México

Semana de vexames na Libertadores

River Plate e San Lorenzo é um dos clássicos argentinos. Ainda que um não seja o maior rival do outro (os riverplatenses não se dão com o Boca e os cuervos têm problemas históricos com o Huracán), ambos estão entre os cinco grandes da Argentina e o confronto entre eles tem rivalidade. Assim, um empate em 2 a 2 seria considerado normal. Seria, não fossem as circunstâncias que transformaram o jogo em um dos momentos mais patéticos da história do River Plate.

Na Argentina, millonarios e cuervos são vistos como os dois grandes que têm pior retrospecto internacional. A dificuldade de ambos se imporem na Libertadores é algo tradicional. Nem os dois títulos do River servem de atenuante, pois foram conquistados em cima do América de Cali, único time que chegou a quatro finais do torneio e perdeu todas. Desse modo, o confronto das oitavas-de-final era uma espécie teste para River e San Lorenzo. Quem perdesse poderia ser taxado de “amarelão”.

Isso, de fato, ocorreu. Jogando em casa e com a necessidade de vencer (a partida de ida foi 2 a 1 para o San Lorenzo), o River tomou a iniciativa e, no começo do segundo tempo, já vencia por 2 a 0. Para melhorar o cenário, o time de Boedo estava com nove jogadores em campo. Rivero, por violência, e Botinelli, por agressão, haviam sido expulsos.

Estava tudo armado para mais um fracasso do San Lorenzo. Mas não. Dois gols relâmpago de Bergessio igualaram o marcador. De repente, o Ciclón tinha uma atuação heróica, enquanto que os millonarios caíam pateticamente. O primeiro gol é indesculpável. Silvera, Placente e Bergessio trocaram passes dentro da área riverplatense, cheia de defensores mal posicionados. O segundo gol pode até ser visto como casual: cobrança de escanteio e cabeçada do atacante azulgrana.

A partir daí, o peso dos insucessos passados caiu nas costas dos jogadores do River. O nervosismo ficou patente, sobretudo no quase frango de Carrizo, que não dominou um recuo e viu a bola bater no pé da trave. Mesmo com 20 minutos para fazer dois gols, os millonarios não tinham cabeça para reconstruir a vantagem.

Flamengo chora

Situação melancolicamente parecida foi vivida pelo Flamengo. O Rubro-Negro se extasiou tanto com o titulo estadual (conquistado no último domingo) que simplesmente se esqueceu que o jogo contra o América-MEX era oficial, e não um amistoso de despedida para Joel Santana. Foram dois dias preocupados em apresentar o novo técnico e em montar uma homenagem ao anterior.

Despreparado, desconcentrado e crente que o oponente era impotente, o Fla teve uma atuação ridícula. No começo, até tentou atacar. Mas não era incisivo o suficiente, como se o gol fosse sair sem muito esforço. Acabou saindo, mas do outro lado. Os cariocas continuaram pressionando, como se fossem empatar a qualquer momento e como se não estivessem ainda com a vantagem na eliminatória. O gol saiu, novamente do outro lado, após um contra-ataque em que a defesa rubro-negra estava indesculpavelmente escancarada.

Bateu o desespero. A classificação ainda era flamenguista, mas a festa já estava seriamente ameaçada e qualquer descuido a transformaria em tragédia. A tensão tomou conta do Rubro-Negro, que não teve concentração suficiente para manter o resultado ou fazer o gol que daria definitivamente a tranqüildade. Aí, outro chute casual de Cabañas desviou na defesa brasileira e entrou no gol de Bruno. América classificado. Incrível.

Dizer que foi o resultado mais ridículo da história do Flamengo é um enorme exagero, ainda que boa parte da imprensa tenha feito isso no dia seguinte. Como qualquer clube do mundo, o Rubro-Negro já teve derrotas estrondosas em seu passado. Ainda assim, pelo modo como se deu e pela sensação de anticlímax, a eliminação da última quarta será lembrada por muito tempo. E, no curto prazo, pode ter um efeito devastador no ânimo e na confiança do time da Gávea.

Tricolor x Tricolor

Dos cinco brasileiros que estavam na Libertadores, só restaram três, sendo que deois se enfrentarão. Desse modo, é inevitável que São Paulo x Fluminense atraia quase todas as atenções de torcedores e imprensa. O duelo é particularmente interessante por reunir clubes das duas maiores cidades (e mercados) do país e, principalmente, pela imprevisibilidade do resultado.

