México

Retomando a hegemonia

Com os dois amistosos disputados na última semana, José Manuel de la Torre já contou com uma prévia do que esperar de seus convocados. As partidas encerraram o ciclo de testes, que contou com apenas três partidas, comandado por Chepo (que havia estreado no cargo contra a Bósnia-Herzegóvina, em fevereiro, com vitória por 2×0).

No próximo amistoso, contra o Equador, no fim de maio, o técnico já estará com o time por ele escolhido para a disputa da Copa Ouro da Concacaf, a ser jogada em junho, nos Estados Unidos, palco de todos os jogos da El Tri desde que Torre assumiu o comando (na verdade, da maior parte dos últimos jogos organizados pela Femexfut, que almeja lucrar com a enorme e rentável parcela da população hispano-americana).

Das partidas, mesmo com resultados tão díspares, podem ser tiradas algumas lições para o técnico e para o time. Mais do que isso, contudo, algumas atuações colocaram mais dúvidas do que certezas para o treinador da seleção mexicana.

O furor causado pela fácil vitória por 3×1 sobre o bom Paraguai no primeiro jogo contrastou com o frustrante empate por 1×1 contra a mediana seleção venezuelana. Apesar do resultado pouco contar em amistosos, principalmente em jogos preparatórios para outras competições, a perda dos 100% de aproveitamento sob o comando de El Chepo certamente diminui um pouco as expectativas sobre a El Tri.

Melhor do que isso, talvez, tenha sido o fato de possibilitar ao grupo colocar os pés no chão. Os bons resultados só irão servir se embasarem futuras boas campanhas do selecionado azteca. E o time ainda tem muito o que crescer para fazer frente aos rivais mais poderosos e até para manter a hegemonia continental sobre Estados Unidos e Costa Rica.

Os desempenhos individuais, sim, serviram para apontar algumas certezas e também para suscitar dúvidas sobre atletas antes tidos como intocáveis, além de boas surpresas nos desempenhos de jogadores testados.

A titularidade de três atletas se tornaram de fato incontestáveis: Javier Hernández, Pablo Barrera e Carlos Salcido. Chicharito, apesar de um pouco irregular em determinadas partidas, mostra a cada dia que deve assumir em breve o posto que um dia esperava-se que fosse de Giovani dos Santos. Rápido, inteligente e extremamente oportunista, Hernández precisa apenas exibir com mais frequência no time azteca o futebol apresentado na Premier League com o Manchester United.

Contra o Paraguai, Chicharito foi decisivo e matador, anotando duas vezes, mas contra a seleção Vinotinto desperdiçou muitas oportunidades de gol. Com apenas 22 anos, já conta com 14 gols pela El Tri (artilheiro entre os convocados para as partidas) em 23 jogos e, em breve, deve amadurecer a ponto de assumir com clareza o papel de maestro da seleção.

Barrera, também jovem, fortaleceu muito o lado direito do ataque mexicano, criando as melhores oportunidades (foi o setor de origem dos três gols contra a seleção guarani). Com 23 anos, o meia do West Ham não encontra rivais na disputa pela vaga.

O mesmo acontece pela lateral esquerda, onde, defensivamente, Salcido mantém a vaga com a solidez e segurança que transmite para o setor defensivo do esquema de Chepo. Experiente, o jogador do Fulham seguirá no posto com Torre.

No gol, a vaga de Ochoa está cada vez mais ameaçada. Após falhar no gol de empate da Venezuela, ao sair atrasado no cruzamento de escanteio, Memo evidenciou seu grande ponto fraco (a saída de bola) e deu voz aos críticos de sua baixa estatura.

Mais do que isso, entretanto, ficou claro que o desempenho do goleiro americanista está abaixo do exibido antes de sua frustrada negociação com o futebol inglês, no início do ano. O problema é que seus rivais de posição, Corona (do Cruz Azul) e Talavera (Toluca) tiveram boas exibições e aproveitaram suas oportunidades com El Chepo. A maior experiência pode contar a favor e até deixar Memo de fora da Copa Ouro.

Outro que retornou ao time foi Giovani dos Santos. O meia, hoje no Racing Santander (Espanha), após surgir como a grande esperança para comandar o futebol azteca, somou atuações decepcionantes e desperdiçou várias oportunidades, perdendo inclusive a vaga na El Tri em determinado momento. Sua derrocada teve início justamente após sua saída do Barcelona, em 2008.

Apesar da assistência no gol marcado por De Nigris contra a Venezuela, dos Santos não desempenhou sua função de ligação com o ataque da mesma forma que o experiente Zinha contra o Paraguai. Com a idade do brasileiro naturalizado, espera-se que o retorno de Giovani ao time renda ao antes promissor jogador uma subida de nível tanto em seu clube como na El Tri.

Quem também retornou e mostrou que ainda pode brigar pela vaga foi Rafa Márquez. Experiente, o zagueiro terá um duro desafio, já que Francisco Rodríguez e Héctor Moreno há tempos vêm mostrando segurança e tranquilidade na seleção mexicana.

No ataque, De Nigris, em sua volta ao time azteca, marcou o único gol contra os venezuelanos. Mesmo assim, ainda parece difícil imaginá-lo como a melhor opção ao lado de Chicharito para o time titular da El Tri com o retorno de Carlos Vela.

Com poucas certezas, Chepo sabe que deverá montar sua base na seleção contando com desempenhos consistentes de nomes como Salcido, Osório, Barrera, Guardado, Vela e Hernández. Mais do que isso, para obter sucesso precisará que boa parte desses jogadores-chave exiba seu futebol em seu melhor nível.

O primeiro teste será na Copa Ouro, onde a El Tri está no grupo mais equilibrado, ao lado de Costa Rica, El Salvador e Cuba. Passar de fase é uma certeza e, espera-se, que a partir daí o fim seja o título. Menos do que isso e o trabalho de Chepo será facilmente questionado.

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Equipe Trivela

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