México

Será dessa vez o fim do jejum?

Um time carente de conquistas. Com numerosa e explosiva torcida, bons jogadores, boas campanhas, mas esbarrando constantemente em fatores menores na hora de alcançar o título. Um time que foi ultrapassado pelo maior rival (nacional e internacionalmente) e precisa de forma urgente garantir o retorno às glórias.

Esse é o panorama atual do Tigres. O clube de Monterrey não levanta o caneco nacional há 30 anos. Um período no qual os felinos viram seu maior rival ultrapassá-lo em títulos e renome e agora precisam confirmar seu favoritismo para superar os adversários e retornar ao topo.

Fundado em 1960, o time de San Nicolás de los Garza chegou à elite do futebol azteca em 1974, quase vinte anos depois do maior rival, o Monterrey. Com uma ascensão fulminante o time logo se consolidou na briga com os grandes e, sob o comando do uruguaio Carlos Miloc, tornou-se o primeiro clube de Monterrey a conquistar o título mexicano. O time repetiria a dose em 1982 e ficaria também o vice em 1980.

Com a saída do uruguaio e o fim da década de 1980, contudo, o Tigres amargou um período medíocre, chegando apenas duas vezes à Liguilla e afundando de vez, em 1996, com a queda para a segunda divisão, destino selado com uma irônica derrota para o arquirrival na derradeira rodada.

Mesmo vencendo os dois torneios curtos e retornando rapidamente à elite do futebol azteca, pouca coisa foi alterada em Nuevo León nos anos 2000. Montando bons times e chegando com frequência aos playoffs, o Tigres falhou sempre em momentos decisivos, como no Invierno 2011 e no Apertura 2003.

Para piorar, nesse período de entressafra, os Auriazules viram seus eternos rivais vencerem quatro campeonatos nacionais (antes não tinham nenhum), ficarem com o vice em outras três oportunidades e alcançarem sua maior conquista: a Concachampions de 2010-11, garantido a vaga na mundial de Clubes no fim do ano e monopolizando os noticiários regiomontanos na última década (ou pelo menos as boas notícias).

A tentativa de retorno ao topo passou por uma forte reestruturação do clube. O retorno do brasileiro Ferretti ao comando dos felinos foi apenas o passo mais visível de uma mudança na mentalidade gerencial do clube presidido por Alejandro Rodríguez. Em busca de recuperar o tempo perdido, o clube passou a mesclar nomes consagrados trazidos a peso de ouro com promessas da base, dando tempo aos atletas para se estabelecerem, adaptarem um sistema de jogo e criar uma forma de jogar que supere seus adversários tradicionais na hora “H”.

No Clásico Universitario do último fim de semana, os regiomontanos não tiveram dó e sobrepuseram com uma facilidade incomum os rivais da capital. Com um eficiente jogo coletivo, a UANL abriu uma vantagem de quatro gols ainda na primeira etapa, fazendo explodir o Volcán. A tarefa foi ainda facilitada pela expulsão de Fuentes na segunda etapa e mesmo o gol de honra do Pumas foi insuficiente para diminuir a festa.

Contra o time pelo qual brilhou como atleta e comandou por mais de 10 anos, Tuca armou seu time em um 4-4-2 básico, e contou com excelente exibição de seu trio sul-americano Lobos-Mancilla-Danilinho, além da segurança do setor defensivo após o retorno de Juninho, para superar o time comandado por seu pupilo Guillermo Vázquez e assumir a ponta pela primeira vez no Apertura 2011, superando o Cruz Azul no saldo de gols.

O tempo de adaptação varia, enquanto o jovem Édgar Pacheco ainda não se consolidou e demonstra um futebol distante dos bons tempo de Atlas, o experiente Salcido caiu como uma luva para o setor esquerdo dos Auriazules, tornando-se ao lado de Álvarez e Danilinho a fonte de passes precisos para os atacantes Lobos e Mancilla.

Ainda é cedo para dizer se isso basta para o time conquistar o título, mas em um campeonato onde os favoritos alternam-se com facilidade, os grandes decepcionam o os pequenos surpreendem, manter um elenco coeso e que se conhece há tempo, com um treinador de renome e com tempo para aplicar suas ideias, sem contar a torcida fervorosa, pode ser a chave para sair da fila. Uma necessidade dos universitários no caminho ao topo.

Curtas

México
– Outros resultados: Estudiantes 2×3 Monterrey, Cruz Azul 2×0 Puebla, Querétaro 1×3 Santos, Pachuca 1×0 Jaguares, Atlas 2×2 Tijuana, Atlante 1×1 San Luis, Toluca 0x0 Guadalajara e América 1×1 Morelia;
– Após uma série de cinco partidas sem vitórias (com três derrotas), o Guadalajara demitiu o técnico José Luis Real, trazendo para substituí-lo o ex-zagueiro Fernando Quirarte;
– Com excelente campanha, o La Piedad ampliou a vantagem na liderança do Apertura da Liga de Ascenso, com 22 pontos, ao vencer fora de casa o agora terceiro colocado Necaxa (17) por 1×0. Em segundo, também com 17, aparece o León, que superou o Veracruz em casa por 3×0;

Costa Rica
– Em casa, a Alajuelense foi derrotada pelo placar mínimo pelo Puntarenas e deixou escapar a liderança do Campeonato de Invierno 2011, estacionando nos 26 pontos, um atrás do Herediano, que assumiu a ponta também com uma vitória por 1×0 sobre o Orión, em casa;
El Salvador
– Em partida única, agora igualando todas as equipes com 10 partidas, o Isidro Metapán passou pelo Vista Hermosa fora de casa por 1×0 e disparou no topo do Apertura, alcançando 23 pontos, cinco a mais que o vice-líder FAS;

Guatemala
– Rodada ruim para os líderes. O Suchitepéquez perdeu para o Heredia fora de casa, por 2×1, e caiu para o segundo lugar do Apertura da Liga Nacional, empatado em 25 pontos com o Marquense, que empatou em dois gols com o Xelajú, em casa, mas em desvantagem no saldo de gols. Em terceiro, com 23 pontos aparece o Comunicaciones, que também não passou de um empate por 1×1, em casa, com o Mictlán;

Honduras
– No Clásico Capitalino, o Olimpia ficou no empate por um gol com o vice-lanterna Motagua e chegou aos 17 pontos, perdendo a chance de encostar no líder Marathón, que soma 23 pontos, mas tem um jogo a mais. Com 18, o Real España mantém o segundo lugar;

Panamá
– O Tauro aproveitou a bobeada dos antigos líderes e assumiu a ponta da Copa Digicel Apertura da Liga Panamenha de Futebol ao golear o Colón C-3 por 4×0, fora de casa, somando 25 pontos em 12 partidas. Com 24 (e uma partida a mais) aparece o Chorrillo, que venceu o Sporting San Miguelito por 2×1 na casa do adversário.

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Equipe Trivela

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