México

O 1º semestre na América do Sul

O futebol da América Latina é como boa parte das faculdades: a vida se conta em semestres. Cada metade do ano tem seu torneio continental e tem seus campeões nacionais (só Peru e Brasil fogem a essa regra). E, claro, entre uma “semitemporada” e outra, os times mudam profundamente e, de fato, parece que não faz sentido comparar o que ocorreu no começo do ano com o que se vê no final.

Desse modo, não faz muito sentido elaborar um balanço da temporada no continente. É mais prático e correto fazer o resumo a cada seis meses. No caso de 2009, um semestre que avançou um pouco em julho, devido à demora na conclusão da Libertadores e dos Aperturas de Chile, Equador (na realidade, “primeira etapa”), Paraguai e Bolívia, além do Clausura e da final da temporada no Uruguai.

Veja abaixo o que de melhor e pior aconteceu na Libertadores e nos campeonatos nacionais da América do Sul. Sempre lembrando que, para as ligas domésticas, não são considerados Brasil e Argentina (países que estão fora do escopo desta coluna) e que, para efeito de comparação de desempenho em torneios de nível técnico diferentes, é considerado não apenas a qualidade técnica de times e jogadores, mas também seu impacto em relação ao resto da competição.

Copa Libertadores da América

O melhor: Estudiantes
Só um tremenda injustiça pelo caminho tiraria do campeão da Libertadores o status de melhor time. E não foi o que ocorreu em 2009. O Cruzeiro até fez campanha melhor que os Pinchas, mas o fato é que, nos confrontos diretos da segunda fase e nos da final, os argentinos superaram os brasileiros. Com uma equipe muito bem armada para aproveitar o melhor possível as qualidades técnicas de Verón e Boselli, o Estudiantes deu aula de futebol coletivo, solidário e competitivo.

Time revelação: Nacional-URU
Na verdade, o título merecia ser dividido entre os uruguaios Nacional e Defensor Sporting. Como os bolsos foram mais longe na competição, ficam com o “prêmio”. O Tricolor de Montevidéu foi outro grande exemplo de futebol coletivo, com uma equipe sem estrelas, mas que jogava de modo compacto e rápido. Um modelo que já havia sido aplicado com sucesso pela LDU Quito em 2008 e que deve estar na cartilha de qualquer equipe sul-americana.

Time decepção: River Plate
O Boca Juniors teve pinta de favorito destacado, mas sentiu o desgaste de tantos anos com a mesma base e, pior, com a especulação de atritos entre Palermo e Riquelme, duas lideranças históricas do clube. A LDU Quito tornou-se o segundo campeão de Libertadores a não passar de fase no ano seguinte (o primeiro foi o Internacional de 2007). Mas não dá para tirar do River Plate o título de decepção. Os Millonarios conseguiram ser eliminados em um grupo que tinha Nacional-URU, Nacional-PAR e Universidad San Martín. O futebol apresentado foi sofrível, com nenhuma autoconfiança e jogadores – mesmo os tecnicamente melhores – claramente perdidos em campo.

O craque: Juan Sebastián Verón (Estudiantes)
Uma participação irretocável na Libertadores. O meia marcou, armou, lançou e, acima de tudo, liderou. Foi o termômetro do Estudiantes do ponto de vista defensivo, ofensivo e espiritual. Uma situação justa para um grande jogador que teve um fim de passagem pela Europa algo apagado e parecia ter voltado a seu clube de origem apenas para encerrar a carreira.

Revelação individual: Henrique (Cruzeiro)
O Cruzeiro vice-campeão da Libertadores tinha a marca de Fábio, Kleber, Wagner e Adílson Batista. Talvez até de Ramires, neste caso pela contribuição do volante na trajetória desse time desde o ano passado. Mas não se pode esquecer o bom papel de Henrique. O volante não chega a ser um garoto, tanto que já atuou no Brasileirão pelo Figueirense, passou pelo Japão e está no Cruzeiro desde 2008. De qualquer modo, a Libertadores foi a primeira grande competição internacional do londrinense. E ele pode se considerar aprovado. Fez gols decisivos contra São Paulo e Estudiantes e projetou seu nome para o futuro.

Decepção individual: Hernanes (São Paulo)
Não é exagero dizer que Hernanes foi o craque do futebol brasileiro em 2008. E talvez tenha sido até em 2007. O volante vinha de duas temporadas muito consistentes em que apresentava nítida evolução técnica e de maturidade. A Libertadores 2009 deveria solidificar esse processo, mas teve o caminho inverso. Hernanes não encontrou seu espaço nas mudanças promovidas pelo São Paulo em 2009 e murchou. Com ele, foi o time inteiro, um dos mais apáticos da Libertadores (considerando apenas os favoritos ao título).

Campeonatos nacionais

O melhor: Caracas-VEN
Com o fim da ajuda financeira da prefeitura, o Unión Maracaibo caiu. O Deportivo Táchira ainda não se encontra. Assim, não há mais dúvidas a respeito de qual é “o” grande clube da Venezuela no momento. O Caracas dominou o Clausura venezuelano e, para completar, venceu a final da temporada contra o Deportivo Italia com um contundente 5 a 0 na casa do adversário.

Time revelação: Once Caldas-COL
Desde o título da Libertadores, em 2004, o Once Caldas se estabilizou como um time de meio da tabela na Colômbia. No Apertura 2009, o clube seguia essa tendência e se classificou para a segunda fase com a oitava campanha. Mas, na reta final, o time de Manizales cresceu. Venceu seu quadrangular semifinal e, na decisão, superou o favorito Atlético Junior com duas vitórias.

Time decepção: Colo-Colo-CHI
Tinha o status de pentacampeão chileno, mas fez uma campanha patética no Apertura. Em determinado momento, chegou a ser a terceira pior da história do clube. Tudo por crises internas, brigas entre diretoria e comissão técnica e dificuldade em conciliar o Campeonato Chileno e a Libertadores. Nem chegou às quartas de final e ainda teve de ver a rivalíssima Universidad de Chile ficar com o título.

O craque: Jorge Brítez (Cerro Porteño-PAR)
Pode um volante de marcação ser o artilheiro da equipe em um campeonato? Pois foi o que aconteceu com o Cerro Porteño no Apertura 2009. O que mostra a importância de Brítez na equipe. Ele foi o líder do sistema defensivo, o menos vazado do campeonato, e ainda foi decisivo no ataque, marcando sete dos 24 gols do Ciclón.

Revelação individual: Nicolás Lodeiro (Nacional-URU)
O principal meia do Nacional é Arismendi. No entanto, quem se destacou no setor em 2009 foi Lodeiro, de apenas 20 anos, foi o dínamo dos bolsos no Campeonato Uruguaio e na Libertadores. Sua capacidade de organizar o meio-campo já chamou a atenção de clubes europeus.

Decepção individual: Baiano (Atlético Nacional-COL)
Acredite, o lateral-direito Baiano (ex-Santos, Palmeiras, Vasco, Atlético Mineiro e Boca Juniors) passou pela Colômbia no primeiro semestre de 2009. Contratado pelo Atlético Nacional como figura importante da equipe que visava recuperar a hegemonia no país, foi um dos que afundou na crise dos verdolagas. O brasileiro chegou a ser multado por indisciplina.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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