México

O preço de Ronaldinho que nenhum clube do mundo consegue pagar

As imagens falam por si. Representam o tamanho de Ronaldinho para o futebol. O craque que é reverenciado pelos próprios companheiros, que motiva invasões de campo apenas por abraços, que faz os próprios rivais brigarem por seus espólios. A essência do futebol vive na genialidade de R10. O sorriso provocado pelo ídolo é suficiente para valer o ingresso. Para bancar o investimento em seu futebol.

Durante os últimos meses, as críticas sobre Ronaldinho no México foram fortes. Era um veterano que custava caro aos cofres do Querétaro, não rendia em campo e nem sempre se mostrava compromissado. Mas como dizer que o dinheiro é perdido se, em um lance simples, o craque faz história? Se ele consegue criar uma jogada que não sairá da mente dos torcedores nunca mais? Principalmente, se ele cresce no momento decisivo e faz o time sonhar com uma glória inédita? O que vem acontecendo nas últimas semanas.

A resposta de Ronaldinho às críticas veio com gols e lances espetaculares. Ao longo do último mês, R10 recuperou a forma excepcional, balançando as redes cinco vezes em seis partidas. Ajudou o Querétaro a avançar aos mata-matas e marcou o gol decisivo na classificação rumo às semifinais do Clausura, no empate por 2 a 2 contra o Veracruz. Contou com a ajuda do goleiro, é verdade. Mas nada além de seu talento justifica o passe de calcanhar para William, que poderia ter resultado em mais um gol de sua equipe. A tal magia que faz tantos olhos brilharem.

Botando na ponta do lápis, o salário de um milhão de dólares anuais parece mal gasto, diante da baixa produtividade de Ronaldinho em seus primeiros meses no Querétaro. Mas o que paga os seus dribles, os seus passes, a sua mágica? O gosto do torcedor em ver um dos melhores da história no próprio clube? Existem bens imateriais. Como o encantamento que R10 provoca. Qualquer milhão de dólares é pouco para bancar a gargalhada fácil. Que o camisa 49 seja acusado de “enganador” no futebol dos números frios, nunca será naquilo que fica gravado na memória.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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