México

O Grande Dragão Celeste

O superclásico cruceño estava virtualmente encerrado. Faltavam apenas três minutos e Oriente Petrolero e Blooming empatavam por 2 a 2. Até que, em um ataque dos refineros, o dianteiro Medina tromba com o zagueiro Jáuregui. O jogador do Blooming não gosta e empurra o uruguaio. Ambos são expulsos. O defensor se irrita ainda mais e, na saída do campo, dá uma voadora na cabeça do rival. E tem início a confusão.

O ataque foi violentíssimo. Medina chegou a ficar desacordado em campo, a ponto de o departamento médico do Oriente Petrolero desconfiar de lesão cerebral. Os exames deram resultados tranquilizadores: “apenas” escoriações na parte anterior inferior do pescoço e na região esquerda do tórax. O uruguaio ficará 12 dias no estaleiro.

O fato de o atacante ter saído relativamente bem da agressão não serviu para amenizar os ânimos. O Oriente Petrolero processou Jáuregui – que é da seleção boliviana – na Justiça comum e ainda pede punição esportiva pela agressão. O clube alviverde queria 3 anos, mas o Tribunal de Justiça Desportiva dá sinais que suspenderá o zagueiro por um período de 1 a 2 anos.

A situação pode, porém, ficar ainda pior. A Promotoria de Santa Cruz de la Sierra anunciou que investigará os acontecimentos no clássico da cidade e ameaça fechar o estádio Ramón Tahuichi Aguilera por falta de segurança. Até porque a briga entre Jáuregui e Medina não foi isolada: após a agressão, vários jogadores e torcedores continuaram a confusão.

Aí, desperta-se o fantasma de outra confusão envolvendo o Blooming, ocorrida pouco mais de uma semana antes, pela Copa Sul-Americana. Na partida contra o River Plate uruguaio, um torcedor bloominista invadiu o gramado e agrediu um jogador visitante. Inflamado, o resto da torcida passou a atirar objetos no gramado, forçando o árbitro a encerrar a partida por falta de segurança. O jogo, que ficou no 1 a 0 para o River no gramado, foi computado como 3 a 0.

Fica evidente que há algo mais sério por trás desses dois casos. Não dá para considerá-los eventos isolados. O futebol boliviano é o mais bagunçado da América do Sul (o Peru vive momento especialmente ruim, mas, em uma média de cinco anos, a Bolívia vence) e a falta de comando das autoridades é gigantesca. Como exigir que torcedores e jogadores respeitem as regras se todo ano há intensa disputa por mudanças no regulamento, alterações nas leis trabalhistas envolvendo atletas e nenhum investimento estrutural?

Jáuregui deve pegar um gancho pesado, que provavelmente será atuado depois de um tempo. O estádio Ramón Tahuichi Aguilera deve se submeter a algumas obras de perfumaria. E o futebol boliviano continua na mesma, como se esse tipo de acontecimento fosse normal.

Alianza Esperança

“Clube de futebol carente, não tem dinheiro para se sustentar. O risco de fechar as portas é real. Mas você pode ajudar. Isso mesmo, você! Faça sua contribuição e não deixe que centenas de cidadãos percam seus empregos e milhões de pessoas fiquem sem seu lazer”. É mais ou menos com esse espírito que o Alianza Lima vai tentar se salvar da falência.

Em outubro, os íntimos organizarão um Teleton. O objetivo é o que você já deve ter imaginado: motivar seus torcedores a doarem dinheiro ao clube. Os jogadores apoiam a iniciativa. Tanto que Jayo – um dos mais experientes da equipe – já se ofereceu para dançar no evento. Aparicio convocou os membros das barras bravas do Alianza para doar 1 sol cada um.

A diretoria aliancista espera arrecadar o suficiente para equacionar a dívida do clube com a Receita peruana, que gira em torno de 10 milhões de soles (US$ 3,3 milhões). O problema não é novo, mas ficou mais delicado nos últimos meses. A Sunat (a Receita Federal do Peru) ameaçou intervir no clube e até a leiloar o estádio Alejandro Villanueva.

Para tornar a campanha mais atrativa, o Alianza fez um acordo com o Universitário. Assim, o evento será realizado no mesmo dia em que as duas equipes mais populares do Peru organizarão um amistoso. Os cremas, que também estão com problemas de caixa, vão ajudar na organização e convocar seus torcedores para também arrecadarem alguns recursos.

Com os dois maiores clubes do Peru trabalhando juntos, o Teleton tem maior chance de sucesso. De acordo com Guillermo Alarcón, presidente do Alianza, várias emissoras de TV já se interessaram em transmitir a campanha – e, claro, o jogo.

Macnelly dando sopa?

Que clube brasileiro não gostaria de ter um meia de 24 anos, experiência internacional, bom domínio de bola e capacidade de distribuir o jogo com eficiência? Então, pode ser o caso de dirigentes esticarem um pouco o pescoço em direção ao Chile. O colombiano Macnelly Torres está louco para deixar o Colo-Colo.

Oficialmente, o jogador afirma que deseja ter mais projeção internacional. Assim, gostaria de trocar o Chile por algum centro mais tradicional. No entanto, é notório que a situação do meia ficou delicada desde que o argentino Hugo Tocalli assumiu o comando do Cacique.

No último domingo, Torres foi substituído aos 11 minutos do segundo tempo. Segundo o técnico, o jogador estava atuando de modo “prolixo”. Dois dias depois, ambos tiveram uma conversa a sós, supostamente para aparar as arestas. Tocalli falou que o colombiano é talentoso e chegou a compará-lo a Riquelme, mas Álvaro Muñoz, empresário do meia, anunciou a intenção de negociá-lo.

A diretoria colocolina afirma que Torres só sai de Macul se o clube receber US$ 5 milhões. Considerando que o Cacique comprou o meia do Cúcuta por US$ 2,2 milhões em 2008, é viável imaginar que a pedida inicial esteja superestimada. Mas o clube admite abrir negociações, ainda que pretenda ficar com o meia até o fim do ano.

Mesmo assim, o processo já está em andamento. De acordo com a imprensa chilena, Muñoz já teria entregado a uma empresa brasileira a tarefa de prospectar clubes interessados no futebol do colombiano. Ou seja, o canal está se construindo para quem quiser o jogador.

Obs.: o colunista está ciente. Só porque a recomendação de Torers é forte, é capaz de ele vir ao Brasil e ser um fracasso. Isso pode acontecer, mas as credenciais do colombiano justificam uma sondagem por parte de um clube brasileiro

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Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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