México

No México, rebaixamento pode ser evitado com muito dinheiro

Quanto vale permanecer na primeira divisão? Pagar para os adversários perderem? Pagar para os adversários dos concorrentes ganharem? No Campeonato Brasileiro, as discussões sobre “mala preta” e “mala branca” são comuns. Já no México, a busca da salvação promete extrapolar ainda mais os limites da lógica. Rebaixado em campo, o Querétaro pretende desembolsar alguns milhões para continuar na elite, comprando a vaga de outro clube.

“O Querétaro é de primeira divisão e buscaremos que ele continue. O que aconteceu no final de semana me deixou marcado. É uma torcida de primeira e que necessita de um clube de primeira. Estamos dispostos a ver quem oferece sua franquia para buscar comprá-la”, declarou sem maiores pudores Amado Yáñez, coproprietário do clube, em entrevista à ESPN mexicana.

Três vezes campeão nacional, o Querétaro selou sua queda no sábado, ao ser derrotado em casa pelo Puebla, adversário direto contra o rebaixamento. Os Gallos terminaram na oitava colocação do Torneio Clausura, que daria vaga aos playoffs. Contudo, a péssima campanha no Apertura manteve o time na última posição da tabela de descenso, que considera o desempenho nos últimos três anos.

“Repito: se temos opções de que os Gallos se mantenham na primeira, faremos até o impossível para comprar uma equipe. Também existem limites econômicos e é preciso estabelecer isso antes de comprar a franquia. Quero respeitar os processos. Sei que cada clube tem planos, mas o nosso é ter uma equipe na primeira”, complementou Yáñez.

Os alvos do Querétaro

Até o momento, a principal opção vista pelos dirigentes do Querétaro é o Jaguares de Chiapas. Fundado em 2002, os felinos surgiram justamente da compra de uma franquia de Veracruz, bancada por um grupo empresarial e pelo governo do estado de Chiapas. Já em 2010, o clube foi adquirido pelo Grupo Salinas, também proprietário do Monarcas Morelia e que poderia ceder sua franquia menos tradicional.

Outra possibilidade cogitada pelos Gallos é comprar La Piedad ou Toros Neza, que brigam pelo acesso na segunda divisão – o tradicional Necaxa também está no páreo. E qualquer um destes que for premiado com a vaga na elite terá suado muito para conquistá-la. Somente um time sobe no futebol mexicano. Para ascender, é preciso levar o Apertura ou o Clausura e vencer uma final contra o outro campeão da temporada.

E o próprio governo de Querétaro está disposto a manter o único clube do estado na elite: “Dizer que os Gallos vão jogar na primeira depende de muitas coisas. O que temos combinado com o governo é lutar até o último segundo para ter uma equipe na elite. Essa é nossa ideia. Dependerá também de outras circunstâncias para cumprir não só o nosso sonho, mas também o de milhares de torcedores que deram mostras do carinho ao time no fim de semana, com uma despedida inesquecível”.

Um clube pequeno do Campeonato Mexicano custa US$ 15 milhões anuais. Cair para a segunda divisão causa uma depreciação de 90% desse valor, enquanto a folha de pagamentos precisa ser reduzida em 70%. Nas contas dos Gallos, pagar pela permanência é menos custoso. Enquanto o sistema de acesso no futebol mexicano se mantiver tão fechado e o de compra de clubes for tão aberto, as viradas de mesa só dependerão de carteiras gordas.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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