Pelo que se viu na Libertadores até agora, o Fluminense seria favorito. O time tem desempenho mais consistente, conta com jogadores que sabem decidir e estão animados com a série de bons resultados na competição. Nos confrontos diretos em 2006, os cariocas foram melhores (uma vitória no Morumbi e um empate no Maracanã).

No entanto, o São Paulo tem a seu favor a história recente. Ainda que duelos domésticos tirem um pouco desse fator, os paulistas têm mais experiência internacional e estão mais acostumados a decisões, considerando que a base é a mesma de 2006 e 2007. Além disso, as oscilações diminuíram nas últimas semanas e o desempenho melhorou nos jogos decisivos de Paulista e Libertadores. Por fim, o São Paulo tem dois jogadores muito acima da média, ainda que não vivam os melhores momentos de suas carreiras: Rogério Ceni e Adriano.

A chave do sucesso são-paulino está nesses dois jogadores e, eventualmente, em Hernanes e Jorge Wagner, outros dois nomes com poder de decisão. Um bom resultado no Morumbi será fundamental para dar tranqüilidade ao time de Muricy. Caso contrário, a decisão ficará para o Maracanã. E, aí, quem estiver mais sólido passará, sendo que o Flu teria a vantagem psicológica e de torcida.

Santos, discretamente

Enquanto os tricolores se engalfinham, o Santos caminha quase anônimo. Sem chamar a atenção, Leão acertou o time. No papel, o Peixe é o mais fraco dos cinco representantes brasileiros na Libertadores. Em campo, porém, é a equipe que melhor encarnou o espírito da competição. E, por isso, tem méritos em ser uma das sobreviventes.

Apesar de contarem com um elenco menos extravagante, os santistas sabem aproveitar muito bem o que têm em mãos. Molina e Kleber Pereira têm sido decisivos, Lima chegou sem estranhar o clima de decisão, Marcinho Guerreiro e Rodrigo Souto dão boa proteção à defesa e o resto do time cumpre seu papel. O clima da Vila Belmiro também é fundamental.

Com isso, o time ganhou a confiança que não tinha no início da temporada. Ainda que não seja visto como favorito, é uma equipe que dificultará a vida de qualquer adversário. E, se passar pelo América-MEX, não será azarão contra o vencedor de Fluminense x São Paulo.

México: conhecidos os classificados

Acabou a primeira fase do Campeonato Mexicano. A última rodada teve várias alternativas, mas acabou confirmando alguns favoritismos na definição dos classificados para as quartas-de-final e nos participantes da repescagem.

No último sábado, as Chivas de Guadalajara empataram fora de casa com os Jaguares de Chiapas e asseguraram a classificação para as quartas. A vitória por 2 a 1 dava o ‘superliderato’ (liderança na classificação geral) ao Rebaño, mas Lenílson empatou a partida nos acréscimos e adiou a definição. Ainda no sábado, o Atlas venceu o Cruz Azul por 2 a 0 e tirou da Máquina Cementera a possibilidade de ficar com a melhor campanha da primeira fase. Além disso, praticamente classificou o time de Guadalajara para a repescagem.

As emoções continuaram no domingo. O Santos Laguna fez 4 a 1 no San Luis e definiu que o superliderato ficou mesmo com as Chivas. Além disso, colocou os laguneros na segunda posição na classificação geral e mandou o bom San Luis para a repescagem.

Dois outros jogos tiveram grande relevância para a definição da repescagem. As Pumas de la Unam só precisavam de uma vitória em casa para seguir no Clausura, mas não passou do 0 a 0 com o Pachuca. Foi uma partida muito amarrada, em que as equipes criaram poucas oportunidades. Nos poucos lances mais agudos, o goleiro colombiano Calero salvou o Pachuca, que dependia ainda de um tropeço do Puebla para ir à repescagem.

Para a sorte dos tuzos, os poblanos também empataram. Em um jogo cheio de alternativas, o Puebla ficou no 2 a 2 com o Atlante. Os celestes venciam por 2 a 0 até os 34 minutos do segundo tempo, quando sofreram dois gols relâmpagos (o segundo, um golaço de peito do venezuelano Maldonado). O Puebla ainda teve oportunidade para fazer o terceiro gol, mas não tinha mais estabilidade emocional para finalizar com cuidado.

