Necaxa e os Rayos de Esperança na 2ª divisão
Quando se analisa a lista dos campeões da Liga de Ascenso, o equivalente a segunda divisão no futebol mexicano, percebe-se que o equilíbrio comum no futebol azteca também reverbera com força nas divisões inferiores. Foram oito campeões distintos em nove torneios curtos disputados (já que a temporada é dividida entre Apertura e Clausura). O curioso é que não é da lista de clubes que ascenderam e permanecem na elite nesse período que sai o único capaz de vencer a competição duas vezes. O autor da proeza foi o autor também da maior goleada registrada no futebol profissional mexicano em 2013, ao humilhar a filial do Cruz Azul na Liga de Ascenso por impiedosos 7×1 na rodada do último fim de semana, garantir sua vaga na Liguilla do Clausura e entrar de vez na briga pelo retorno à Liga MX.
Um dos times mais tradicionais e vitoriosos do futebol mexicano, o Necaxa amarga desde 2009 uma das piores fases da sua história. Conhecido mundo afora pela excelente campanha na primeira edição do Mundial de Clubes reconhecida pela Fifa, em 2000, quando superou Manchester United, na primeira fase, e Real Madrid para terminar na terceira colocação, sob o comando dos equatorianos Agustín Delgado e Álex Aguinaga, o reconhecimento que o clube angariou mundialmente pela campanha foi pouco visto no território doméstico.
Sediado na Cidade do México, capital nacional, e tendo a concorrência por torcedores travada contra gigantes como América, Cruz Azul e Pumas, o grupo de mídia Televisa, dono do clube, optou por transferir o clube para a cidade de Aguascalientes, em 2003, cidade cujo time de maior representatividade até então havia se tornado filial do Chivas de Guadalajara dois anos antes.
Muitos apontam a mudança de estado como principal fator para a vertiginosa queda dos Rayos nas temporadas seguintes, mas vale salientar que os Electricistas ainda somaram boas campanhas nos primeiros anos jogando no estádio Victoria, alcançando vaga até mesmo na edição de 2007 da Copa Libertadores. Os problemas aumentaram com a ausência da disputa por títulos nacionais. Já distante do mercado maior apelo, os Rojiblancos começaram a ter dificuldades para atrair os melhores da liga mexicana.
As campanhas medianas oscilaram ainda mais e o clube enfrentou seu primeiro descenso em 2009. A resposta veio rapidamente: com os títulos do Apertura 2009 e do Bicentenário 2010 (equivalente ao Clausura à época), o Necaxa voltou à Primera Divisón, mas com duas novas campanhas fracas, ostentando a vice-lanterna tanto no Apertura quanto no Clausura da temporada, ofereceu pouca resistência aos concorrentes e foi novamente rebaixado.
Desde então, o Campeonísimo, um dos maiores vencedores da fase amadora do futebol azteca, tenta se reestruturar para voltar ao topo. Hoje sob o comando do ex-meia da Tricolor Jaime Ordiales é com folga o time com a melhor média de pontos nas duas últimas temporadas da Liga de Ascenso. O problema é que apenas realizar a melhor campanha não devolve ao clube o lugar na Liga MX. A única vaga de acesso é destinada ao clube vencedor do duelo que opõe os campeões do mata-mata de Apertura e Clausura. Assim, o terceiro lugar e a liderança geral nas fases regulares no ano passado pouco adiantaram frente a queda nas semifinais da Liguilla.
Por isso, a aposta dos Rayos para o Clausura vem sendo em um elenco que renda o seu melhor nos playoffs, atingindo o ápice justamente na fase final da temporada, quando, espera-se, que o clube dispute com o La Piedad (campeão do Apertura) uma vaga na elite. O elenco é forte para os padrões da segunda divisão local, mesclando nomes com experiência na elite, como o goleiro Navarrete, os zagueiros Cervantes e Pérez, o meia Mosqueda e o veterano atacante brasileiro Robert, ex-Palmeiras e Cruzeiro, com promessas trazidas do futebol sul-americano, representadas pelo argentino Maximiliano Pérez e o colombiano Danny Santoya.
O destaque individual, contudo, vem sendo o mexicano Victor Lojero, artilheiro do Clausura e autor de quatro gols na goleada sobre o Cruz Azul Hidalgo. Ex-atacante do San Luis e cria da base americanista, Lojero é o capitão e a referência para um clube distante da visibilidade alcançada no início do século, que precisa agora provar que, além de tradição e suporte financeiro, possui condições técnicas de voltar ao topo. Resposta que somente o fim da Liguilla da Liga de Ascenso será capaz de fornecer. Mas da qual uma amostra pôde ser vista no último fim de semana. Que o digam Cruz Azul ou (voltando um pouco no tempo) Manchester e Real, ainda que não com seus principais atletas.
Curtas
– Seleção da 15ª rodada site Mediotiempo: Oswaldo Sánchez (Santos), Felipe Baloy (Santos), Luis Amaranto Perea (Cruz Azul), Aquivaldo Mosquera (América) e Sergio Ponce (Atlas); Christian Giménez (Cruz Azul), Martín Romagnoli (Pumas UNAM), Carlos Salcido (Tigres UANL) e Lucas Lobos (Tigres UANL); Estebán Paredes (Atlante) e Héctor Mancilla (Morelia); T: Pedro Caixinha (Santos);
Costa Rica
– Com uma vitória fora de casa sobre o Belén Siglo XXI, o Herediano chegou aos 39 pontos em 20 partidas e assumiu a liderança do Campeonato de Verano da Primera División, aproveitando o tropeço do Cartaginés, que não passou de um empate com o Puntarenas e soma 38. O Saprissa goleou o Pérez Zeledón por 4×0 e voltou ao terceiro posto, com 34 pontos, enquanto a atual campeã Alajuelense superou o Uruguay e está na 5ª colocação, três pontos atrás;
El Salvador
– Com uma goleada sobre o Once Municipal, o FAS aproveitou uma rodada de empates na Liga Mayor e assumiu a liderança do Clausura, com 30 pontos em 16 jogos, um a mais que o Alianza, que não saiu do zero frente ao Santa Tecla, que tem 28 pontos e é o terceiro. Já o Águila segue em péssima fase: após mais um empate frente ao Juventud Independiente, o clube ocupa a vice-lanterna, com apenas 13 pontos somados;
Guatemala
– Em uma semana decepcionante, o atual campeão Comunicaciones somou apenas um ponto em dois jogos e perdeu a liderança do Clausura. Depois de um empate contra o Heredia, os Albos caíram para o Suchitepéquez em casa e, com 28 pontos, foram ultrapassados pelo Malacateco, que venceu Juventud Escuintleca e Halcones para alcançar os 32 pontos na ponta da Liga Nacional. De volta à má fase, o Municipal somou duas derrotas, para USC (em casa) e Xelajú, e afundou ainda mais na lanterna, com apenas 10 pontos conquistados;
Honduras
– Líder da Liga Nacional, o Olímpia não passou de um empate frente ao Savio em casa, chegando aos 33 pontos após 18 partidas do Clausura. Quem aproveitou o tropeço foi o Real Sociedad que superou o Real España e alcançou 30 pontos, na segunda posição. Com 25, aparece o Victoria, que empatou com o Motagua no duelo do fim de semana;
Panamá
– O Clausura da Liga Panamenha tem novo líder. Ou melhor, três líderes: o Tauro bateu o San Francisco fora de casa, igualou a pontuação dos rivais (26) e lidera pelo saldo de gols. Quem também soma 26 pontos é o Árabe Unido, que não passou de um empate, em casa, frente ao Atlético Chiriquí.



