México

Polêmica antes de começar

O Libertad cresceu à sombra da Conmebol. Os gumarelos têm como torcedor mais ilustre o presidente da entidade sul-americana Nicolás Leóz, ele próprio um ex-presidente do clube alvinegro. Nos últimos anos, os liberteños conquistaram o bicampeonato paraguaio (são favoritos ao tri) e fizeram campanhas consistentes na Libertadores. Em teoria, seria uma equipe para se prestar atenção na Copa Sul-Americana. Mas isso não ocorrerá.

O técnico do clube, Rubén Israel, anunciou que deve escalar equipes reservas para a disputa da segunda principal competição de clubes da América do Sul. O motivo seria a falta de credibilidade técnica do torneio. Segundo ele, não há motivo para o Brasil ter oito representantes, a Argentina ter seis e os demais países terem dois cada. Israel considera haver falta de balanço e que nenhum ranking que pudesse ser feito justificaria tamanho desequilíbrio. Usar suplentes seria um modo de protestar.

Tal postura partindo do Libertad tem dimensão muito grande. Afinal, toda a estrutura do clube ainda é muito ligada a Leóz e uma crítica liberteña à Conmebol é como uma derrota “em casa”. E ela só ocorreria se a situação fosse particularmente séria. E é.

A crítica de Israel tem sentido. Ainda que não se discuta a superioridade de Brasil e Argentina diante dos demais países da América do Sul, há uma enorme falta de equilíbrio na distribuição de vagas. Do modo que é, desmotiva os países menores e banaliza a participação para equipes brasileiras e argentinas.

É nesse cenário que a edição 2008 do torneio terá início. Nesta semana, começa a fase preliminar, composta por quatro confrontos (apenas três jogarão desde agora). Veja o que se pode esperar desse início.

River Plate (URU) x Universidad Católica (CHI)
A expectativa é de duelos agradáveis. As duas equipes praticam um futebol ofensivo e com alguma qualidade técnica. Isso dá um aspecto de imprevisibilidade ao confronto, mas o River Plate perdeu Urretaviscaya e Robert Flores, seus dois principais jogadores, e ficou enfraquecido. Os chilenos são favoritos.

Universitario (PER) x Deportivo Quito (EQU)
Dois campeões nacionais do primeiro semestre. O Universitario venceu o Apertura peruano e o Deportivo Quito foi o primeiro colocado da primeira etapa do Equatoriano. Os cremas têm um time equilibrado e experiente, que precisa da Sul-Americana como preparação para a Libertadores 2009. Ainda assim, o duelo é igual, pois os quiteños têm um time equilibrado, alguns talentos e contam com a altitude.

Unión Maracaibo (VEN) x América de Cali (COL)
Favoritismo colombiano. O Unión Maracaibo está em fase de transição. Depois de três anos com pesado investimento da prefeitura marabina no clube, o UAM resolveu reformular o elenco. Vendeu boa parte das estrelas e conta com um time novo. Com isso, deve levar um tempo até praticar seu melhor futebol, o que facilita a vida do América, que manteve a equipe competitiva e barata no primeiro semestre.

Blooming (BOL) x Olímpia (PAR)
Duas equipes tradicionais que vivem crise técnica. O Blooming fez um Apertura melancólico na Bolívia. Só não foi pior que o Apertura do Olímpia no Paraguai, algo pífio. Por isso, celestes e decanos chegam ao segundo semestre com perspectiva de mudanças e com elencos bastante modificados. Pela própria dimensão de cada clube, os paraguaios são favoritos no duelo. Mas não devem ir muito longe no torneio.

Operações suspeitas

O envolvimento de tráfico de drogas e futebol deu uma melhorada na Colômbia. Pelo menos, não está nos níveis insuportáveis da década de 1980, quando um torneio chegou a ser cancelado por ameaça de morte a árbitros por parte de cartéis. Ainda assim, a situação atual não chega a ser límpida. Clubes ainda recebem recursos suspeitos e o envolvimento com grupos paramilitares (guerrilhas de direita, inimigas das Farc) é real.

Por isso, o governo colombiano pediu ao Fisco para investigar as operações financeiras dos clubes de futebol. O objetivo é verificar se o esporte não tem sido usado como lavagem de dinheiro. Mais de 1,1 mil transações são suspeitas, sobretudo porque muitas delas, na ordem de bilhões de pesos colombianos (COP 1 bilhão = US$ 560 mil), são feitas em dinheiro vivo.

O fato de realizar operações fora do sistema financeiro seria um modo de dificultar a fiscalização por parte da Receita. O governo estima em 70 o número de acionistas de clubes de futebol que participaram dessas movimentações financeiras. Além disso, entre os mais de 77,4 mil sócios dos clubes de primeira e segunda divisão, milhares não são identificados ou têm o mesmo endereço ou o equivalente colombiano ao CPF.

O governo elabora um decreto para que os clubes sejam obrigados a informar todas as suas movimentações financeiras e identificar corretamente seus sócios.

Terceira via costarriquenha

O Herediano se estrutura para superar as duas potências da Costa Rica, Alajuelense e Saprissa. Para isso, os florenses trouxeram duas as maiores estrelas da história do futebol costarriquenho: Paulo Cesar Wanchope e Hernán Medford. Wanchope já havia sido anunciado como técnico no início do mês. Nesta semana, Medford foi confirmado como diretor esportivo do clube de Heredia. Além disso, o clube contratou o atacante colombiano Óscar Briceño.

Por trás desses reforços está a empresária Roxie Blen, que assumiu o comando do clube pelos próximos 30 anos. A concessão foi aprovada pelos sócios depois de Blen pagar os US$ 500 mil de dívida do clube com o seguro social (equivalente ao INSS) e dois meses de folha salarial que estava atrasados.

O objetivo é acabar com o jejum que dura desde 1993. Nesse período, o clube se manteve com 21 títulos costarriquenhos, deixando-se superar por Saprissa (27) e Alajuelense (24). Essa decadência tem relação direta com a crise financeira do clube, que chegou a ter seu estádio fechado pelo seguro social em algumas oportunidades como forma de punição pelas dívidas.

Sport Boys resiste

Outro clube que tinha problemas financeiros era o Sport Boys. Os piratas tinham US$ 27 mil em dívidas trabalhistas e estavam com dificuldades para quitá-los. Caso não o fizessem até este fim-de-semana, teriam a inscrição negada para o Clausura, provocando automático rebaixamento.

Dois dias antes do prazo final, Alex Kouri, presidente da região de Callao, Luis Gordillo, presidente do Sport Boys, e empresários chalacos se reuniram para levantar o dinheiro. O encontro foi bem sucedido e os rosados poderão disputar o segundo semestre.

O problema é que, neste período de dúvidas, o clube liberou vários jogadores e trouxe poucos reforços. O elenco está muito reduzido e talvez nem esteja completo para a estréia, em casa contra o Cienciano. De qualquer modo, é uma sobrevida para um dos clubes mais tradicionais do Peru.

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Equipe Trivela

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