México

Surpresas e decepções

Foram apenas cinco rodadas. Parece pouco. E é. Mas em um campeonato de tiro curto como o Mexicano, onde os clubes jogam apenas 17 partidas antes do mata-mata, os cinco primeiros jogos fornecem uma perspectiva do que esperar no restante da competição: que time promete, qual decepciona e quem ainda não mostrou todo seu potencial. Pode mudar? Claro. Além da análise, sempre há uma pitada de opinião e até torcida, sempre lembrando que o torneio azteca é muito equilibrado e um erro pode levar da glória ao vexame. Mas analisando esse início de campeonato já temos um primeiro panorama com bola rolando:

Surpresas

De vez em quando algum time arranca pontos dos grandes e surpreende no campeonato mexicano. A dificuldade da manutenção da boa fase se dá com o decorrer da competição, onde os rivais ganham entrosamento e crescem de produção. Toluca e León, contudo, lideram e não parecem preocupados com o restante do torneio. Ambos seguindo a mesma receita: bom entrosamento, poucas estrelas e somando o máximo possível de pontos. A ideia é ver, no final, onde isso vai dar.

Os Diablos, pelo tamanho e tradição, até deveriam sofrer forte pressão por resultados, mas a perda das principais peças e a desmontagem do elenco não indicavam uma temporada tranquila. Cinco vitórias em cinco partidas mudaram totalmente as perspectivas dos escarlatas. Confiantes, os comandados de Enrique Meza não sabem até onde vai a boa fase, mas uma semi ou até quem sabe uma final já é algo palpável na mente de quem, no início do torneio, voltava a sofrer alguma preocupação com o descenso. Mais do que somente bons jogadores, o conjunto e a “camisa” vem pesando nos momentos decisivos.

Na mesma toada, os Panzas Verdes não esperavam muito além da briga contra o descenso na temporada de retorno, reflexo de dez anos no abismo da segunda divisão. Mas com um conjunto envolvente e sem estrelas, o León lidera a tabela de rebaixamento e já começa a vislumbrar algo como uma possível Liguilla logo em seu primeiro torneio na elite.

Decepção

Muitas contratações, nomes de peso, um novo técnico e um reformulado projeto. E mesmo assim o Pachuca ainda está longe de retomar o protagonismo da última década. Falta entrosamento. E isso ficou evidente nas derrotas para Atlas e Toluca. Até por que um time que conta com Paulo da Silva, Nery Castillo, Raúl Tamudo e Mauro Cejas não pode indicar carência de elenco. Mas Hugo Sánchez precisa correr se quiser fazer esse grupo dar liga e disputar uma vaga nos playoffs ou algo mais em seu primeiro ano.

Agora vai?

É sempre bom desconfiar de boas arrancadas de América e Cruz Azul. Invictos, os dois grandes vêm se destacando em setores diferentes, enquanto os azulcremas têm o melhor ataque os cementeros contam com a melhor defesa, mas ambos fazem campanhas condizentes com suas tradições. E com a qualidade dos elencos que possuem, diga-se de passagem. O problema é que largar bem, fazer boa campanha na primeira fase e decepcionar nos momentos decisivos é um roteiro que os torcedores de ambos estão se acostumando a ver. Esse ano vai?

Abaixo das expectativas

Monterrey, Santos e Tigres ainda precisam confirmar as expectativas depositadas sobre os três. Os atuais campeões continentais somaram apenas uma vitória e ainda precisam encontrar uma forma de melhorar sua ligação meio-ataque, ambos setores poderosos, mas que não se encontraram nas últimas partidas. Os laguneros tiveram um bom começo, mas sofreram dois reveses inesperados nas duas últimas rodadas e precisam acordar. O mesmo pode ser dito dos felinos da UANL. Dois empates e uma derrota acenderam a luz verde no Volcán. Os três times têm potencial, elenco e comando para avançar. Mas precisam encontrar rapidamente a melhorar maneira de vencer suas partidas.

Fim do jejum

Foi a primeira derrota mexicana para os rivais do norte jogando em casa em 75 anos de história do confronto. Foi também o fim de um retrospecto de 23 vitórias e apenas um empate (incrível aproveitamento de 97,22%) jogando no estádio Azteca, considerado a casa da Tricolor. Mas a derrota para os Estados Unidos, na última semana, pelo placar mínimo, precisa (e deve) ser vista com ressalvas.

Primeiro, vale destacar que a seleção mexicana criou muito mais oportunidades e contou com muito mais volume de jogo, dando poucas brechas aos norte-americanos. Além disso, o técnico José Maunel de la Torre aproveitou a ausência de alguns nomes que estiveram em Londres para promover testes com jogadores ainda pouco utilizados.

Entre os nomes que atuaram, Manuel Viniegra teve sua primeira chance no setor de contenção, mas falhou demais, o que provavelmente tira futuras oportunidades para o volante do Tigres. Ainda mais com as boas atuações de Salcido no setor. Substituto de Viniegra, Gerardo Lugo foi mais seguro e, se obter mais tempo em campo pelo Santos, pode cavar sua vaga no grupo. Pablo Barrera e “Chicharito” estiveram apagados no setor ofensivo, o que muda quase nada, já que ambos têm vaga assegurada no grupo e (muito provavelmente) no time titular. Grande destaque dos Verdes, Elías Hernández foi o saldo positivo do amistoso. Substituindo Barrera, criou as melhores oportunidades e foi incisivo, devendo retornar nas próximas convocações.

Como futebol também é esporte de resultado, não dá para se desconsiderar que faltou contundência aos aztecas para converter em gols as inúmeras oportunidades. E também a falha que permitiu o gol adversário faltando 10 minutos para o fim da partida. Mas o resultado não preocupa quanto às expectativas para a disputa das eliminatórias para o Mundial de 2014. Com o retorno de Giovani dos Santos, Marco Fabián, Oribe Peralta e Carlos Salcido, que estiveram nos Jogos Olímpicos, as chances de o time mexicano ser surpreendido é ínfima. E a derrota talvez até tenha servido para alertar os aztecas. Com o time completo em campo e valendo vaga na Copa poderemos perceber, de fato, o que esperar do México nas grandes competições.

Curtas

– Seleção da 5ª rodada do site Mediotempo: Odín Patiño (Pumas UNAM), Luis Fuentes (Pumas UNAM), Diego Novaretti (Toluca), Diego Reyes (América) e Carlos Adrián Morales (Morelia); Marco Fabián (Chivas), Fernando Arce (Tijuana) e Rubens Sambueza (América); Miguel Sabah (Morelia), Emanuel Villa (Pumas UNAM) e Alfredo Moreno (Tijuana). T: Miguel Herrera (América);

– Após mais uma derrota (3×0 para o Morelia) e em reflexo do péssimo início de Apertura, com apenas um ponto, o Puebla anunciou a demissão do técnico uruguaio Daniel Bartolotta. Para tentar livrar a Franja da séria ameaça de rebaixamento chegou Daniel Gúzman, ex-Chivas, Santos e Tigres;

– Confira tudo sobre a seleção mexicana e o futebol mexicano pelo twitter: @renanbarabanov

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