Desse modo, a repescagem ficou San Luis x Pachuca e Necaxa x Atlas. Chivas de Guadalajara, Santos Laguna, Cruz Azul, Toluca, Jaguares de Chiapas e Monterrey já estão nas quartas-de-final.

SELEÇÃO DA RODADA
– Veja a seleção da 17ª rodada do Clausura mexicano do site Medio Tiempo: Miguel Calero (Pachuca); Gerardo Flores (Atlas), Carlos Alberto Sánchez (América), Jorge Torres (Atlas) e Efraín Velarde (Pumas de la Unam); Juan Pablo Rodríguez (Santos Laguna), Juan Carlos Medina (Atlas), Sergio Santana (Chivas de Guadalajara) e Aldo Leao (Morelia); Christian Benítez (Santos Laguna) e Ever Guzmán (Morelia). Técnico: Miguel Ángel Brindisi (Atlas).

Chile: Tudo muda a partir de agora

Colo-Colo com troca de técnico, Universidad Católica e Universidad de Chile sem convencer, Audax Italiano priorizando a Libertadores e os surpreendentes Ñublense e Everton passeando pela liderança. A primeira fase do Apertura chileno foi bastante confusa e difícil de avaliar a relação de forças entre as equipes. Pois, agora, não há mais desculpas a ninguém. Começa o mata-mata.

As atenções estarão voltadas ao clássico Colo-Colo x Universidad Católica. Os cruzados realizaram melhor campanha na primeira fase e têm a vantagem de jogar a segunda partida em casa. Além disso, tiveram uma trajetória mais constante na competição. No entanto, o Colo-Colo claramente se poupou por causa da Libertadores. A troca de Claudio Borghi por Fernando Astengo também criou um momento de instabilidade. No entanto, o Cacique é o atual tetracampeão chileno justamente por saber como crescer nos momentos decisivos.

Os outros jogos servem para confirmar as surpresas do interior. O Ñublense, disparado com a melhor campanha da primeira fase (41 pontos, contra 36 de Católica e OHiggins), pega o fraco, mas tradicional, Cobreloa. Os diablos rojos contam com uma das defesas mais sólidas do Chile e devem passar se escaparem ilesos da altitude de Calama no jogo de ida.

Everton x Audax Italiano é um duelo de times em momentos opostos. O time de Viña del Mar, treinado por Nelson Acosta, teve um início de campanha muito bom e chegou liderar por algumas rodadas. No entanto, vem em decadência. O Audax está no caminho inverso. Começou claudicante, mas se estabilizou e terminou a primeira fase na quarta posição. Considerando os talentos de cada equipe, os tanos são favoritos.

O último confronto a abrir as quartas-de-final reúne Universidad de Chile e O’Higgins. De um lado, um gigante que não consegue conviver em paz com seu tamanho. Do outro, um pequeno do interior que tem se acostumado a realizar boas campanhas com elencos baratos. Em teoria, o time de Rancágua é favorito pela campanha na primeira fase. Mas, se La U impuser o peso de sua tradição e experiência, tem totais condições de chegar às semifinais.

Lista de convocados

Veja a lista de convocados por Sixto Vizuete para um ciclo de treinos do Equador antes do amistoso contra a França em 27 de maio: goleiros: José Cevallos (LDU Quito) e Máximo Banguera (Espoli); defensores: Erick de Jesús (El Nacional), Miguel Ibarra (Espoli), Iván Hurtado (Barcelona), Carlos Castro (Barcelona), José Luis Perlaza (Olmedo), Isaac Mina (Deportivo Quito) e Gabriel Achilier (Deportivo Azogues); meio-campistas: Patricio Urrutia (LDU Quito), Luis Bolaños (LDU Quito), Luis Saritama (Deportivo Quito), David Quiroz (Barcelona), Pedro Quiñónez (El Nacional), Walter Ayoví (El Nacional) e Miguel Bravo (Espoli); atacantes: Joffre Guerrón (LDU Quito), Pablo Palacios (Barcelona), Jorge Ladines (Emelec) e Orlindo Ayoví (Deportivo Azogues).

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Equipe Trivela

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