México

O lado B de Guadalajara

Para os fãs de futebol mexicano que acompanham com afinco o dia a dia dos torneios aztecas é fácil apontar quais são os grandes clubes do país. Também é fácil reconhecer as grandes rivalidades. E bastam apenas algumas semanas vivenciando o esporte por lá para perceber que Guadalajara é um dos berços do futebol, com torcedores apaixonados e uma rivalidade insana entre seus dois principais clubes. E não é difícil apontar Chivas e Atlas como as grandes vitrines da cidade, partes do acirrado Clássico Tapatío. Com o hiato de títulos e boas campanhas dos grandes, contudo, outro time vem atraindo a atenção para a capital do estado de Jalisco.

No último fim de semana, os Leones Negros da Universidad de Guadalajara superaram o La Piedad, atuais campeões da Liga de Ascenso, fora de casa, com dois gols do argentino naturalizado israelense Eial Strahman, ex-River Plate (ARG). O triunfo ampliou a série invicta da equipe para oito partidas, sendo sete vitórias e apenas um empate, com 22 pontos, na ponta do Clausura da segunda divisão azteca.

A vantagem para o segundo colocado, Correcaminos, agora é de seis pontos. A U de G tem o segundo melhor ataque, com 11 gols marcados, sete deles anotados por Strahman, que depois de deixar os Millonarios, rodou por vários clubes e já era tido como “foguete molhado” até encontrar-se no futebol mexicano. O ponto forte dos Leões, contudo, vem sendo a defesa, vazada apenas duas vezes em oito duelos. Comandada pelo regular goleiro Humberto Hernández e pelo experiente Luis Cano, o setor sustenta a boa fase do clube, revelando promessas como os jovens Fidel Vázquez e Christian López, crias da base leonina.

O elenco, que mistura peças de larga rodagem pelas divisões inferiores do futebol azteca, com jovens das “Fuerzas Básicas” locais, é comandado por Luis Alfonso Sosa, ex-meio–campista de sucesso defendendo as cores universitárias na década de 1980. Em seu currículo, a formação do time que conduziu o recém-criado Indios de Ciudad Juárez ao topo do futebol mexicano em meados da década passada. Ex-auxiliar técnico de Cruz Azul e León, Sosa tem agora uma chance de ouro para tentar conduzir os Leones à elite da Liga MX, quase duas décadas depois de sua última participação na Primera División.

Ao contrário do possa aparecer, entretanto, o clube tem tradição e historia, e não apenas dentro do país: em 1978, o time conquistou a Copa dos Campeões da Concacaf, principal competição interclubes continental. É verdade que não foi preciso muito trabalho para alcançar a taça. Vice-campeão nacional em 1977, após vencer o Pumas UNAM nas eliminatórias da zona norte-americana, os Melenudos nem precisaram entrar em campo para disputar a fase final. Em virtude de dificuldades geográficas para o agendamento dos duelos, a Concacaf dividiu a taça entre Leones, Defence Force (TRI) e Comunicaciones (GUA), vencedores das demais zonas continentais.

Ainda que as dificuldades não tenham se acumulado, vale lembrar que o título é um objetivo ainda não atingido por pesos-pesados do futebol azteca. Tigres, Santos e León estão entre os grandes do país que nunca venceram a atual Concachampions. Mesmo entre os primos ricos locais essa não é uma conquista de fácil alcance. O Chivas tem apenas uma taça, obtida na primeira edição da disputa, em 1962, enquanto o Atlas nunca nem mesmo participou da competição.

A história do clube universitário é ainda mais rica na Primera División mexicana. São exatas 750 partidas disputadas na elite, durante 21 anos ininterruptos (1974 a 1994), três vice-campeonatos nacionais (1976, 1977 e 1990), além de uma Copa México (1991) e elencos que marcaram época no futebol azteca, com nomes como Ignacio Calderón, Roberto da Silva, Luís Gilberto Plascencia, Mario “Borja” García e Carlos de Jesús Eusebio. A permanência dos Melenudos no topo teve fim em 1994, quando a Femexfut (Federação Mexicana de Futebol) adquiriu a propriedade da franquia a fim de abrir caminho para a redução do número de clube na primeira divisão. Alegando transações financeiras fraudulentas, baixo nível técnico e pouca presença de público nos duelos dos leones, a opção foi por manter a franquia do time na Segunda Divisão azteca, os Bachilleres, que conquistariam o título do equivalente ao terceiro nível nacional em 1997.

O hiato de 15 anos terminou apenas em 1999, quando a Universidade de Guadalajara investiu cerca de 800 mil dólares para obter a licença de participação do antigo Club Deportivo Tapatío e conseguiu a inscrição na Liga de Ascenso, novamente sob a denominação de Leones Negros. Mandando suas partidas no tradicional estádio Jalisco, a U de G não passou de campanhas modestas nas primeiras temporadas, sempre brigando contra a queda para o terceiro nível azteca, da qual o clube se salvou em determinados momentos graças a delicada situação financeira de boa parte das franquias mexicanas, algumas das quais declararam falência, abrindo espaço para a manutenção da equipe no segundo escalão nacional.

