México

Sonho europeu

No início da semana, foi confirmada a ida do goleiro Guillermo Ochoa para o Ajaccio, da França, por meio de nota publicada no site oficial do clube francês. O acordo encerra o ciclo do goleiro no conjunto de Coapa, após sete anos como arqueiro titular das Águias. Mais do que isso, porém, suscita inúmeras dúvidas pelo tamanho da equipe da Córsega. E por um possível acordo que Ochoa poderia ter fechado com o PSG.

Já é nítido há anos o desejo de Memo de transferir-se para o futebol europeu. Não apenas em suas próprias declarações, mas também no fracasso de suas negociações anteriores, quando chegou a treinar em clubes ingleses e a decepção pela não concretização do acordo refletindo-se nos fracos desempenhos do goleiro em seu clube e na seleção nos períodos sequentes.

O que surpreende é a exagerada ansiedade de Ochoa, que de tanto forçar a transferência, acabou acertando com um clube pequeno, sem tradição e de uma liga não tão competitiva, aquém de seu potencial, diferente de boa parte de seus conterrâneos.

Após surgir como um nome indiscutível para a El Tri em 2005, Ochoa manteve seu lugar no grupo com poucos questionamentos e muitos pedidos por sua titularidade. Com um bom desempenho na Copa América de 2007, pipocaram os primeiros boatos de sua transferência, que continuam desde então, em um volume que aumenta proporcionalmente ao interesse de Memo em atuar na Europa.

A questão principal é que os primeiros clubes envolvidos nos boatos eram, principalmente, os grandes do Velho Continente, ou, pelo menos, clubes das quatro grandes ligas. É aí que mora o risco em fechar com um modesto clube da liga francesa. Para quem já foi especulado em Manchester (como substituto de Van Der Sar), Arsenal, Fulham, além de clubes espanhóis e italianos e no PSG, parece, num primeiro momento, arriscado fechar pelo ACA.

E os riscos são variados. A questão da competitividade, muito maior no campeonato azteca, uma possível (e provável) queda de um clube recém-promovido a Ligue 1, além, é claro, das dificuldades para acompanhar as atuações do arqueiro por parte da comissão técnica da El Tri.

Em tamanho, o Ajaccio fica bem atrás do América, clube popular, financeiramente superior e com pouco risco de rebaixamento ou grandes oscilações (a despeito das recentes decepções na Primera División), o que só justifica a ida de Ocho como desejo pessoal de atuar (e morar) na Europa, provavelmente em busca de melhor qualidade de vida.

A questão da negociação com o PSG é ainda algo mal explicado. Fala-se que o valor do salário oferecido pelo time da capital francesa seria duas vezes superior ao do time da Córsega. Mas, ainda de acordo com jornais franceses, o Paris Saint-Germain, agora de posse de um grupo de investimento do Catar, teria desistido da proposta por conta do caso de doping na seleção mexicana envolvendo Memo e outros quatro atletas.

O próprio Ajaccio, aliás, ajudou a complicar a situação, anunciando Ochoa em seu site para, horas depois, retirar a notícia e colocar outra afirmando que o negócio somente seria concretizado após a confirmação da absolvição de culpa no caso investigado pela Femexfut.

O lado positivo da confirmação do negócio é o fim da novela mexicana, com o perdão do trocadilho. Ótimo principalmente para o goleiro, que sofreu com atuações pobres após as falhas nas recentes negociações para o futebol inglês, aonde chegou a treinar por uma semana no Fulham, mas não obteve o visto de trabalho.

A nitidez na queda no desempenho pôde ser vista até na Copa do Mundo da África do Sul, quando Ochoa amargou a reserva do veterano goleiro Óscar Pérez no time de Javier Aguirre.

Por outro lado, a troca de um tradicional clube mexicano por um clube sem grandes pretensões na liga francesa não parece significar um decréscimo do futebol azteca. Na verdade, questões de segurança e qualidade de vida influenciam mais na decisão de jogadores que optam por esse caminho. E esse ainda é um grande desafio a ser enfrentado por ligas fortes situadas em países subdesenvolvidos.

De qualquer maneira, Memo está bem próximo de tornar-se o primeiro goleiro mexicano a atuar no futebol europeu. Resta saber se o fato será o ponto de partida para um caminho brilhante ou o começo da queda de uma carreira com um grande potencial.

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Equipe Trivela

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