México

Reajuste de planos

Passou quase despercebida de boa parte da imprensa nas últimas semanas a troca de comando no Deportivo Saprissa, mais vitorioso clube costarriquenho. O clube tinha cerca de 67% de suas ações nas mão do empresário mexicano Jorge Vergara, também dono do Chivas de Guadalajara e do Chivas USA, que vendeu a maior parte delas para um grupo de empresários do país centro-americano.

Proprietário e fundador do Grupo Omnilife, uma holding com cerca de 200 empresas que atuam em diversos setores, Vergara adquirira o controle majoritário da equipe em 2003, como parte dos planos para fortalecer o grupo no país.

Mais do que isso, contudo, o empresário pregava na aquisição o desejo de implantar no time a mesma filosofia utilizada no Guadalajara: fortalecimento das categorias de base e utilização exclusiva de jogadores nativos no time profissional.

Em oito anos sob o comando do empresário, o El Monstruo conquistou sete campeonatos nacionais, uma Copa dos Campeões da Concacaf e um terceiro lugar no Mundial Interclubes da Fifa.

Boa parte da mídia costarriquenha, contudo, contesta o legado deixado por Vergara. O diário Al Día apontou que o estádio Ricardo Saprissa, na capital San José, tem graves problemas de infraestrutura, além de limpeza precária e perigo nas instalações atualmente utilizadas.

Apesar de inicialmente negar a venda do clube, o acordo foi selado com o Grupo Horizonte Morado, que já declarou ter a intenção de utilizar a política de contratações de jogadores estrangeiros para fortalecer o clube.

De certa forma, uma derrota para a política nacionalista utilizada por Vergara nas Chivas de manter um time formado exclusivamente por jogadores nascidos no país ou região na qual se localiza o clube. Uma política que em poucos times do mundo ainda sobrevive. Resta saber até quando times como o Guadalajara terão espaço no futebol cada vez mais globalizado. Na Costa Rica parece que não mais.

Rodada decisiva

Na penúltima rodada da fase regular do Clausura 2011, nenhum time garantiu a classificação para a Liguilla, e as cinco vagas restantes (Pumas, Tigres e Morelia já obtiveram a classificação) serão definidas na última rodada. Guadalajara, Cruz Azul, Atlante, Atlas, Monterrey, América, Toluca, San Luis e Santos Laguna brigam por elas. Puebla, Pachuca, Estudiantes Tecos, Querétaro, Necaxa e Jaguares já não têm chances.

Tigres e Pumas continuaram na disputa particular pela melhor campanha geral. A UNAM bateu o rebaixado Necaxa por 1×0, em Aguascalientes, enquanto os Auriazules conseguiram uma excelente vitória por 3×0 sobre o já classificado Monarcas, em Morelia.

A disputa fica interessante pelo fato de, na última rodada, a despeito da vantagem na tabela, os de Pedregal terão pela frente um Clásico Capitalino frente ao América, desesperado pela vitória após desperdiçar a chance de garantir a vaga com o empate em 1×1 com o Atlante. Não que o Tigres tenha facilidade contra um Atlas na briga pela vaga na Liguilla, mas o fato de jogar em casa e a excelente fase dos comandados de Ferretti, que somam quatro vitórias nas últimas cinco partidas acirra a disputa.

No Clásico Azul, Guadalajara e Cruz Azul ficaram no 1×1, resultado ruim para ambos. As Chivas continuam em segundo no grupo 1, com 25 pontos, e agora decidirão a vaga na disputa direta contra o Monterrey, no Omnilife. O empate dá a vaga ao Rebaño Sagrado.

A chance de colocar a mão na vaga foi desperdiçada pelos Rayados após um decepcionante empate em casa contra o desclassificado Puebla. Sem vencer há cinco partidas, são grandes as chances de os atuais campeões ficarem fora da Liguilla.

Já a Máquina Cementera decidirá a classificação contra um San Luis ainda com esperanças de classificação após a excelente vitória por 3×1 contra o Santos Laguna, no estádio Corona, com um hat-trick do peruano Wilmer Aguirre. As chances dos Tuneros são pequenas, dada a acirrada disputa no grupo 2, mas com o time já eliminado da Libertadores e decidindo a vaga em casa, nada é impossível. Já os Laguneros têm chances mínimas e devem apenas cumprir tabela contra o Estudiantes Tecos.

Com a vitória por 2×0 sobre o lanterna Jaguares, os Zorros deram um importante passo rumo à vaga. O problema é que, na rodada decisiva o time enfrentará um empolgado Tigres.

Quem também ainda busca a vaga é o Toluca. Em casa, os Diablos abriram quatro gols de vantagem sobre o Estudiantes em casa. No segundo tempo, entretanto, após uma incrível reação dos Tecolotes, o time sofreu o empate e agora terá de vencer o Atlante, fora de casa, para sonhar com um avanço.

Equilíbrio azteca

Falo por muito por aqui (e também muito se fala por aí) do equilíbrio do campeonato mexicano. O que pode ser notado por dados históricos agora também pode ser conferido por estatísticas. Em seu blog Futrankings, Tomaz Alvez, um dos fundadores do Trivela, publicou recentemente um post tratando dos campeonatos nacionais mais equilibrados do mundo.

O resultado colocou a Primera División como vencedora entre os principais torneios. Até aí nenhuma surpresa. Mas o mais interessante é que para justificar o ranking, o jornalista elaborou um índice (utilizando de base um já existente) simples, mas eficaz. Vale a pena dar uma conferida (clique aqui) e verificar o distanciamento do campeonato mexicano para os demais.

O tão propalado equilíbrio não é apenas teórico. Afinal, como o próprio Tomaz aponta no blog, são 29 times com títulos nacionais, em 126 edições. Somente nos últimos nove torneios, sete times diferentes conquistaram a taça. Algo que também pode ter sido conquistado pelo formato de torneios curtos da Liga Mexicana e com os playoffs na fase final, fator que facilita a presença de surpresas e zebras e dificulta a formação de dinastias de campeões.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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