Reflexos de um Superclásico: o de cima sobe e o de baixo desce
Um Superclásico é lugar para inúmeras emoções e controvérsias. Um duelo onde nascem ídolos, fracassam possíveis estrelas, caem técnicos e consagram-se jogadores outrora medianos. A 213ª edição do confronto entre Chivas e América, disputada em Guadalajara, no último domingo, teve de tudo: consagração de uma jovem promessa, confirmação da atual situação dos rivais na tabela e até espaço para uma polêmica que em outros jogos teria passado despercebida.
O pré-jogo já deixava claro as posições que seriam tomadas durante o “Clásico dos Clásicos”: um América em boa forma, encontrando seu melhor jogo a cada rodada, terceiro colocado na tabela do Clausura e dono do melhor e mais caro elenco da Liga MX contra um Chivas oscilante, irregular, com um elenco abaixo de seus melhores anos e vindo de campanhas decepcionantes nas últimas edições do campeonato mexicano. Tudo bem que, como definiu o eterno Jardel, “clássico é clássico e vice-versa” e esse seria disputado na casa dos jaliscienses, mas já era possível antever algo próximo do visto em campo.
Como já se tornou praxe na Liga MX, o América foi beneficiado pela arbitragem. José Peñaloza expulsou, de forma um tanto quanto exagerada, o lateral direito Sergio Pérez. Mais do que isso, teve pouco controle de jogo e marcações questionáveis para ambos os lados, enervando jogadores e técnicos. Mas não dá para colocar na conta do árbitro o revés tapatío.
E isso ficou óbvio durante a partida. Mesmo atuando na casa do rival, o América foi o dono do jogo durante a maior parte do tempo. Se começou pressionado pelos mandantes, soube se defender com maturidade e sem correr grandes riscos com uma atuação segura de seu setor defensivo no primeiro terço dos 90 minutos. Estabeleceu seu jogo aos poucos e, com vantagem numérica após a expulsão de “Cherokee” Pérez, encurralou o clube de Guadajalara, finalizando quatro vezes mais que o rival (oito contra apenas duas tentativas do Chivas) com o crescimento de suas principais peças.
Se a vitória do Ame tem um rosto, contudo, ele pertence ao atacante Raúl Jiménez. Cria da base Azulcrema, El Joven Maravilla se consolida como o parceiro ideal de “Chucho” Benítez. Rápido e oportunista, Jiménez realiza uma temporada que parece destinada a acabar com as dúvidas acerca de seu futuro como titular Canário. Foi preciso uma temporada inteira e a saída de medalhões como Vicente Sánchez e Matías Vuoso para que a antiga promessa das seleções de base Tricolor conquistasse seu espaço no elenco de Coapa. No Clássico Nacional, os gols vieram em uma de suas especialidades, com duas cabeçadas certeiras, contando a segunda com uma excelente mistura de antecipação e velocidade.
Jiménez divide a artilharia das águias com Benítez, ambos com sete gols marcados no Clausura. Juntos, são responsáveis por 60% dos gols anotados pelo time na Liga MX. Uma opção goleadora a “Chucho” é algo mais do que uma opção buscado no Azteca: é vital. A queda de produção do equatoriano foi certamente um dos principais motivos pela eliminação do América nas últimas temporadas. Quando o potencial ofensivo do atacante de 10 milhões não era visto em campo, o clube da capital sofria nos pés adversários, notadamente nos duelos mais decisivos da Liguilla. Por isso, a ascensão do jovem, que já soma convocações para a seleção mexicana principal, pode se tornar a válvula de escape perfeita para Miguel Herrera, tanto para dar descanso ao artilheiro, como se tornando uma opção no destino das assistências dos meias de criação.
Quanto ao Campeoníssimo, era claro que somente a vitória não serviria para devolver o clube à boa fase. Mas era uma grande oportunidade de tornar o momento um catalisador da reação às exibições e campanhas apáticas mostradas nas últimas competições. Não foi. Se a classificação não é algo tão improvável (a distância para o G-8 é de somente um ponto e a tabela do clube é acessível), ainda que custosa, ficou nítido que a diferença técnica para o maior rival existe, não é pequena e aumentou nas últimas temporadas, agravadas, ainda, pelo tempo desperdiçado no infrutífero “Projeto Cruyff”, que visava fortalecer as categorias de base do Rebaño Sagrado baseado em um modelo coordenado pelo ídolo holandês. Recursos foram investidos, tempo foi gasto e quase nada foi gerado em benefício do clube.
