Sem bola na rede
A atual tabela de artilheiros do Apertura da Liga MX mostra um dado curioso: os oito primeiros colocados são jogadores nascidos fora do México. Mais: dos 15 jogadores com pelo menos três gols marcados apenas quatro são mexicanos. Seria um dado estranho para qualquer campeonato nacional do mundo, não fosse uma questão recorrente no futebol azteca.
Dos últimos 22 torneios nacionais disputados no México, somente em três oportunidades um jogador nascido no país terminou entre os artilheiros do campeonato. Em um mercado tradicionalmente marcado pelo alto investimento em goleadores vindo de fora não é algo surpreendente. Desde que o campeonato mexicano começou a ser disputado em sua era profissional, em 1943, espanhóis e sul-americanos (principalmente argentinos) sempre monopolizaram o posto de goleador da Primera División.
A questão é que essa escassez de produção ofensiva invariavelmente acaba atingindo a seleção mexicana. Algo que vem ganhando força recentemente. Mesmo com essa “invasão estrangeira”, o país sempre contou com atacantes com notável faro de gol, como Adalberto López, Enrique Borja, Carlos Hermosillo, Cuauhtémoc Blanco e Jared Borgetti. O equilíbrio entre os avançados estrangeiros na briga pelo prêmio de artilheiro era pouco visto na seleção azteca, onde alguns nomes reinaram de forma soberana, garantindo muitos gols, fosse pelo campeonato mexicano, fosse contra os rivais da Concacaf.
Com a saída de cena de nomes como Borgetti e Blanco, contudo, uma entressafra parece atingir o futebol mexicano. Principalmente a seleção, que encontra dificuldades para suprir seu ataque. Sem grandes nomes para o setor, a parte ofensiva não brilha nas competições que disputa e enfrenta muitas dificuldades contra equipes de fora da Concacaf. Na Copa América de 2011, ainda que tenha atuado com um time sub-23, o México fez apenas um gol, terminando sem pontuar e com a lanterna do torneio. Em Copas do Mundo o desempenho é semelhante, com El Tri marcando poucos tentos contra rivais mais fortes. Até mesmo na campanha que culminou com a inédita medalha de ouro em Londres os aztecas tiveram dificuldades para alcançar as redes. Dos oito classificados para as oitavas, teve o terceiro pior desempenho, com apenas três gols marcados.
Ainda que esse retrospecto não dificulte a vida Tricolor nas competições continentais, faz grande diferença na hora dos duelos contra seleções tecnicamente mais desenvolvidas e rivais mais tradicionais em Copa do Mundo, objetivo que falta a Tri para alcançar a competitividade das grandes seleções do futebol mundial.
O bom trabalho da base organizado pela Femexfut encontra dificuldades na concorrência enfrentada pelos jovens com os jogadores vindos de fora do país, contratados para aumentar a média de gols dos clubes aztecas. Na rodada do último fim de semana, por exemplo, dos 30 atacantes que iniciaram os duelos dos 18 times da Liga MX apenas 9 eram nascidos em solo azteca. E o número pode ser considerado pequeno se analisarmos os elencos dos principais clubes do país, recheados de estrangeiros do meio-campo para frente.
A ideia dos clubes mexicanos (que tem lá sua razão de ser) é investir fortemente em atacante e meias ofensivos, principalmente de países sul-americanos, relegando aos jogadores do país um destaque maior em posições defensivas. Vale dizer que os poucos bons atacantes mexicanos dificilmente atuam por muito tempo no país. O principal nome do setor na seleção é Javier Hernández, contratado com apenas 22 anos pelo Manchester United (ING). Fonte de gols do time atual, há grande preocupação quando “Chicharito” entra em má fase ou jejum de gols. Uma futura lesão, então, é vista com grande assombro pela mídia mexicana.
As outras opções atualmente são atletas que ainda não convenceram pela seleção (De Nigris e Peralta) ou explodiram tardiamente (Sabah e Lugo) e não possuem mais tanta lenha para queimar na Tricolor. Tanto que Giovanni dos Santos, irregular por clubes, mas eficiente pela seleção, vem sendo a solução improvisada no ataque.
Ainda é cedo para falarmos em um problema crônico de falta de atacante no México, mas o panorama atual não anima muito torcedores, dirigentes e, principalmente, jovens atacantes aztecas que ainda buscam um lugar ao sol.
Eliminatórias da Copa
Nenhuma surpresa na quarta rodada da terceira fase das eliminatórias da Concacaf para a Copa do Mundo de 2014. Com um triunfo mínimo garantido com gol de “Chicharito” Hernández, o México superou a Costa Rica, em casa, tornou-se a primeira (e até agora único) seleção a garantir vaga no hexagonal final, manteve os 100% de aproveitamento e de quebra ainda complicou a vida dos Ticos na disputa.
