Prenúncio de um fracasso

Na última quarta-feira, o América enfrentou o Fluminense no Maracanã, no Rio de Janeiro, e foi derrotado por 3 a 2, em jogo válido pela quarta rodada do grupo 3 da Copa Libertadores. Na partida, mais do que o resultado, que não surpreende pelo clube brasileiro ser o atual campeão nacional, ficou latente a irregularidade e a falta de consistência do conjunto de Coapa.
Uma inconsistência que, diga-se de passagem, vem marcando toda a temporada das Águias. Por isso o duelo foi um retrato da atual situação do time. Mesmo estando em vantagem no placar em duas oportunidades e na maior parte do tempo, os Cremas perderam no mínimo quatro chances claras de definir a partida, aproximar-se da classificação e praticamente eliminar o time brasileiro.
De fato, como o técnico Carlos Reinoso comentou após a partida, os Millonetas estiveram melhor durante boa parte do jogo, sendo mais objetivos e criando muitas chances de gol. O oposto da apática apresentação do clube carioca, que se limitou aos chuveirinhos para a área americanista.
O que não foi percebido pelo treinador, é que, em termos de qualidade, o time brasileiro era claramente superior ao clube azteca, com muito mais jogadores que poderiam definir o jogo a qualquer momento. Ou seja, desperdiçar oportunidades em partidas desse tipo, é extremamente arriscado para a sequência do campeonato.
A lamentação ficou por conta da folga que o time mexicano poderia obter para buscar a classificação e até um melhor posicionamento num provável ranking da segunda fase. Quanto a classificação, apesar de ainda ter ótimas chances, uma possível perda de pontos em casa, contra o Argentinos Juniors, obrigará o time a decidir a vaga contra o nacional, no Uruguai. Com um resultado totalmente imprevisível.
O problema é que essa irregularidade vem se tornando praxe no desempenho dos Cremas. E a pressão já começa a tornar-se um incômodo para o chileno. Com essa derrota, já são três partidas seguidas sem somar pontos, uma pela competição continental e duas pela Primera División.
No Clausura, aliás, a situação do time demonstra de forma inequívoca a falta de regularidade que começa a preocupar os torcedores. De um começo sofrível, com apenas um ponto em três partidas, o time emendou três vitórias consecutivas. O que se viu a partir de então foi uma incrível série de duas vitórias sempre seguidas com duas derrotas, não importando o fator casa.
Algo que já ameaça fortemente a classificação da equipe para a Liguilla. Atualmente os Canários seriam os últimos classificados para os playoffs, caso a competição terminasse.
No grupo mais embolado da liga azteca (o dois), os Azulcremas estão em terceiro, com 16 pontos, empatados com líder e vice-líder, Atlante e San Luis, respectivamente. Com 15, aparecem na cola, Toluca e Atlas, apenas com o Pachuca correndo por fora, com 10 pontos. América e San Luis, entretanto, têm uma partida a mais que seus concorrentes.
Na disputa pelas vagas, ambos os times ainda dividem suas atenções em duas competições, coisa que não preocupa os demais.
Para ter sucesso na primeira parte da temporada, os Cremas terão de buscar alguma consistência em seus próximos jogos, além disso, precisarão de maior participação de suas peças-chave, incluindo Ochoa, Oliveira, Sánchez Pardo e Montenegro. Apesar do capitão Pavel Pardo apontar que o clube passa por uma crise resultados e não de atitude, muitos diretores, torcedores e jornalistas começam a questionar exatamente o contrário: a falta de maturidade do time em determinados momentos.
Tendo em vista as boas campanhas do clube na primeira fase dos últimos anos, e a expectativa da torcida de sair da fila de seis anos, uma eliminação logo na primeira fase das duas competições, de fato não está nos planos para 2011. Resta saber se as Águias terão força para reagir nos próximos jogos, cruciais para suas pretensões no restante da temporada.



