México

Review parte I

Com o fim do campeonato mexicano e da Copa dos Campeões da Concacaf, restavam ainda em disputa para os clubes aztecas apenas os participantes da Libertadores, mas a queda do Cruz Azul ainda nas oitavas para o Libertad colocou todos já de férias e planejando os próximos passos para a nova temporada.

Para você, leitor, preparamos um resumo do que de melhor rolou na temporada dos clubes que disputaram a elite do campeonato mexicano. Na primeira parte, confira os times que ficaram de fora dos playoffs do Clausura, entre a 10ª e 18ª colocação, incluindo os times que brigaram contra o descenso:

ESTUDIANTES TECOS
Colocação final no Clausura: 18º lugar (rebaixado)
Treinador: José Luis Salgado (até 2ª rodada); Gilberto Adame (até 4ª rodada); Héctor Hugo Eugui
Maior vitória: Estudiantes Tecos 2×1 Atlante (7ª rodada)
Maior derrota: Monterrey 4×0 Estudiantes Tecos (12ª rodada)
Melhor jogador: Alejandro Castro, defensor
Pior jogador: Rodrigo Ruiz, atacante
Revelação: Osvaldo Alanís, defensor
Artilheiro: Fredy Bareiro, 4 gols
Outras competições: nenhuma
Nota da temporada: 1

Não dá para se dizer que o rebaixamento do Estudiantes não era esperado. Os Tecolotes entraram na competição sabendo da superioridade técnica de seus rivais na briga pela permanência na elite e ciente de que uma campanha fraca certamente resultaria na queda. E foi o que aconteceu. Com uma campanha pífia, o segundo pior ataque com apenas 12 gols marcados e somente duas vitórias a Autónoma terminou na lanterna e encerrou um período de 37 anos no topo do futebol azteca.

Os erros da diretoria nem foram tão grandes, já que os únicos destaques dessa temporada para se esquecer foram Bareiro e Castro, trazidos para ajudar o time na briga contra o rebaixamento. O paraguaio, de volta após empréstimo ao Cerro Porteño (PAR), ainda deve permanecer para disputar a Liga de Ascenso, mas, para piorar, o Tecos deve perder Castro, que retorna de empréstimo ao Cruz Azul. A reformulação no elenco promete ser profunda e, a se julgar pelas exibições na temporada, a permanência na segunda divisão não deve terminar tão cedo.

QUERÉTARO
Colocação final no Clausura: 17º lugar
Treinador: José Saturnino Cardozo (até 9ª rodada); Ángel Comizzo
Maior vitória: Querétaro 2×1 Atlas (3ª rodada) e Cruz Azul 1×2 Querétaro (14ª rodada)
Maior derrota: Monterrey 4×1 Querétaro (10ª rodada)
Melhor jogador: Sergio Amaury Ponce, meia
Pior jogador: Juan Ocampo, defensor
Revelação: Jorge García, atacante
Artilheiro: Isaac Romo, 4 gols
Outras competições: nenhuma
Nota da temporada: 3

Após alcançar as semifinais da Liguilla no Apertura, os Gallos Blancos não esperavam repetir o desempenho no fechamento da temporada, mas também não imaginavam que o buraco seria tão fundo. O time esteve mais da metade do Clausura na lanterna, somou apenas duas vitórias e sofreu com um jejum de dez partidas sem vencer. E nada faz supor que 2012/13 virá acompanhado de uma melhora significativa no desempenho.

O grande problema dos Albiazules foi a perda do atacante uruguaio Carlos Bueno, imprescindível na façanha do Apertura. Sem uma referência no ataque, o Querétaro sofreu com a pouca eficiência de seus atacantes e a irregularidade do setor defensivo, garantindo a permanência apenas há três rodadas do fim do torneio. Na próxima temporada, o clube entra como forte candidato ao descenso e terá trabalho para garantir a manutenção no topo do futebol azteca.

SAN LUIS
Colocação final no Clausura: 16º lugar
Treinador: René Isidoro García (até 8ª rodada); Sergio Bueno
Maior vitória: Estudiantes Tecos 0x2 San Luis (2ª rodada)
Maior derrota: Santos Laguna 5×2 San Luis (9ª rodada)
Melhor jogador: Wilmer Aguirre, atacante
Pior jogador: Ismael Blanco, atacante
Revelação: Luis Rodríguez, meia
Artilheiro: Alfredo Moreno, 5 gols
Outras competições: nenhuma
Nota da temporada: 3,5

Se o início com duas vitórias levou os Gladiadores à liderança, a sequência do Clausura foi cruel para as pretensões do clube. Com uma série de quatro derrotas e grande irregularidade, os Tuneros sofreram, principalmente, com a má fase de sua defesa, grande responsável por dar ao clube marca de maior número de derrotas (11) na competição.