Com 12 pontos, os aztecas já garantiram a liderança, enquanto El Salvador aparece em segundo lugar, com 5 pontos, após vencer a Guiana, fora de casa. Costa Rica (com 4) e Guiana (um ponto) vem a seguir. Na próxima rodada, os salvadorenhos recebem a Costa Rica precisando de um triunfo para garantir a segunda vaga do grupo B.
No grupo A, as vitórias mínimas de Estados Unidos (sobre a Jamaica, em casa) e Guatemala (sobre Antígua & Barbuda, fora) embolaram a ponta da chave. EUA, Guatemala e Jamaica (nessa ordem pelos critérios de desempate) somam 7 pontos, enquanto os Benna Boys seguram a lanterna, com apenas um.
Equilíbrio também é a tônica do grupo C, onde o antigo líder Canadá perdeu para o Panamá, fora de casa, por 2×0 e caiu para o terceiro posto, fora da zona de classificação, com 7 pontos. Os panamenhos somam 9 pontos e podem garantir a vaga já na próxima rodada, se triunfarem sobre Honduras, em casa. Na segunda posição, também com 7 pontos, aparece Honduras, que superou o saco de pancadas da chave (Cuba), em casa, por 1×0. O selecionado da ilha de Fidel ainda não pontuou e tornou-se a primeira seleção já eliminada da disputa.
Curtas
– Seleção Trivela da 8ª rodada do Apertura mexicano: Luis Ernesto Michel (Chivas Guadalajara), Paul Aguilar (América), José Maria Basanta (Monterrey), Diego Reyes (América) e Jorge Torres (Tigres de UANL); Mauro Cejas (Pachuca), Jorge Marcelo Rodríguez (Jaguares) e César Delgado (Monterrey); Félix Borja (Pachuca), Rafael Márquez (Chivas Guadalajara) e Luis García (Tigres de UANL); T: Antonio Mohamed (Tijuana);
– Resultados da 8ª rodada: Pachuca 3×2 Morelia, Jaguares 2×0 Toluca, León 1×2 Chivas de Guadalajara, América 2×0 Santos, Tigres 2×0 Cruz Azul, Atlas 0x0 Querétaro, Pumas de UNAM 0x1 San Luis, Puebla 2×3 Monterrey e Atlante 1×2 Tijuana;
Costa Rica
– Um empate por dois gols da líder Alajuelense com o Puntarenas, embolou o topo do Campeonato de Invierno. O time de Alajuela manteve a ponta, com 19 pontos, mesma pontuação do Herediano, que empatou por 1×1, em casa, com o Belén. Com 18, na terceira posição, estão Saprissa, derrotado em casa pelo Santos de Guápiles por 2×0, e Cartaginés, vitorioso no duelo contra o Uruguay por 2×1;
El Salvador
– Uma vitória mínima do Alianza, em casa, sobre o Atlético Marte foi o suficiente para manter os Albos na liderança do Apertura da Liga Mayor, com 20 pontos. Também em casa, com um triunfo por 3×2 sobre o Águila, o Isidro Metapán isolou-se na segunda posição, com 17 pontos, seguido pelo próprio Águila e pelo Luis Ángel Firpo (14 pontos), derrotado em casa pelo Juventud Independente por 1×0;
Guatemala
– Com uma vitória em casa por 2×0 sobre o Xelajú, o Comunicaciones recuperou-se do revés que tirou sua invencibilidade na última rodada e manteve a vantagem na ponta do Apertura da Liga Nacional, com 24 pontos, três a frente do vice-líder Municipal, que derrotou fora de casa e pelo placar mínimo o Universidad SC. Com duas goleadas, Heredia e Halcones aparecem em terceiro, com 18 pontos. O primeiro fez 4×0 no Marquense, enquanto o segundo superou o Petapa por 4×1;
Honduras
– Mesmo após um empate sem gols com o Real Sociedad, o Victoria manteve a primeira posição do Apertura da Liga Nacional, com 18 pontos. Na vice-liderança, com 17 pontos, aparece o Olímpia, que venceu o Vida por 3×0, em casa. Já o Real España perdeu fora de casa para o Platense (1×0) e estacionou nos 15 pontos, no terceiro posto.
Panamá
– O Río Abajo continua a surpreender na Liga Panamenha. No último fim de semana, o pequeno time da capital do país venceu o San Francisco por 2×1, em casa, e assumiu a ponta do Apertura, com 19 pontos, aproveitando o tropeço do Tauro, que não passou de um empate em 2×2 contra o Chepo. Os toros somam 18 pontos na segunda posição, seguidos pelos próprios naranjas, com 15 pontos.



