México

O melhor e o pior do Apertura

Findado o torneio Apertura 2010 e o Mundial de Clubes, faremos um resumo no que de melhor aconteceu na primeira parte do Campeonato Mexicano, com os destaques e decepções do futebol azteca. O título ficou com o Monterrey, que derrotou o Santos Laguna na final. Mas outros quatro clubes também tem motivos para sorrir ou chorar com o desempenho.

Sobe

Monterrey
Uma defesa sólida, um meio-campo ousado e ofensivo, além de um ataque matador. Com essa mistura, o técnico Victor Vucetich conquistou seu quinto título mexicano (o segundo com os Rayados). Com a experiência de Osório e a combatividade do capitão Basanta atrás, a criatividade, habilidade e técnica refinada do meio-campo com Neri Cardozo, Walter Ayoví e a grata surpresa Eduardo Zavala, além de De Nigris e a excelente fase de Suazo na frente.

O Monterrey garantiu com facilidade sua vaga na Liguilla, e no mata-mata fez valer a sua superior qualidade para garantir o título. Um título sem sobressaltos como mostrou a vitória por 3×0 na partida decisiva. Os Albiazules aproveitaram os vacilos dos maiores rivais (América e Cruz Azul) e obteve sua segunda taça nos três último nacionais. O desafio agora será manter a base campeã de Vucetich. E Suazo. Que numa fase inspirada dificilmente pode ser parado.

Cruz Azul
Melhor equipe da fase regular com 39 pontos, time que mais venceu (12 vezes), menos perdeu (2 derrotas), melhor ataque (33 gols) e melhor defesa (13 gols). Tudo levava a crer que Lá Maquina Azul finalmente colocaria um fim ao tabu que já dura 13 anos sem títulos da Liga. E na primeira partida das quarta-de-final vitória por 1×0 fora de casa. Tudo conspirava para um torneio perfeito. Contudo, um surpreendente revés no estádio Azul, com um gol aos 39 da etapa final, pôs fim ao sonho.

Mesmo com o baque, o presidente Guillermo Cuevas manteve a calma e não promoveu uma caça às bruxas. Manteve Enrique Meza como treinador dos Cementeros e já preparou um novo pacote de aquisições para o Clausura 2011 (veja na seção Curtas). A base também foi mantida, o que garante ao Cruz Azul o posto de favorito para a continuação da temporada e transforma em aproveitável a primeira parte da temporada. A mística e o peso da camisa ainda fazem a diferença.

Santos
O vice-campeonato após a vitória na primeira partida da decisão pode ter sido amargo, mas o time Lagunero vem mostrando uma ótima consistência nos últimos torneios. A classificação na fase regular veio sem sobressaltos e a final foi alcançada com uma surpreendente vitória na capital azteca que eliminou o favorito América e tornou os comandados de Romano até mesmo favoritos para a conquista.

Boa parte do sucesso Guerrero veio de sua jovem dupla de ataque sul-americana: o colombiano Carlos Quintero e o equatoriano Christian Benítez. Com 23 e 24 anos, respectivamente, a dupla garantiu a artilharia para Benítez e a segunda decisão nacional consecutiva para o clube. Vice pela quinta vez em cinco finais, a decepção em Torreón ficou mesmo para o técnico Rubén Romano.

Desce

Necaxa
O retorno triunfal à Primeira Divisão parecia indício de boas campanhas do time do Grupo Televisa. Mas o Rayo foi a grande decepção de 2010. Sem muitas opções e com o pior ataque do Apertura 2010 (apenas 14 gols marcados), o time terminou o torneio com o 15º lugar e com a situação complicada na tabela de rebaixamento.

No Clausura, os Electricistas, hoje em último lugar na tabela, disputarão contra Querétaro, Atlas e Atlante. Somente um cai para a Liga de Ascenso. Pelos poucos reforços, o treinador Daniel Brailovsky já sabe que terá de se esforçar para melhorar a média da equipe na matemática do descenso apenas com o que têm em mãos. Algo que não conseguiu em 2010.

Pachuca
Não é necessário falar muito da temporada do Pachuca (o time já foi dissecada na última coluna), mas vale uma última ressalva que mostra deve ser a temporada do time em 2011. Assim como em boa parte do ano, na última partida pelo Mundial de Clubes (veja abaixo), o destaque (e a salvação) do time foi Darío Cvitanich. Mas a saída do argentino já foi confirmada pelo vice-presidente do time de Hidalgo, Andrés Fassi. Além disso, o time pode perder o meia Braulio Luna e o atacante Daniel Arreola para o Atlas.

O grande problema dos Tuzos no Apertura foi a expectativa que a equipe criou na primeira metade do ano, com o título intercontinental e a semi no Bicentenário (Clausura) 2010. Mas a decepcionante performance no Mundial e a eliminação logo nas quarta da Liguilla deixam o time como uma incógnita e como uma promessa da temporada que não vingou. Fica a dúvida para o que será em 2011.

Chivas Guadalajara
Há quatro anos sem disputar uma final nacional, o Chivas pouco ameaçou os favoritos no Apertura e ficou de fora da Liguilla decisiva. Jorge Vergara investiu timidamente, mas é fato que o Rebaño Sagrado conta com um elenco forte e perigoso, ainda longe de obter o potencial esperado.

A campanha fraca do time de maior torcida do México contrastou com a vaga na final da Libertadores, onde foi derrotado pelo Internacional. Para 2011, dificilmente o time de Guadalajara fará grandes investimentos, o que torna a expectativa de brigar pelo título algo distante para o clube.

Artilharia

Bastou apenas uma temporada e míseros quatro gols no Birmingham para Christian Benítez perceber que a Premier League inglesa (ainda) não é seu lugar. A “Primera División”, todavia, é. Foram 16 gols, uma impressionante média de 0,87 por partida, deixando até o grande destaque da temporada, o chileno Humberto Suazo, para trás, com um gol a menos.

Em terceiro lugar, ficaram dois atacantes que já abandonaram seus clubes para a próxima temporada: o brasileiro Itamar (Tigres) e o peruano Johan Fano (Atlante), ambos com nove gols marcados.

Revelação

Com apenas 21 anos, Hiram Mier conquistou o posto de titular ao lado de uma dupla de zaga sólida e experiente. Com Osório e Basantas formou uma zona defensiva responsável por boa parte do sucesso Rayado. E em 4 meses já conquistou seu primeiro título nacional.

Proveniente das categorias de base do Monterrey, o jovem já chamou a atenção do técnico do selecionado nacional e pode reforçar a El Tri em breve. Seguro, com bom passe e rápido na antecipação. Uma das boas promessas do futebol mexicano.

Outros dois destaques marcaram o Apertura 2010. No Cruz Azul, destaque para a consolidação do jovem e habilidoso meia-direita Javier Aquino. E no San Luis, vale ressaltar a rapidez do atacante Otoniel Arce, que futuramente poderá ser um problema para os defensores rivais.

Seleção do Apertura 2010

Jesús Corona (Cruz Azul), Fausto Pinto (Cruz Azul), Mauricio Romero (Morelia), Aquivaldo Mosquera (América) e Iván Estrada (Santos); Gerardo Torrado (Cruz Azul), Christian Giménez (Cruz Azul), Walter Ayoví (Monterrey) e Neri Cardozo (Monterrey); Christian Benítez (Santos) e Humberto Suazo (Monterrey); Técnico: Enrique Meza (Cruz Azul).

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