México

Tempo de decisão

A partir dessa quarta-feira têm início as semifinais da Concacaf Champions League, com as partidas de ida dessa fase da competição. Dos quatro times envolvidos, três são mexicanos e um canadense (o Toronto, que disputa a Major League Soccer).

Matematicamente falando, os clubes aztecas possuem 75% de chances de manter o extenso domínio continental adquirido no decorrer das 46 edições do principal torneio interclubes da Concacaf. Analisando, porém, os desempenhos recentes e históricos as chances do título não terminar com um clube da Primera División é mínima.

Traduzindo em números a superioridade fica ainda mais evidente: São 27 títulos aztecas em 46 edições. Os últimos seis campeões vieram do país, sendo que, dessas decisões, quatro foram contra rivais domésticos.

Monterrey
Campanha Primeira Fase: 1º no Grupo D (6J, 4V, 2D, 11GP, 4GC)
Quartas-de-final: eliminou o Morelia-MEX (3×1 fora e 4×1 em casa)
Chances de título: 40%

Se existe um time no continente com experiência, elenco e “cancha” para chegar ao Mundial de Clubes é o Monterrey. Atual campeão da Concachampions, a despeito da fraca participação no último Mundial, a Pandilla mostrou excelente poder de reação.

Após um início fraco no turno inicial, recuperou-se vencendo seus três duelos do returno e superando com facilidade o Morelia nas quartas (3 a 1 no Morelos e 4 a 1 no Tecnológico). Isso sem deixar de lado o torneio nacional, onde ocupa a 4ª colocação e está praticamente garantido na Liguilla após a goleada do último fim de semana sobre o Estudiantes (4 a 0).

Em campo, Vucetich conhece como poucos seu elenco, após três anos (e quatro títulos) no comando dos Rayados. Do time-base campeão em 2010-11, o time perdeu apenas um titular. Com uma defesa segura e um ataque experiente, o time ainda conta novamente com a excelente fase do chileno Humberto Suazo e dos argentinos Neri Cardozo e César Delgado, sem falar no recém-descoberto poder de fogo de Darío Carreño. Mantendo a atual forma, é difícil imaginar uma equipe capaz de bater o Coloso del Norte.

Santos Laguna
Campanha Primeira Fase: 1º no Grupo B (6J, 4V, 1E, 1D, 16GP, 6GC)
Quartas-de-final: eliminou o Seattle Sounders-EUA (1×2 fora e 6×1 em casa)
Chances de título: 30%

O Santos é reconhecidamente um time forte. Tem elenco, conjunto e… falta algo. Não se sabe o quê, mas nota-se que o próprio grupo lagunero tem dificuldades em lidar com o favoritismo. Corre riscos desnecessários e quase complica partidas fáceis, ao mesmo tempo que supera rivais de respeito por placares elásticos. Os Albiverdes foram os primeiros a obter a vaga e garantir a liderança com a melhor campanha da primeira fase.

Com o melhor ataque da fase inicial, o setor ofensivo é ponto forte dos Guerreros, que contam com Peralta, Suárez e Quintero em fase inspirada, o time ainda conta com a boa fase do recém-contratado Gomez no Clausura como opção.

A liderança no torneio nacional, contudo, pode ser um problema, já que o Santos terá que dosar o elenco para dividir as atenções entre as duas competições. Uma vantagem pode ser o adversário (os canadenses parecem bem mais acessíveis do que Pumas ou Monterrey), contudo, vale lembrar que, diferente dos rivais domésticos, o clube nunca disputou uma final continental.

Pumas UNAM
Campanha Primeira Fase:
1º no Grupo C (6J, 3V, 2E, 1D, 8GP, 2GC)
Quartas-de-final: eliminou o Isidro Metapán-SLV (1×2 fora e 8×0 em casa)
Chances de título: 20%

Os felinos são uma verdadeira incógnita. É praticamente impossível saber o que esperar do time. Com a pior campanha de um líder na primeira fase, um ataque fraco e uma inesperada derrota para o Metapán na partida de ida das quartas, os auriazules pareciam fadados ao fracasso na temporada.

Um massacre por 8×0 no jogo de volta, entretanto, deu a vaga na semi e reanimou as esperanças da torcida de Pedregal. Com chances remotas de avançar para os playoffs nacionais, os universitários depositam todas suas fichas nas chances de conquistar novamente o título da Concachampions, 23 anos depois do último.

Mas para voltar à final após sete anos, a UNAM terá que passar primeiro pelo melhor time do continente. Nos últimos dois encontros frente ao Monterrey, uma vitória (em casa) e um empate (fora), dados que animam a torcida da capital. Com um elenco carente de grandes opções e após perder seu capitão (o paraguaio Darío Verón) por lesão, a responsabilidade recairá praticamente toda nos atacantes Bravo e Herrera. É pouco, mas é difícil duvidar da capacidade de superação dos felinos.

Notas

– Seleção da rodada do site Mediotempo: José Corona (Cruz Azul), Enrique Pérez (Morelia), Javier Gandolfi (Tijuana), Héctor Reynoso (Chivas) e Jorge Torres (Tigres); César Delgado (Monterrey), Jorge Hernández (Jaguares), Christian Valdéz (Morelia) e Osvaldo Martínez (Atlante); Omar Arellano (Chivas) e Luis Gabriel Rey (Jaguares). T: Victor Vucetich (Monterrey)

– Confira mais desse colunista e sobre o futebol mexicano pelo twitter: @renanbarabanov

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Equipe Trivela

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