Semifinal violenta

Pumas e Morelia. Pela primeira vez na história do Campeonato Mexicano, universitários e canários decidirão o título da Primera División.
Para alcançar a final, os felinos deixaram para trás o Guadalajara, em duelo que provou o melhor momento da Universidad Nacional frente ao Rebaño Sagrado. O embate teve todos os ingredientes para ser o foco dos comentários durante a semana, mas episódios lamentáveis no fim da outra semifinal deixaram em segundo plano o futebol.
No duelo entre Cruz Azul e Morelia, o equilíbrio foi a marca das partidas. No estádio Azul, a máquina cementera não deu chances aos purépechas e abriu uma excelente vantagem com gols dos argentinos Christian Giménez e Emanuel Villa, ambos na primeira etapa.
O tento de Giménez contou com uma ajuda providencial do goleiro Vilar, mas os Azuis perderam boas chances de aumentar ainda mais a vantagem no primeiro jogo, deixando o encontro para ser decidido na segunda parte da batalha.
O problema é que, como mostrou no decorrer do Clausura, os canários tornaram-se especialistas em recuperar-se e buscar os resultados. Na partida de volta, em apenas 11 minutos de jogo, Rafael Márquez Lugo marcou duas vezes e devolveu a vantagem ao Monarcas.
No fim do jogo, Jaime Lozano ainda ampliou a vantagem da equipe da força, para, em seguida, uma série de confusões tomarem conta do encontro. Após a invasão de campo por parte de um torcedor que tentou tirar sarro do experiente meia Torrado, os atacantes Giménez e Isaac Romo perderam a cabeça e atacaram o aficionado.
A partir daí uma discussão generalizada se formou entre as duas equipes. Exaltado, o goleiro Jesús Corona agrediu o preparador físico do clube de Morelos com uma violenta cabeçada gravada pelas câmeras. No fim, o time da capital terminou o confronto com apenas oito jogadores.
O saldo para a máquina cementera foi a suspensão por seis partidas de Corona e Giménez, além de outras três para Romo e o técnico Enrique Meza. Para os purépechas o resultado foi ainda pior, visto que as suspensões de três partidas deixarão de fora das finais o atacante Miguel Sabbah e o treinador Tomás Boy (este punido com cinco).
Para o goleiro mexicano, reincidente em confusões desse tipo, a briga campal teve como prejuízo seu corte do grupo da El Tri que irá disputar a Copa Ouro. Para o seu lugar foi chamado o arqueiro rayado Jonathan Orozco.
É perceptível o erro da Federação e da organização da competição que não conseguiu garantir a segurança dos atletas ao não impedir a invasão do campo pelo torcedor. E também são dignas de nota as lamentáveis exibições de violência de ambos os lados, incluindo o momento explosivo do atacante argentino.
Mas acima de tudo, ficou a imagem da ação covarde do guarda-meta azteca. Quando parecia que Chuy Corona iria acalmar o ambiente ao afastar o preparador físico adversário envolvido no conflito, as imagens captaram uma cena impressionante e de total falta de caráter, com Corona golpeando Sergio Martí.
A repetição de atos de violência, além do vandalismo percebido em praticamente todos os jogos da Liguilla (situação agravada pela realização de partidas tensas, com muitos clássicos e times populares) exige que a Femexfut tome medidas drásticas e urgentes, assim como as autoridades mexicanas. A “simbólica” multa de 30 pesos aplicada ao torcedor que invadiu o gramado apenas demonstra que a organização ainda não percebe as dimensões que fatos assim podem tomar no futuro.
Contando apenas o futebol, o time de Morelos mostrou a superioridade com suas peças defensivas. A despeito do placar da volta, a solidez do setor foi a principal vantagem do clube no duelo, que impediu um placar maior da máquina azul no primeiro duelo e suportou a pressão no início da segunda etapa do jogo de domingo. Quanto aos azuis, o time mostrou que ainda precisará usar mais a cabeça e organizar o jogo para retomar o caminho dos títulos.
Pumas supera Guadalajara e garante vaga na final
Na partida de ida, no Omnilife, o UNAM pressionou a maior parte do tempo e criou as melhores chances, mesmo jogando na casa do adversário, e abriu o placar com Velarde, no início da segunda etapa. Os Auriazules só não contavam com a falha do goleiro Palacios no fim do jogo, que deixou passar um chute despretensioso de Arellano aos 43 da segunda etapa.
Mesmo assim, no jogo de volta, o Pumas voltou a mostrar o melhor futebol e seu forte jogo coletivo resultou na vitória no clássico. Vázquez armou seu time de modo a suportar a pressão inicial do Campeonísimo, e contou ainda com uma excelente atuação de Pikolín, que se recuperou da falha no jogo anterior com defesas vitais.
De falta, Cortés abriu o placar aos 42 minutos de jogo, em cobrança sem chances para Michel. O segundo foi uma prova da eficiência do contra-ataque dos de Pedregal, em uma excelente jogada de Darío Verón e Dante López, que resultou no gol do último aos 20 da segunda etapa.
A partida também serviu para comprovar o amadurecimento do elenco universitário, muito mais próximo do terceiro gol do que o time de Guadalajara. Algo que pode colocar em xeque a demasiada juventude do elenco das Chivas.
Pumas x Morelia
A final colocará frente a frente segundo e terceiro colocados na primeira fase. O Pumas terminou a primeira fase na segunda colocação na tabela geral, mesmo liderando boa parte do torneio. No grupo 3 não teve adversários. Em 17 partidas, foram dez vitórias, cinco empates e duas derrotas. Com 27 gols marcados (4º melhor ataque) e 13 sofridos (2ª melhor defesa). Nas quartas-de-final eliminou o atual campeão Monterrey com uma vitória por 2×0 no Olímpico, após derrota por 3×1 na partida de ida, fora de casa.
Quinto mais campeão nacional, a UNAM tenta sua sétima conquista. A última veio no Clausura de 2009, quando o time comandado pelo brasileiro Ferretti derrotou o Pachuca na final.
Já o Monarcas terminou a primeira fase na terceira posição na tabela geral, somando nova triunfos, quatro empates e quatro derrotas. Além de 31 gols marcados (melhor ataque) e 24 sofridos (apenas a 11ª melhor defesa). No grupo 3 foi o segundo colocado, extamente atrás do Pumas. E nas quartas, eliminou o América com duas vitórias (2×1 fora e 3×2 em casa).
Os purépechas tentam conquistar seu segundo título nacional. Seu primeiro e único título mexicano foi o Torneo Invierno de 2000, quando superou o Toluca na decisão.
As duas equipes já se enfrentaram duas vezes em playoffs desde a introdução do formato de torneios curtos, ambas em 2002. No Verano, os universitários eliminaram a Monarquía nas quartas (3×1 e 1×0), enquanto na semi do Apertura, melhor para os canários, que venceram por 4×0 e 1×2 e foram à final.
A decisão começa nessa semana, com jogos na quinta-feira e domingo. Os felinos fazem a partida decisiva em casa, pela melhor campanha na primeira fase, e ainda contam com a vantagem de dois resultados iguais.



