México

Surpresas e reclamação

A fase de grupos da Liga dos Campeões da Concacaf (também chamada Concachampions) começou no mesmo tom da fase preliminar. As equipes da América Central, tidas como figurantes, surpreendem, deixando muitas dúvidas a respeito da qualidade técnica e do real domínio de México e Estados Unidos.

Na primeira rodada, o Saprissa venceu o DC United em Washington, o Marathon fez 2 a 0 no Cruz Azul em San Pedro Sula (Honduras), o San Francisco do Panamá arrancou um empate por 1 a 1 com as Pumas de la Unam, o Santos Laguna venceu o Municipal da Guatemala por 3 a 2 em Torreón e o Atlante fez apenas 1 a 0 no hondurenho Olímpia em casa. Ou seja, nenhum dos grandes teve vida fácil. Projetando as outras cinco rodadas com base nesses resultados, a LC da Concacaf dá sinais mais que positivos a respeito do equilíbrio de forças.

Mas nem tudo é tão positivo assim. Ao invés de louvar a evolução dos clubes centro-americanos e caribenhos, a Concacaf preferiu atirar contra os mexicanos. O motivo foi a insistência dos times aztecas disputarem os jogos da competição com jogadores reservas, prática comum na época da Copa dos Campeões da Concacaf (um torneio muito menos estruturado e interessante que a LC).

O principal alvo foi os Pumas. Chuck Blazer, secretário-geral da entidade, disse que o clube mexicano havia prometido que usaria força máxima na Concachampions. No entanto, isso não ocorreu. Ricardo Ferretti, técnico brasileiro da equipe universitária, disse que a prioridade era o Campeonato Mexicano e levou reservas para enfrentar o San Francisco no Panamá.

Blazer prometeu não punir a equipe azteca, mas deixou evidente seu descontentamento. O dirigente aproveitou o momento para rediscutir a presença dos clubes mexicanos nas competições da Conmebol. Ele disse que se reunirá com a entidade sul-americana na próxima semana para tratar do assunto.

Segundo o norte-americano, a Concacaf dará força para que os mexicanos não sejam prejudicados nos torneios da Conmebol (acusação comum no México), mas defenderá que seria possível dar mais espaço a equipes de América Central e Caribe nos torneios sul-americanos. No entanto, deu a entender que sua preocupação maior é fazer que os clubes da maior potência da região dêem mais importância à Liga dos Campeões.

Não se duvide que o apoio aos mexicanos na Conmebol seja uma contrapartida para maior valorização da LC.

Setembro negro colombiano

Única invicta das eliminatórias sul-americanas, melhor defesa do torneio e uma situação controlada na luta por uma das quatro vagas do continente n Copa de 2010. A Colômbia conseguiu perder tudo isso em quatro dias. Nas duas rodadas das eliminatórais em setembro, os cafeteros perderam em casa para o Uruguai e tomaram de 4 a 0 do Chile. Foi o suficiente para a crise explodir.

A FCF (federação colombiana) decidiu demitir Jorge Luis Pinto. Em princípio, poderia parecer uma decisão precipitada ou destemperada, tomada no calor dos acontecimentos. Mas os dias seguintes mostraram que havia um desgaste interno muito forte e a situação do treinador era muito difícil de sustentar.

Após a demissão, Pinto declarou que o grupo teria 20 jogadores excelentes, disciplinados e profissionais. No entanto, dois ou três não deveriam mais ser chamados, porque prejudicariam, molestariam, brigariam, destruiriam e criariam inconvenientes na concentração. Ele não disse quais jogadores seriam, mas não negou quando a imprensa citou o nome do volante Fabián Vargas, do Boca Juniors, e do zagueiro Amaranto Perea, do Atlético de Madrid.

Como reação, Vargas decidiu complicar ainda mais a situação do treinador. Ele disse que, diante das críticas que recebeu, iria quebrar o código de ética do futebol e falar coisas que costumam morrer nos vestiários. Segundo o meio-campista, Pinto exagerava nos treinos físicos e deixava vários jogadores, como ele próprio, Perea, Vélez, Falcao García e Amaya, com sobrecarga muscular.

Além disso, o técnico teria colocado Guarín para treinar diante da imprensa, quando seria sabido de toda a comissão técnica que ele não tinha condições de jogar a partida contra o Chile. Com isso, o volante do Independiente ficou queimado diante do público ao não entrar em campo em Santiago.

Vargas ainda afirmou que Iván Córdoba, Yepes e Calero teriam discutido com Pinto na Copa América e por isso não teriam sido mais convocados para a seleção colombiana. A história faz sentido, pois Eduardo Lara, técnico interino dos cafeteros, já declarou que pensa em voltar a convocar Yepes e Córdoba, além do atacante Juan Pablo Ángel.

