México

Santos Laguna sempre perto do topo

Uma rodada de confirmação. Mais do que confirmar a péssima fase dos times de Jalisco ou a gangorra que vivem os grandes, a quinta rodada do Clausura mexicano, disputada no último fim de semana, solidificou a liderança do Santos Laguna. Com gols de Cristian Suárez e Rodolfo Salinas (além do próprio Salinas descontando, contra), os Guerreiros alcançaram sua quarta vitória consecutiva, mantiveram a ponta e abriram três pontos de vantagem para o vice-líder Atlante.

O posto alcançado, mais do que a busca pela Superliderança em si, simboliza a retomada do grande objetivo do clube de Torreón. Adquirido em 1991 pelo grupo cervejeiro Modelo, com sede em território mexicano, o clube está historicamente distante dos mais poderosos times aztecas no quesito popularidade (em âmbito nacional). Contudo, contando com o suporte financeiro dos donos, os Albiverdes sempre tiveram como meta estabelecer-se entre os primeiros, mantendo-se próximo da disputa por títulos. Atualmente,contudo, o grupo não possui tanta qualidade individual, mas impõe-se sobre adversários tecnicamente melhores e alcança o topo. Um fato que ocorre há alguns anos e só confirma que otime, de fato, acostumou-se a liderar e utilizar o “peso da camisa”.

Apesar de somente alcançar a elite do futebol azteca em 1988 (16º em número de participações), os laguneros jamais foram rebaixados, além de sofrerem com ameaças de descenso apenas durante o ano de 2007. Ademais, o Santos possui um dos melhores retrospectos em colocações finais. Nos últimos dez torneios, a pior posição foi um 10º lugar, sendo que, nesse período, o clube ficou de fora de apenas duas Liguillas.

Em playoffs, o clube tem o sexto melhor desepenho entre todos os times na história do futebol mexicano, a frente de clubes como Monterrey, Pachuca, Tigres, Necaxa e Atlas, algo notável considerando que o sistema é utilizado desde 1970, 18 anos antes do clube alcançar a elite (sem falar que a primeira classificação ao mata-mata só foi obtida em 1993).

A meta de manter-se sempre próximo do topo, perto do título refletiu também no número de conquistas. Com três títulos nacionais e cinco finais perdidas, os laguneros só perdem em vice-campeonatos para o Cruz Azul (derrotado oito vezes na decisão). Se perder uma final é ruim, ao menos indica que o clube está sempre próximo de vencer o torneio e conhece o caminho para tanto.

A retomada do caminho mencionada anteriormente deve-se, principalmente, ao retorno do clube ao grupo dos líderes. Depois de duas finais consecutivas em 2010, os Albiverdes encerraram o Clausura de 2011 em 9º lugar, sem ter a chance de conquistar o título. No Apertura, contudo, o Santos obteve a classificação e chegou a liderar o torneio por três rodadas. A queda na final, para o excelente time do Tigres, deixou algumas dúvidas sobre a capacidade dos Guerreiros.

O excelente início do Clausura, entretanto, vem dizimando qualquer interrogação acerca do grupo. Benjamín Galindo, após fracas passagens por Chivas, Cruz Azul, Atlas e o próprio Santos, montou um time forte defensivamente e com bom senso coletivo para compensar a ausência de grandes destaques individuais.

Os Guerreros atuam no 4-5-1, que passa para um poderoso 4-2-3-1 com a equipe no contra-ataque. Comandada pelo experiente goleiro Oswaldo Sánchez, capitão da equipe, a zaga é formada por Aarón Galindo e Rafael Figueroa, ambos zagueiro experiente e de boa saída de bola, além dos laterais Iván Estrada e Osmar Mares.

No meio, Salinas e Juan Pablo Rodríguez atuam na contenção, liberando Ludueña para a armação das jogadas pelo centro. O argentino vem sendo a grande referência em campo desde que chegou ao clube, em 2007, trazido do Tecos.

O setor ofensivo conta com dois jogadores fortes e perigosos pelas alas: Suárez e Quinteros, com Oribe Peralta como atacante centralizado. O mexicano, aliás, vem sendo uma das gratas surpresas desde que deslanchou a fazer gols, 13 somente no último campeonato, tornando-se artilheiro da equipe.

Um time sem grandes nomes, é verdade. Mas que supera com facilidade times mais reforçados e com muito mais dinheiro e opções de investimento. Essa talvez venha sendo a grande contribuição de Galindo, que optou por manter no banco nomes como os veteranos zagueiros Santiago Hoyos e Felipe Baloy, além dos reforços Marc Crosas (ex-Barcelona e trazidomuito mais pela grife do que pelo futebol) e Herculez Gomez.

Com um time formado por jogadores experientes, mas sem muita grife, aliados a boas jovens promessas, os laguneros, após um insosso empate sem gols em casa, na estreia contra o Pachuca, emendaram boas vitórias sobre Atlante (em Cancún), Jaguares, Tijuana (na casa dos Xolos) e no último sábado sobre o bom time do UNAM,por 2×1.

Não é possível prever se o clube sustenta o posto até o fim das 17 rodadas da primeira fase. Mas já para colocar o time como um dos fortes candidatos a garantir a vaga na Liguilla de forma tranquila e sem grandes sobressaltos. A partir daí, espera-se que os Guerreros continuem a subir, tendo em vista o objetivo de alcançar o topo, mas, como a própria competitividade do futebol aztexa mostra, é complexo imaginar quais os obstáculos terão pela frente (e até mesmo o nível dos adversários pelo momento vivido).

O que já da para afirmar é que a vantagem e o topo alcançado mostram a consistência do time lagunero. Mais do que isso, mostra que estar sempre perto do topo é um caminho viável para alcançá-lo, mesmo quando as peças não possuem a mesmas qualidade de outrora. Consolidar-se como time forte e sempre entre os líderes, independente da qualidade dos jogadores que vestem a camisa, a exemplo do que já ocorre no futebol europeu, é a grande meta do Santos. E o retrospecto vem mostrando que esse caminho, mesmo em umaliga de alta competitividade como amexicana, é viável.

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