Não que o ataque do time não tivesse sua parcela de culpa pela campanha sem brilho. A dupla Wilmer Aguirre e Alfredo Moreno não brilhou tanto como na temporada anterior, quando levou o time à Liguilla no Apertura e garantiu a artilharia ao peruano no Clausura, mas mesmo assim ainda livrou os Auriazules de um sofrimento maior na briga contra a queda. Contudo, as fracas campanhas em 2011/12 colocaram o time no grupo dos que já terão que se planejar também contra o descenso na próxima temporada.

CHIVAS GUADALAJARA
Colocação final no Clausura: 15º lugar
Treinador: Fernando Quirarte (até 3ª rodada); Ignacio Ambríz (até 15ª rodada); Alberto Coyote
Maior vitória: Chivas 2×0 Toluca (12ª rodada)
Maior derrota: Jaguares 3×1 Chivas (2ª rodada) e Pachuca 3×1 Chivas (17ª rodada)
Melhor jogador: Héctor Reynoso, defensor
Pior jogador: Edgar Mejia, meia
Revelação: Giovani Casillas, meia
Artilheiro: Héctor Reynoso, 4 gols
Outras competições: eliminado na segunda fase da Copa Libertadores (4º colocado do grupo 7)
Nota da temporada: 3,5

O maior campeão mexicano terminou a temporada como começou: com uma sequência preocupante de derrotas, ambiente conturbado e poucas esperanças para 2012/13. A temporada decepcionante do Rebaño deve-se, em boa parte, às atitudes de seu dono, o empresário Jorge Vergara, que trocou três vezes de treinador em apenas 17 rodadas e, após a demissão de Ambríz, saiu disparando contra o técnico, a quem responsabilizou quase que exclusivamente pelo desempenho medíocre do time.

O Campeonísimo permaneceu durante cinco rodadas na lanterna e pouco pôde recorrer à sua famosa cantera, com boa parte dos jovens enfrentando má fase. Na Libertadores, o Chivas foi lanterna de seu grupo com quatro derrotas em seis partidas. De esperança, a chegada do holandês Johan Cruyff, novo diretor esportivo do clube, que vem com a missão de reproduzir em Jalisco a experiência de sucesso da base catalã do Barcelona e já indicou o técnico John van 't Schip, ex-Twente.

PUMAS UNAM
Colocação final no Clausura: 14º lugar
Treinador: Guillermo Vázquez
Maior vitória: Pumas 3×0 Morelia (2ª rodada)
Maior derrota:  Pumas 0x3 Jaguares (16ª rodada)
Melhor jogador: Efraín Velarde, defensor
Pior jogador: Carlos Campos, meia
Revelação: José Antonio García, defensor
Artilheiro: Juan Carlos Cacho, 4 gols
Outras competições: eliminado nas semifinais da Concacaf Champions League, pelo Monterrey
Nota da temporada: 4,5

Em uma temporada complicada, o Pumas viu qualquer chance de classificação (ou título continental) esvair-se após a lesão do capitão paraguaio Darío Verón, que perdeu boa parte da temporada. Apesar da defesa segura (com Fuentes, Velarde e Palacios em ótima fase), o ataque irregular foi o ponto baixo da equipe. Se Herrera e Bravo brilhavam na Concachampions, caíam de rendimento no Clausura. O inverso acontecia com Cacho, que se destacava apenas em âmbito nacional.

A falta de peças para compor o elenco também teve sua parcela de culpa no fraco desempenho dos de Pedregal no Clausura 2012. Uma boa mostra das deficiências ficou exposta na forma como os felinos foram facilmente superados pelo Monterrey na Concachampions. Como resultado da eliminação precoce, “Memo” Vázquez deixou o comando do clube ao fim da temporada.

ATLANTE
Colocação final no Clausura: 13º lugar
Treinador: Mario García (até 15ª rodada); José Luis González
Maior vitória: Querétaro 2×3 Atlante (5ª rodada) e San Luis 2×3 Atlante (12ª rodada)
Maior derrota: Atlante 0x4 América (8ª rodada)
Melhor jogador: Osvaldo Martínez, atacante
Pior jogador: Armando Navarrete, goleiro 
Revelação: Alfonso Luna, defensor
Artilheiro: Osvaldo Martínez, 6 gols
Outras competições: nenhuma
Nota da temporada: 5

Um bom início no Clausura deixou esperançosos os torcedores do Atlante, que ocupavam a vice-liderança na 5ª rodada. Isso até os azulgranas iniciarem uma sequência de quatro derrotas, somarem apenas uma vitória nas 12 partidas seguintes e terminarem o torneio com a pior defesa, com 31 gols sofridos.

A contratação de Navarrete, ex-América, foi um fiasco, e o arqueiro foi para o banco nas últimas três rodadas, substituído por Antonio Pérez. Outras apostas, como o peruano Mendoza, também não renderam o esperado e agora os Potros de Hierro caíram para a 15ª posição na tabela de descenso e já entram em 2012/13 preocupados com a queda.