Até por isso, surpreende a excelente largada obtida pelos universitários na atual campanha no Clausura. Nas últimas temporadas, todas as equipes que somaram 22 pontos alcançaram vaga na Liguilla, algumas obtendo o passe até com patamar inferior. Por isso, a briga dos Leones a partir de agora será pela liderança e a vaga direta nas semifinais dos playoffs. O pensamento no título e na possível disputa da vaga contra o campeão do Apertura (La Piedad) deverão ser consequências naturais. Mas dada as recentes fracas campanhas dos primos ricos na elite e a paixão dos guadalajarenses por futebol, não duvide se o incentivo que falta para devolver um terceiro membro de Guadalajara à elite vier das arquibancadas. E repleto de história e tradição.

Curiosidades Aztecas

Um fato interessante sobre o clube da Universidade de Guadalajara é que o apelido de “Leones Negros” foi dado pelo narrador Ángel Fernández em virtude do grande número de brasileiros defendendo as cores da equipe na estreia da Primera Divisón, em 1974, contra o América, no estádio Azteca. Jair de Jesús Pereira, Belarmino de Almeida Jr. (Nenê), Roberto Da Silva e Eusebio de Jesús, comandados pelo também brasileiro José Gómez Nogueira, tornaram-se, dessa forma, os responsáveis pelo apelido que seria cultivado pela torcida universitária desde então.

Curtas

– Seleção da 8ª rodada Trivela: Moisés Muñoz (América), Héctor Acosta (Toluca), José Basanta (Monterrey), Pablo Aguilar (Tijuana) e Jorge Estrada (Santos); Javier Cortés (Pumas UNAM), Lucas Silva (Toluca) e Marco Fabián (Chivas Guadalajara); Aldo de Nigris (Monterrey), Emanuel Villa (Tigres UANL) e Héctor Mancilla (Morelia); T: Ricardo Ferretti (Tigres UANL);

Costa Rica

– Mesmo jogando com um homem a menos durante quase todo o segundo tempo, o Cartaginés foi buscar o empate contra o Uruguay, fora de casa, e manteve a liderança e a invencibilidade no Torneo de Verano, com 20 pontos em 8 partidas, com boa margem para o vice-líder Carmelita, que também não passou de um empate fora de casa com o Herediano e soma 16 pontos, enquanto o clube de Heredia ocupa a penúltima colocação;

– Quem brilhou na rodada da Primera División foi a Alajuelense, que goleou fora de casa o Santos de Guápiles, por 4×1, e subiu para a 4ª posição, com 11 pontos. O Saprissa, outro que não passou de um empate frente ao Limón, em casa, alcançou 9 pontos na 8ª posição;

El Salvador

– No Dérbi Santaneco, Isidro Metapán e FAS não saíram do empate por 1×1, em Metapán, resultado que manteve os visitantes na ponta do Clausura da Liga Mayor, com 13 pontos em 5 jogos. Mesmo perdendo os 100% de aproveitamento, os Tigres foram beneficiados pela derrota do Juventud Independiente em visita ao Atlético Marte;

– “La Juve” manteve a vice-liderança, com 10 pontos, mas agora tem a companhia de Santa Tecla, que goleou a lanterna UES por 4×0, e Alianza, que superou com facilidade o Luis Ángel Firpo por 3×0, fora de casa, no “Clásico Joven”;

Guatemala

– Na Liga Nacional o desafio continua sendo parar o Comunicaciones. Os Cremas chegaram a quinta vitória em cinco partidas ao superar o Juventud Escuintleca com dois gols do veterano atacante uruguaio Paolo Suárez, irmão do atacante do Liverpool, e somam 15 pontos no Clausura, além de aumentarem a série invicta que dura desde o último Apertura para 15 partidas;

– Aproveitando o tropeço dos demais concorrentes, o Heredia venceu o gigante Municipal pelo placar mínimo e assumiu a segunda posição, com 12 pontos, enquanto os escarlatas seguem em péssima fase, dividindo a lanterna com o Deportivo Petapa e apenas um ponto somado em cinco duelos;

Honduras

– Em duelo repleto de emoções e reviravoltas, o Victoria bateu o Real España por 4×3 e assumiu a liderança do Clausura da Liga Nacional, com 15 pontos em 8 partidas.

– Atual tricampeão nacional, o Olímpia não saiu do zero frente a Real Sociedad e soma 13 pontos, dividindo a vice-liderança com Marathón, que empatou com o Vida, e Platense, que venceu o Motagua por 1×0;

Panamá

– No duelo pela ponta, o San Francisco contou com dois gols do colombiano Edinson Villalba para superar o Río Abajo e abrir vantagem na liderança do Clausura da Liga Panamenha, com 17 pontos em 8 jogos. Árabe Unido e Sporting San Miguelito, com 13, dividem o segundo posto.

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