitude de Cuzco. No caso, as partidas contra Brasil e Argentina.

– Na Fifa, o Peru inscreveu quatro estádios para as Eliminatórias: Nacional, Monumental, Alejandro Villanueva e Inca Garcilaso de la Vega. Os três primeiros são em Lima e o quarto… em Cuzco.

URUGUAI
– A AFA (federação argentina) aprovou em reunião de seu comitê executivo a proposta da AUF (federação uruguaia) de os países platinos se candidatarem a sede da Copa do Mundo de 2030.

VENEZUELA
– Resultados das quartas-de-final da Copa Venezuela: Deportivo Anzoátegui x Monagas (1×2 e 3×2), Aragua x Caracas (1×1 e 1×0), Guaros de Lara x Unión Maracaibo (0x1 e 1×0, com 2×4 nos pênaltis) e Zamora x El Vigía (1×2 e 0x4).

– Estão classificados Deportivo Anzoátegui, Aragua, Unión Maracaibo e El Vigía. As semifinais serão em 31 de outubro e 18 de novembro. O campeão tem uma vaga na próxima Copa Sul-Americana.

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Equipe Trivela

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