PUEBLA
Colocação final no Clausura: 12º lugar
Treinador: Juan Carlos Osorio (até 11ª rodada); Daniel Bartolotta
Maior vitória: Pumas 0x2 Puebla (6ª rodada)
Maior derrota: Pachuca 3×1 Puebla (2ª rodada) e Santos 3×1 Puebla (10ª rodada)
Melhor jogador: Luis García, atacante
Pior jogador: Armando Wila, atacante
Revelação: Brayan Martínez, atacante
Artilheiro: Luis García, 6 gols
Outras competições: nenhuma
Nota da temporada: 5,5

O Puebla foi outra equipe que deu alguma esperança para sua torcida no início do campeonato, mas uma sequência de cinco derrotas culminou na saída de Osorio e encerrou praticamente todas as chances de classificação do clube. A chegada do argentino Bartolotta deu um sopro de esperança ao Puebla, que somou três vitórias nos últimos seis jogos, mas insuficientes para obter a vaga.
É consenso que os Camoteros têm mais potencial do que demonstram, ainda mais em um elenco que conta com a experiência e a pontaria do cerebral Luis García, além do selecionável norte-americano DaMarcus Beasley e do brasileiro Lucas, ex-Botafogo. A Franja precisa, agora, impor-se diante de adversários tecnicamente inferiores para garantir o retorno aos playoffs.

TOLUCA
Colocação final no Clausura: 11º lugar
Treinador: Wilson Graniolatti
Maior vitória: Toluca 3×1 Estudiantes Tecos (1ª rodada) e Toluca 3×1 Jaguares (7ª rodada)
Maior derrota: Toluca 0x3 Cruz Azul (15ª rodada)
Melhor jogador: Iván Alonso, atacante
Pior jogador: Isaác Brizuela, atacante
Revelação: Carlos Alberto Galeana, defensor
Artilheiro: Iván Alonso, 14 gols
Outras competições: nenhuma
Nota da temporada: 5,5

Os Diablos não podem mais continuar dependendo apenas dos gols do artilheiro espanhol Iván Alonso. Com um elenco envelhecido, capitaneado pelo brasileiro naturalizado Sinha (36 anos), o argentino Romagnoli (34 anos), a chegada de Alonso (33) deu ao Toluca uma incrível capacidade goleadora, mas tornou ainda mais latente a falta de gás que acomete o time na parte final das competições.

Tanto é que os Rojos tiveram um ótimo início e se mantiveram na briga pela vaga na Liguilla até as últimas rodadas, não sendo páreos para os demais rivais após uma sequência de quatro derrotas nas rodadas finais. Algo impensável anos atrás, a saída de Romagnoli para o Pumas e a possível aposentadoria de Sinha parecem ser o melhor caminho para a equipe Escarlata retomar o caminho das conquistas.

ATLAS
Colocação final no Clausura: 10º lugar
Treinador: Juan Carlos Chávez
Maior vitória: 1×0 em quatro partidas (contra Toluca, San Luis, Monterrey e Chivas)
Maior derrota: Atlas 0x3 Jaguares (11ª rodada)
Melhor jogador: Miguel Pinto, goleiro 
Pior jogador: Sergio Santana, atacante
Revelação: Hugo Rodríguez, defensor
Artilheiro: Giancarlo Maldonado, Flavio Santos e Hugo Rodríguez, 2 gols
Outras competições: nenhuma
Nota da temporada: 6

Dono do pior ataque (7 gols) e da segunda melhor defesa (13 gols). O que pode, a primeira vista, parecer incoerente para um time resultou numa campanha de certa forma até boa para o Atlas, mas que muito pouco ajudou um clube que há tempos ronda a zona de descenso.

Com um recorde de empates sem gols e oito resultados terminando em igualdade no Clausura, os Rojinegros agora ocupam o primeiro posto na briga contra a queda para a Liga de Ascenso e com um elenco pouco brilhante, que recorre ao jogo coletivo para superar o quase nulo brilho individual, o fantasma do rebaixamento fica cada vez mais vivo para a Academia.

Curiosidades Aztecas

Se a queda do Estudiantes Tecos tirou da elite um dos clubes mais tradicionais do futebol mexicano, que somava 54 campeonatos consecutivos disputados na primeira divisão, trouxe de volta, em contrapartida, outra equipe carregada de história.

O León, que retorna após a conquista da Liga de Ascenso, é o 11º clube que mais torneios disputou na elite, com 63 participações, apenas duas a menos que o atual 10º colocado, o Necaxa, hoje no segundo escalão do futebol mexicano e o único atualmente fora da elite no top 10.

Caso o Necaxa não vença a Liga de Ascenso na próxima temporada e conquiste a promoção, os Esmeraldas retomam o posto no fim de 2012/13.

América e Chivas, por sinal os maiores campeões nacionais, são os únicos times aztecas a disputarem todos os 87 campeonatos da Primera División mexicana desde o início da era profissional, em 1943. Em seguida, com 85 participações, aparece o Atlante, seguido por Atlas (84), Toluca (77), Monterrey (72), Pumas (68), Puebla (67) e Cruz Azul (66).

– Confira tudo sobre o campeonato mexicano pelo twitter: @renanbarabanov

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