Quem para o América no Campeonato Mexicano?
Uma das torcidas mais populares do país. Um elenco caro e recheado de estrelas. Um recesso de títulos que incomoda dirigentes, torcedores e os comandantes do poderoso grupo de mídia Televisa, dono do clube, todos mal-acostumados com inúmeras taças anteriormente conquistadas. Um ambiente sempre pressionado e suscetível a resultados inesperados. Mas que, em 2013, parece mais preparado do que nunca para alcançar seu 11º título nacional. Esse é o América atual.
O melhor exemplo do poderio americanista foi dado no último fim de semana. Jogando em Hidalgo, contra um Pachuca que ainda busca a última vaga na Liguilla, as águias saíram atrás no placar, terminaram o primeiro tempo em desvantagem e ainda viram os rivais ampliarem logo no início da etapa complementar. O que em outros tempos seria motivo para desespero, cabeça baixa e conformismo com um novo revés transformou-se em tranquilidade e superação por parte dos Millonetas. Em um intervalo de apenas 15 minutos, o América não apenas empatou como virou e garantiu, com alguma dose de emoção, sua nona vitória na Liga MX.
O triunfo, aliado à derrota do Tigres no clássico Regiomontano, devolveu os Cremas ao topo da tabela. Dono do melhor ataque da competição e da segunda melhor marca de invencibilidade no Clausura, o América parece enfim ter encontrado a hora de certa de crescer no torneio: a hora da decisão. Se nos últimos anos os canários pecavam por realizar uma boa campanha, mas sucumbir exatamente nos momentos de maior pressão, alguns indícios no Azteca dão conta de que o cenário mudou.
O primeiro fator é exatamente um dos pilares ausentes (ou fortemente sufocado) nas campanhas anteriores: planejamento. E muito graças a chegada de Ricardo Peláez à presidência esportiva dos Cremas. Se os anos sob o comando de Michel Bauer ficaram marcados pela instabilidade no comando técnico e pelas cobranças ao vivo via emissoras e mídia impressa do próprio grupo por melhor rendimento das estrelas contratadas, a gestão do ex-meia se caracteriza pelo oposto. Com o objetivo de estabilizar o ambiente Azulcrema, Peláez se destaca pelas tentativas de blindar o elenco e oferecer à direção técnica uma continuidade poucas vezes vista em Coapa.
Vale dizer que desde o brasileiro Jorge Vieira, em 1990, um treinador do clube da capital não se mantém no cargo por mais de três torneios consecutivos, algo que Miguel Herrera parece cada vez mais próximo de alcançar. Claro que boa parte do mérito também cabe ao Piojo, como o mexicano é conhecido, capaz de colocar o América entre os quatro primeiros da fase regular nos três campeonatos que comandou os americanistas. Ainda assim, a mão da direção na mudança de mentalidade fica clara quando se percebe que as quedas para Monterrey e Toluca nas semifinais em 2012 seriam motivos suficientes para histerias e demissões em anos anteriores.
Além da mentalidade, outro ponto, tão importante quanto, parece diferente em 2013: o fator Benítez. A fase exuberante vivida por “Chucho”, autor de um triplete na última rodada, não surpreende. É quase que um consenso que o jogador, o mais caro da história do futebol azteca, é dono do melhor faro de gol no país e constantemente colocado na lista dos melhores em terras mexicanas. Nas cinco temporadas em que atuou na Liga MX, o equatoriano sempre reservou algum momento da competição para brilhar. O problema é que, sem apoio suficiente, em alguns dos momentos decisivos, o “fator Benítez” não era capaz de superar o fraco desempenho dos companheiros e o América sucumbia no mata-mata (ou antes).
Em 2013, dividindo a responsabilidade com o paraguaio Martínez, o argentino Sambueza e até mesmo com o excelente momento vivido pelo jovem Jiménez, as águias contam com uma opção para desafogo, caso “Chucho” não esteja em seus melhores dias. Isso sem mencionar o fato de que Benítez parece próximo de atingir o auge justamente no mata-mata, diferente de anos anteriores.
Ainda não é possível cravar que o América é favorito ao título. Até por que não faltam concorrentes de peso na disputa, alguns com elencos mais entrosados, caso de Tigres, Santos e Monterrey, outros vivendo momento excelente na competição, como os rivais Cruz Azul e Morelia. Mas já dá para afirmar que algo parece diferente no Azteca. O sentimento de pressão e inevitável decepção parece debelado. E, por si só, esse pode ser o empurrão que falta para os Millonetas colocarem um fim no incômodo jejum de oito anos.
Curtas
– Seleção da 16ª rodada site Mediotiempo: Oswaldo Sánchez (Santos), Leobardo López (Monterrey), Darío Verón (Pumas UNAM), Jonathan Lacerda (Puebla) e Carlos Gerardo Rodríguez (Toluca); Javier Cortés (Pumas UNAM), Christian Giménez (Cruz Azul), Alan Zamora (San Luis) e Jefferson Montero (Morelia); Héctor Mancilla (Morelia) e Christian Benítez (América); T: Miguel Herrera (América);
Costa Rica
– Um triunfo sobre o San Carlos deu tranquilidade e ampliou a folga do Herediano na liderança do Campeonato de Verano da Primera División, com 42 pontos em 21 jogos, abrindo quatro de vantagem para o Cartaginés, superado em casa pelo Belén Siglo XXI. Com 37 pontos, aparece o Saprissa, após vitória sobre o Carmelita, fora de casa. Já a atual campeão Alajuelense é a quinta colocado, com 34 pontos, tendo vencido o Puntarenas no fim de semana;
El Salvador
– Com uma vitória sobre o Atlético Marte, fora de casa, o FAS manteve a liderança do Clausura da Liga Mayor e de quebra tornou-se o primeiro time a garantir vaga nas semifinais da competição, com 33 pontos em 17 partidas. Vice-líder, o Alianza empatou sem gols contra o Once Municipal, soma 30 pontos e é seguido de perto por Juventud, Santa Tecle e Luis Ángel Firpo, todos com 29 pontos;
Guatemala
– Após tropeços inesperados nas últimas rodadas, o Comunicaciones venceu com facilidade o Juventud Escuintleca fora de casa por 3×0 e contou com o tropeço do líder Malacateco, derrotado pelo Mictlán, para encostar na briga pela liderança do Clausura da Liga Nacional. Os Albos somam 31 pontos em 17 rodadas, um atrás dos Toros. Enquanto isso, persiste a péssima fase do Municipal, derrotado em casa pelo terceiro colocado Heredia, e lanterna da competição, com apenas 10 pontos somados;
Honduras
– De virada e na casa do adversário, o Platense surpreendeu o Marathón a garantiu a última vaga nas semifinais do Clausura da Liga Nacional, onde enfrentará o líder e atual tricampeão Olímpia, com a partida de ida agendada para quinta-feira, em Puerto Cortés. Na outra série, o vice-líder Real Sociedad pega o Victoria, já com o primeiro duelo marcado para quarta-feira, em La Ceiba;
Panamá
– Com triunfos sobre Plaza Amador e Chepo, respectivamente, Tauro e San Francisco garantiram vaga nas semifinais do Clausura da Liga Panamenha. Na briga pelos últimos dois passes, o Árabe Unido (27 pontos) pega o Río Abajo (23), enquanto o Plaza Amador (25) recebe o Tauro e Sporting San Miguelito (24) duela contra o já rebaixado Atlético Chiriquí na última rodada.



