México

Podia não valer tanto, mas México e Venezuela nos brindaram com um jogaço

A Copa América Centenário pode estar um tanto quanto deslocada no calendário. Ainda assim, vem oferecendo excelentes partidas. Na noite desta segunda, mais uma aconteceu para definir o topo do Grupo C. Já classificados, Venezuela e México se enfrentaram em Houston pela liderança, mesmo poupando alguns jogadores. Protagonizaram 90 minutos intensos, em que o empate por 1 a 1 acabou beneficiando os mexicanos, donos da melhor campanha – para delírio dos compatriotas que encheram as arquibancadas e fizeram muito barulho.

A noite, entretanto, contou com a Venezuela surpreendendo. Logo aos nove minutos, a partir de uma bola levantada na área, José Velázquez anotou um golaço. O camisa 6 virou uma bela acrobacia para vencer o goleiro José Corona. O México seguiu melhor, diante da desvantagem. Ia bombardeando a meta da Vinotinto, mas parava diante do esforço defensivo dos adversários, que ainda tentavam explorar a velocidade nos contragolpes.

Símbolo da entrega venezuelana, Wilker Ángel chegou a travar um chute de Oribe Peralta, no início do segundo tempo, com um peixinho. E o tempo complementar teve primeiros minutos abertos, entre a pressão do México e os contra-ataques perigosos da Venezuela. Aos 22, Juan Carlos Osório enfim resolveu lançar mão de seu astro, Chicharito Hernández, que começou no banco. Com mais presença de área, El Tri martelava. O empate parecia questão de tempo.

O goleiro venezuelano ia saindo como herói ao realizar, aos 30, aquela que tem tudo para ser a grande defesa da Copa América. Daniel Hernández espalmou um desvio à queima-roupa, antes de se recuperar a tempo de também salvar o rebote. Mas, quatro minutos depois, nada pôde fazer diante do talento de Tecatito Corona. O camisa 10 criou uma jogada de Messi, enfileirando os oponentes antes de chutar forte. No fim, a Venezuela ainda tentou buscar a vitória, em linda bicicleta de Josef Martínez que José Corona espalmou. Garantiu a festa mexicana.

Por tudo o que vem apresentando nesta Copa América, o México pinta entre os favoritos. Tem a torcida a seu favor, bons jogadores à disposição e uma equipe bem organizada. Já a Venezuela, ao contrário do que vinha fazendo nas Eliminatórias, está longe de ser carta fora do baralho. Rafael Dudamel acertou o time, que parece capaz de seguir surpreendendo. O jogaço em Houston, mesmo que sem alguns dos protagonistas desde o início, evidencia muitas das qualidades de ambos os lados.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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