O fator psicológico do clássico também deve exercer seu peso. A vantagem histórica no confronto, que havia diminuído até 2011, voltou a crescer, sendo atualmente de seis triunfos para os Millonetas (76 a 70). A vaga na Liguilla, ainda que venha, não deverá resultar em grande avanço nos playoffs, tendo em vista a facilidade com que o Chivas foi superado no mata-mata nacional nos últimos anos.
Ah! E claro, teve a polêmica. Na coletiva de imprensa pós-jogo, enquanto o técnico rojiblanco Benjamín Galindo buscava explicações para a derrota, o elenco capitalino irrompeu no salão de imprensa do estádio Omnilife, interrompendo o treinador rival. Para piorar, o outro jovem atacante americanista, “Tony” López, escutava um aparelho de música em alto volume, desviando a atenção dos jornalistas presentes e do próprio Galindo, que retribuiu com um sorriso embaraçado. Ainda que o diretor esportivo das Águilas, Ricardo Peláez, tenha se desculpado pela atitude na segunda-feira, o fato só atesta que o momento é péssimo pelas bandas de Zapopán. Reflexos (agravados) do Superclásico…
Curtas
– Seleção da 12ª rodada site Mediotiempo: Enrique Palos (Tigres), Javier Muñoz (San Luis), Luis Ramos (Atlas), Marco Iván Pérez (San Luis) e Adrián Aldrete (América); Danilinho (Tigres), Aldo Leão Ramírez (Morelia), Osvaldo Martínez (América) e Joao Rojas (Morelia); Raúl Jiménez (América) e Humberto Suazo (Monterrey); T: Tomás Boy (Atlas).
Costa Rica
– Com um triunfo sobre o Herediano, o Cartaginés ampliou sua vantagem na liderança e freou a ascensão do rival na tabela. Os Brumosos alcançaram 33 pontos em 15 jogos e contaram com um tropeço do Saprissa, derrotado pelo Uruguay, para abrir oito pontos de vantagem na ponta do Campeonato de Verano da Primera División;
– A atual campeã Alajuelense goleou o Deportiva Carmelita por 4×1 e assumiu o terceiro lugar, com 22 pontos e uma partida a menos que os líderes;
El Salvador
– Um triunfo fácil sobre o lanterna UES foi o suficiente para manter a vantagem do FAS na liderança do Clausura da Liga Mayor, agora com 26 pontos em 11 partidas. Isso mesmo com as vitórias de seus perseguidores mais próximos: no Clásico Centro-Oriente, o Alianza goleou o Águila por 5×1 e chegou aos 21 pontos, enquanto o Santa Tecla bateu o Atlético Marte e alcançou os 20;
Guatemala
– A perda da invencibilidade fez mal ao Comunicaciones, que somou sua segunda derrota consecutiva, superado pelo vice-lanterna Petapa na rodada do fim de semana. Mesmo com o revés, os Cremas mantiveram a liderança do Clausura, com 24 pontos em 12 jogos, mas viram o Deportivo Malacateco, que superou o Universidad, encostar, agora apenas um ponto atrás;
– Já o Municipal conseguiu sua primeira vitória na Liga Nacional. E foi suada. Contra o Halcones, em casa, os maiores campeões nacionais estiveram por duas vezes atrás no placar, mas contaram com gol do brasileiro Leandrinho, ex-Londrina e Portuguesa Santista, para virar a partida. Mesmo com o triunfo os Escarlatas ainda ocupam a última posição do torneio, com apenas 7 pontos somados;
Honduras
– Apenas dois jogos da 15ª rodada foram disputados, mas um deles alterou a ponta da competição: o Real Sociedad superou o Victoria fora de casa e assumiu a liderança da Liga Nacional, com 26 pontos em 15 partidas, um a mais que o vice-líder e atual tricampeão Olímpia, que recebe o Platense na quinta-feira, no duelo que encerra a rodada do Clausura;
Panamá
– Mesmo superado pelo Plaza Amador, o San Francisco manteve a liderança do Clausura da Liga Panamenha, com 25 pontos em 13 partidas. Enquanto isso, o Árabe Unido bateu o Alianza e assumiu a vice-liderança, com 23 pontos.



