México

Pelo fim do domínio nortista na liga mexicana

O campeonato mexicano, equilibrado por essência, contou com campeões variados nas últimas edições. Uma coisa, entretanto, permaneceu igual: a taça, invariavelmente, ficou no norte do país. Os clubes da região levaram oito dos dez últimos torneios nacionais, inclusive decidindo três finais entre si. Monterrey, Santos, Tigres e Tijuana dominaram a Liga MX, com o primeiro estendendo seus domínios, também, para toda a Concacaf, obtendo o tricampeonato continental da Concachampions.

Em contrapartida, os clubes da capital azteca, alguns dos mais populares do país, enfrentaram jejuns de títulos e frustrações nas retas finais. Se o Pumas ainda alcançou quatro taças no novo século (e desde então enfrenta uma queda de rendimento vertiginosa), o América não vence a competição desde 2005, enquanto o pior cenário é vivenciado pelo Cruz Azul, na fila há 16 anos e quatro vezes superado na final pelo título desde então.

Cenários contrastantes pelas histórias e tradições das equipes de ambas as regiões, mas que, ao menos momentaneamente, está próximo do fim. Com os triunfos de América e Cruz Azul, sobre os nortistas Monterrey e Santos, respectivamente, no último fim de semana, a Cidade do México contará com uma decisão entre dois clubes locais depois de 11 anos. Em 2002, o América sagrou-se campeão do Verano ao superar o Necaxa na final, pouco antes dos Electricistas mudarem sua sede para Aguascalientes. Já a última decisão opondo os rivais do Clásico Joven aconteceu há 24 anos, culminando com o título dos canários do campeonato mexicano de 1988/89.

E as vitórias do fim de semana não foram triunfos simples. Foram resultados contundentes sobre os dois clubes que decidiram as duas últimas edições da Concacaf Champions League. Enquanto a Máquina Azul praticamente selou a classificação na partida de ida, com um inapelável 3 a 0 em Torreón, sacramentando a vaga com nova vitória no estádio Azul, os Millonetas fizeram um duelo acirrado frente ao Monterrey no primeiro jogo, obtendo um importante empate com gols na casa do rival, para assegurar uma vitória tranquila e indiscutível no lotado estádio Azteca, com nova partida triunfante de “Chucho” Benítez.

Mais importante até mesmo que o fim da seca dos times da capital, está o ressurgimento da força dos principais clubes da região. Seca de títulos, frustrações, pressões internas, problemas administrativos e fraco desempenho internacional não foram suficientes para diminuir a base de torcedores dos clubes capitalinos. Nem mesmo serviram de justificativa para reduzir o investimento realizado pelos clubes da maior cidade do país. Ainda que tenham as maiores folhas salariais e os grandes craques da Liga MX, América e Cruz Azul não conseguiram transformar essa vantagem em títulos, investindo principalmente em atletas com fama internacional, mas também de alto custo para suas folhas salariais.

Utilizando um modelo administrativo mais enxuto, apostando em peças sul-americanas de maior potencial de retorno e abrindo espaço para suas prolíficas categorias de base, Monterrey, Santos, Tigres e, mais recentemente, Tijuana, encontraram uma fórmula para dominar a Liga MX. Além dessa equação, tornou-se crucial a manutenção do planejamento a longo prazo, ainda que o retorno não fosse imediato. Vucetich nos Rayados e Ferretti nos felinos são os grandes exemplos de continuidade, ambos com tempo e recursos para montar elencos que se adequassem às suas características, obtendo entrosamento e títulos. Uma fórmula que o próprio América usou de exemplo no trabalho de Miguel Herrera, próximo de completar dois anos no cargo, uma eternidade se comparado aos demais treinadores que passaram pelo banco Crema nos últimos anos.

Águias e Cementeros não mudaram tanto sua forma de atuação, seja no mercado, seja em campo, ambos caracterizados por pressões extremas tanto interna quanto externamente, com torcidas apaixonadas e exigentes. Os rivais parecem apenas ter corrigido sua rota, realizando ajustes cruciais para diminuírem a diferença para os clubes do norte azteca. A decisão entre os clubes da capital pode não ser uma tendência que perdure por muitos anos, com os clubes nortistas reconquistando o domínio da Liga MX nas próximas temporadas. Ainda assim, é um sinal de que há vida na Cidade do México. E sedenta por títulos e pelo retorno ao papel de protagonismo no futebol azteca.

Curtas

– Com os visitantes vencendo as partidas por 1×0, La Piedad e Neza decidiram a vaga na próxima temporada da Liga MX nos pênaltis: 5×3 para os Reboceros e a cidade de La Piedad terá novamente um clube na elite do futebol azteca depois de 11 anos de ausência;

– O esperado se concretizou: a franquia do Jaguares foi vendida ao empresário Amado Omar Yáñez, que oficializou a mudança de sua sede para Querétaro, mantendo os Gallos Blancos na Primera División para a próxima temporada;

Costa Rica

– De virada e em casa, o Cartaginés bateu o Herediano por 3×1 na primeira partida da decisão do Campeonato de Verano da Primera División e está próximo de encerrar o jejum de 73 anos sem o título nacional. O duelo de volta acontece no próximo sábado, em Heredia, e os Brumosos podem perder por até um gol de diferença que ainda assim ficam com a taça;

El Salvador

– Maior campeão nacional, o FAS espantou a zebra e com um triunfo simples, em casa, eliminou o Juventud Independiente para garantir vaga na decisão do Clausura da Liga Mayor. O adversário será o Luis Ángel Firpo, que bateu o Alianza e, após empate no agregado, ficou com a vaga pela melhor campanha na primeira fase;

Guatemala

– Com uma vitória simples sobre o Xelajú, em casa, o Comunicaciones manteve a vantagem na liderança do Clausura da Liga Nacional, com 40 pontos em 20 partidas. Vice-líder, o Malacateco alcançou os 36 pontos após superar o lanterna Municipal, também por 1×0. Um ponto atrás aparece o Heredia, que massacrou o Halcones com um contundente 5×0;

– Faltando duas rodadas para o fim da fase de classificação, Marquense, Suchitepéquez, Mictlán, Universidad SC e Halcones seriam, hoje, os classificados para a fase final. Xelajú e Petapa ainda brigam pelas vagas, enquanto o já rebaixado Juventud Escuintleca e o lanterna Municipal não têm mais pretensões no campeonato;

Honduras

– Com gols de Roger Rojas e Brayan Beckeles, o Olímpia deu o troco pelo revés na primeira partida, bateu o Real Sociedad e alcançou o inédito tetracampeonato consecutivo da Liga Nacional. De quebra, o título do Clausura foi a 26º conquista da história dos Albos, de longe os maiores campeões hondurenhos;

Panamá

– De forma surpreendente, o Sporting San Miguelito goleou o favorito San Francisco por 4×1 e sagrou-se campeão do Clausura da Liga Panamenha, obtendo sua primeira conquista nacional. Os Acadêmicos contaram ainda com o artilheiro da competição, o jovem atacante Ricardo Clarke (10 gols), e o melhor goleiro do torneio, Alex Rodríguez.

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