México

Reforços para o banco

Na coluna da última semana, falamos do ressurgimento do futebol de “Chucho” Benítez, que brilhou no clássico contra o Cruz Azul, com três gols e uma atuação de craque. A consolidação do status do equatoriano é importante para o clube Azulcrema, que investiu US$ 10 milhões na sua compra, tornando-o a transferência mais cara da história do futebol mexicano. Se o exemplo de “Chucho” é positivo, contudo, o inverso se faz cada vez mais presente em clubes aztecas.

Quase todos os principais clubes do país contam com atletas trazidos a peso de ouro, seja nos valores investidos em suas contratações, seja no montante gasto com salários para bancar suas chegadas. A diferença é que a grande maioria desses “craques” não estão vingando em terras mexicanas. Jogadores tidos como “tiros certeiros”, chegam com status de craques ou balizados por grandes atuações em seus clubes anteriores, mas acabam fracassando em solo azteca, atuando pouco, não correspondendo às expectativas e virando negócios deficitários para seus empregadores.

Os exemplos vão desde times que brigam pela taça até os desesperados pela fuga do rebaixamento. No mesmo América de “Chucho”, o também atacante Narciso Mina, trazido do Barcelona (EQU) após dois anos excelentes no futebol equatoriano e com expectativa de formar dupla com seu conterrâneo, não consegue se estabelecer e obtém poucas chances de atuar, preterido pela boa temporada do jovem Raúl Jiménez e relegado à titularidade apenas em confrontos pela ainda inexpressiva Copa MX.

O mesmo se pode dizer das chegadas do colombiano “Téo” Gutiérrez e do argentino Nicolás Bertolo ao Cruz Azul, pelo qual ambos vêm decepcionando dada a expectativa criada em seus acertos. Ou das contratações dos colombianos Marrugo e Hurtado e do argentino Cavenaghi pelo Pachuca, com os três somando apenas três partidas iniciadas até aqui na Liga MX. Exemplos assim também não faltam ao Pumas, que investiu valores significativos na vinda do uruguaio Juan Pablo Rodríguez e do jovem goleador paraguaio Robín Ramírez, mas viu o primeiro atuar em apenas nove minutos e o último anotar apenas um gol, longe de figurarem constantemente no onze inicial.

As decepcionantes apostas de outras equipes em nomes do mercado sul-americano acontecem em profusão, fruto, obviamente, da utilização recorrente de jogadores da região por parte dos clubes aztecas. Mas não são exclusividades. Até mesmo apostas altas em estrelas locais não vêm se concretizando e dando o retorno esperado.

A chegada dos selecionáveis Rafa Márquez e Nery Castillo era o sopro de experiência que o León buscava para se consolidar de vez na elite do futebol mexicano, após um Apertura surpreendente no retorno à Primera División que levou o time de Gustavo Matosas até as semifinais da Liguilla. Ledo engano. Enquanto o experiente zagueiro convive com problemas físicos e o atacante não se firma no time titular, os Panzas Verdes decepcionam, eliminados ainda na Pré-Libertadores e ocupando a vice-lanterna da Liga MX, com apenas 5 pontos em 10 jogos e um futebol muito aquém do mostrado na primeira parte da temporada.

Mesmo apostas jovens trazidos com pretensão de se fixar no time aos poucos (casos de Andrés Rentería no Santos, Juan Cuevas no San Luis e José Luis Chávez no Atlas) mostram pouca margem de progressão e não animam clubes, torcedores e analistas esportivos locais acerca de sua continuidade na Liga MX.

Essa série de apostas furadas dos clubes aztecas são mantidas com alguma margem de segurança no aspecto financeiro, já que os clubes não investem alto sem controle. Sustentados por bons acordos de direitos de transmissão e pela relativamente tranquila situação econômica do país, os clubes mexicanos se tornaram uma opção viável a atletas sem mercado na Europa e em busca de um pé de meia. Ou até mesmo para astros já em fim de carreira. Resta aos próprios clubes (e aos dirigentes) analisarem se para eles o negócio é vantajoso.