Os colombianos precisam juntar logo os cacos. A seleção tem dois jogos difíceis em outubro pelas eliminatórias (Paraguai em casa e Brasil fora) e dois tropeços deixaria a equipe distante dos concorrentes. Até porque Uruguai e Chile vivem bom momento e o Equador está em ascensão.

México: Rebanho desordenado

Uma derrota por 5 a 2 para o Pachuca e as Chivas de Guadalajara chegaram a uma situação raríssima: dividem a lanterna do Apertura com Puebla, Indios e Necaxa com 7 pontos em oito jogos. Pelo saldo de gols, o Rebaño Sagrado ainda está à frente o time de Ciudad Juárez, mas fica evidente o péssimo momento por que passam os tapatíos, até porque o Pachuca era o último colocado até a vitória do último domingo.

Não há um motivo muito claro para a queda de rendimento dos rojiblancos. As Chivas mantiveram um elenco forte, com base sólida o suficiente para assimilar a perda de um jogador como Omar Bravo. Pelo menos em teoria, porque o trabalho de Efraín Flores dá sinais de desgaste, a ponto de o técnico não conseguir mais criar um fato novo com esse grupo.

Depois de um empate mais que aceitável contra o Cruz Azul fora de casa na primeira rodada, o chiverío entrou em uma espiral negativa. Caíram para os Tecos em um dérbi de Guadalajara e perderam confiança. O ataque, que conta com os bons Arellano e Sergio Santana, ficou sem confiança e sua produção caiu. Sem Omar Bravo, não havia um jogador em quem o resto do grupo pudesse jogar a responsabilidade.

A defesa, para piorar, perdeu o goleiro Michel, contundido. Sergio Rodríguez tem mostrado muita insegurança, inexperiência e um nervosismo crônico. A cada partida em que sua atuação desperta desconfiança, Rodríguez fica ainda mais tenso com a pressão. Em duas partidas, as Chivas chegaram a sofrer cinco gols. No único jogo em que seu gol não foi violado, o Rebaño conseguiu sua solitária vitória (1 a 0 no Toluca).

A situação ficou tão crítica que as Chivas não conseguiram se impor nem diante do frágil Aragua, pela Copa Sul-Americana. Depois de vencer por 2 a 1 na Venezuela, o time mexicano ficou no 1 a 1 no estádio Jalisco, e ainda teve de se segurar nos minutos finais para evitar a disputa de pênaltis.

O cenário negativo já colocou em risco o cargo de Flores. Tanto que especulou-se que o holandês Ronald Koeman seria contratado para seu lugar. O treinador mexicano teve de dar diversas declarações confirmando que não pedirá demissão. Mas talvez a mudança não fosse de todo mal.

Depois de um ano no cargo, o técnico parece sentir falta de recursos para tirar algo mais desse elenco. Além disso, seus resultados não chegam a ser espetaculares, considerando o time que tem à disposição. Koeman, pelo trabalho realizado em Valencia na temporada passada, não seria o nome mais recomendado. No entanto, isso não significa que as Chivas não pudessem pensar em mudanças. Antes que a crise se aprofunde e fique mais difícil recuperar terreno e conseguir a classificação ao mata-mata.

SELEÇÃO DA RODADA

Veja a seleção da 8ª rodada do Apertura mexicano do site Medio Tiempo: Sergio Bernal (Pumas de la Unam); Marvin de la Cruz (Necaxa), Darío Verón (Pumas de la Unam), Ismael Rodríguez (América) e Efrain Velarde (Pumas de la Unam); Darío Botinelli (Atlas), Israel Castro (Pumas de la Unam) e Christian Giménez (Pachuca); Enrique Esqueda (América), Itamar (Jaguares de Chiapas) e Bruno Marioni (Pachuca). Técnico: Ricardo Ferretti (Pumas de la Unam).

Lista de convocados

Sven-Göran Eriksson convocou apenas jogadores que atuam no México para o amistoso de El Tri contra o Chile em 24 de setembro. Veja a lista: goleiros: Guillermo Ochoa (América) e José de Jesús Corona (Tecos de la UAG); defensores: Diego Martinez (Tigres de la UANL), José Antonio Castro (América), Edgar Dueñas (Toluca), Juan Carlos Valenzuela (Tecos de la UAG), Leobardo López (Pachuca), Fernando López (Necaxa), Fausto Pinto (Pachuca) e Jorge Torres (Atlas); meio-campistas: Sinha (Toluca), Mario Méndez (Toluca), Jaime Correa (Pachuca), William Paredes (Monterrey) e Luis Pérez (Monterrey); atacantes: Arnhold Rivas (Tecos de la UAG), Enrique Esqueda (América), Francisco Fonseca (Tigres de la UANL), Carlos Esquivel (Toluca) e Carlos Ochoa (Monterrey).

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Equipe Trivela

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