Diferente do futebol brasileiro, pouco se fala por lá em sustentar esses atletas com “ações de marketing” (ainda que boa parte dos dirigentes daqui nem saibam bem o que isso quer dizer de fato) ou investidores. O negócio ainda é visto como vantajoso exclusivamente pelo futebol mostrado dentro de campo. O problema, na grande maioria desses casos, é que as contratações estão reforçando muito mais o banco de reservas do que o time titular. E, claro, pesando bastante na folha de pagamento no fim do mês.

Curtas

– Seleção da 10ª rodada Trivela: Édgar Hernández (Jaguares), Israel Jiménez (Tigres UANL), Oswaldo Henríquez (Querétaro), Juninho (Tigres UANL) e Dárvin Chávez (Monterrey); Lucas Lobos (Tigres UANL), Rodrigo Millar (Atlas), Jesús Zavala (Monterrey) e Carlos Darwin Quintero (Santos); Oribe Peralta (Santos) e Wilberto Cosme (Querétaro); T: Ignacio Ambriz (Querétaro);

 Costa Rica

– Jogando em casa, a Alajuelense bateu o líder Cartaginés e pôs fim a invencibilidade do ponteiro do Campeonato de Verano da Primera División, que agora soma 26 pontos em 11 partidas. Com o triunfo, o clube de Alajuela assumiu a vice-liderança isolada, com 18 pontos, beneficiado pelo empate entre Municipal e Uruguay, que deixou o time de Pérez Zeledón com 17;

– Já o “Clássico do Bom Futebol”, que reúne Herediano e Saprissa, foi adiado para o dia 20 de março, visando aumentar o tempo de preparação do clube de Heredia para o duelo contra o Los Angeles Galaxy (EUA), pela Concachampions. Ambos somam 15 pontos e dividem a 4ª colocação; 

El Salvador

– Com 3 gols em 21 minutos, o FAS garantiu a vitória sobre o Atlético Marte e ampliou a vantagem na liderança do Clausura da Liga Mayor, com 19 pontos em 8 jogos. Mas o destaque da rodada ficou por conta do Alianza, que massacrou o Once Municipal com uma goleada por 7×0, com direito a um “triplete” do dominicano Jonathan Faña, e chegou aos 14 pontos;

– Também com 14 pontos, e na vice-liderança, estão Juventud Independiente e Santa Tecla, que empataram seus duelos, contra UES e Isidro Metapán, respectivamente. Já no Derbi Oriental, o Águila surpreendeu o Luis Ángel Firpo com um triunfo na casa do rival e deixou a lanterna da competição; 

Guatemala

– Um gol de Edgar Chinchilla já nos acréscimos salvou o Xelajú da derrota e impediu o Comunicaciones de alcançar seu oitavo triunfo em 9 partidas. Ainda assim, a liderança dos Cremas na Liga Nacional é tranquila, com 23 pontos. Isso por que Malacateco e Heredia, seus perseguidores mais próximos, não passaram de empates na rodada e somam 17 pontos;

– A igualdade do Malacateco foi obtida em visita ao Municipal, que segue em má fase, na lanterna do Clausura, com apenas 3 pontos e ainda sem vencer na competição; 

Honduras

– A briga pela liderança continua acirrada no Clausura da Liga Nacional e a bola da vez é o Real España, que assumiu a ponta com o triunfo sobre o Motagua, garantido com gols do atacante uruguaio Claudio Cardozo. Os aurinegros somam 20 pontos em 12 partidas;

– Quem se recuperou na rodada foi o atual tricampeão Olímpia, que superou o Marathón com facilidade por 3×0 e assumiu a vice-liderança, com 19 pontos, ao lado do Real Sociedad, que apenas empatou com o Atlético Choloma;

Panamá

– Com uma boa vitória sobre o Chorrillo, fora de casa, o San Francisco manteve a vantagem na liderança do Clausura da Liga Panamenha, com 23 pontos em 10 partidas. Também longe de casa, o Árabe Unido derrotou o Chepo e contou com o revés do Sporting San Miguelito em visita ao Tauro para assumir de forma isolada a segunda posição, com 19 pontos.

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