México

Nada como um clássico

Ah, um clássico! Um clube pode estar em má fase no torneio, jejum de títulos, momento conturbado, mas nada que uma vitória em um clássico não acalme. Nos clássicos nascem (e morrem) ídolos, consagram-se esquadrões, técnicos tornam-se lendas. E foi apoiando-se nessa máxima que o Chivas partiu para o tudo ou nada no “Super Clássico”, a maior rivalidade do futebol mexicano, no fim de semana, ao enfrentar o América fora de casa.

Os azulcremas entraram no clássico em vantagem na tabela e no ambiente interno. Apesar do início irregular no torneio Apertura, as águias estavam próximas dos líderes e um triunfo no duelo jogaria o América no grupo dos que brigam pelo topo.

Já para o Rebaño Sagrado, o péssimo início de temporada dava os primeiros indícios de contestação ao reformulado projeto da base tocado pelo holandês Johann Cruyff. Com apenas duas vitórias em dez partidas e muita dificuldade para se impor até mesmo na Concachampions, crescia a pressão sobre o técnico John van ‘t Schip. Uma derrota no Clássico dos Clássicos dificilmente manteria o holandês no cargo.

Mas, como diria o ex-atacante Jardel, “clássico é clássico e vice-versa”. E uma vitória incontestável por 3 a 1, em pleno estádio Azteca, foi o suficiente para inverter os ambientes de vestiário de ambos. A 212ª edição do confronto teve todos os ingredientes à altura dos 68 anos do derby, mas o fator de desequilíbrio atendeu pelo nome de Rafael Márquez Lugo. O experiente atacante, que até teve uma passagem pelos Millonetas em 2008, não teve dó de seu ex-clube e com uma atuação de gala comandou o clube de Guadalajara.

A partida começou com o América atuando mais em seu campo de ataque e criando as melhores oportunidades no início da partida. Com uma defesa bem postada e contando com o retorno de Marco Fabián, entretanto, o Chivas logo acordou para o jogo e aproveitou-se de um erro na zaga do rival para abrir o placar, com seu camisa 10. A resposta americanista veio rápido, também em erro da zaga adversária, que Juan Carlos Medina aproveitou para igualar o marcador.

No segundo tempo, o jogo mudou completamente de figura. Um Chivas ousado, incisivo e que parecia à vontade, como se estivesse atuando em sua casa. Frente a um América recuado e pouco ameaçador. A partir daí brilhou a figura de Rafael Márquez, primeiro em um chute desviado pelo jovem zagueiro Diego Reyes. Depois, dando o golpe de misericórdia com um potente chute de fora da área. As águias sentiram o baque e pouco ameaçaram a meta de Luis Ernesto Michel.

Para o clube da capital, o revés não trouxe complicações tão imediatas. O conjunto de Coapa perdeu apenas uma posição, caindo para o quinto lugar, mas ainda é forte candidato à vaga na Liguilla. Preocupa, contudo, a irregularidade do time e a dificuldade para obter seus resultados em casa. O estádio Azteca foi palco das duas únicas derrotas dos Canários até aqui, tendo o América um aproveitamento de 44% quando joga frente aos seus torcedores. Reflexo, talvez, do caldeirão de pressão que se tornou característico do clube sempre que o desempenho começa a oscilar. É um bom momento para blindar o bom elenco Crema e deixar que Miguel Herrera mostre se será ou não o técnico que levará o Améria de volta ao título.

Já em Guadalajara, o triunfo, que deixou o Chivas na 10ª posição, há um ponto do 8º colocado, Monterrey, também serviu para quebrar uma marca incômoda: há sete meses o Campeonísimo não sabia o que era vencer duas partidas consecutivas. Algo preocupante para o clube mais popular do país. A vitória não resolve os problemas do clube, que ainda tem a obrigação de vencer a última partida, em casa, contra o Xelajú, da Guatemala, para evitar o vexame de ser o primeiro clube azteca eliminado na fase de grupos da Concachampions.

No campeonato nacional, para quebrar o jejum de seis anos sem títulos, o clube ainda precisa se recuperar do fraco início e primeiro voltar aos playoffs. O caminho ainda é longo e a pressão sobre as Rayadas é sempre grande. Mas nada que uma vitória sobre o maior rival não amenize e traga ainda mais motivação para os desafios que se aproximam. As declarações de alívio do técnico holandês e dos jogadores do clube deram uma mostra da renovação dos ares. É, nada como uma vitória em um clássico…

Curtas

– Seleção Trivela da 11ª rodada do Apertura mexicano: Luis Ernesto Michel (Chivas), Iván Estrada (Santos), Jesús Chávez (Puebla), Édgar Dueñas (Toluca) e Efraín Dimayuga (Puebla); Christian Giménez (Cruz Azul), Carlos Peña (León), Israel Castro (Cruz Azul) e Javier Aquino (Cruz Azul); Sinha (Toluca) e Luis Tejada (Toluca); T: Michel Vázquez (Cruz Azul);

– Seleção Trivela da 12ª rodada do Apertura mexicano: Oswaldo Sánchez (Santos), José García Fernández (Pumas), Pablo Aguilar (Tijuana), Luis Venegas (Atlante) e Efraín Velarde (Pumas); Duvier Riascos (Tijuana), Diego de Buen (Puebla) e Marco Fabián (Chivas); Luis Gabriel Rey (Jaguares), Rafael Márquez (Chivas) e Miguel Sabah (Morelia); T: José Guadalupe Cruz (Jaguares);

Costa Rica

– A Alajuelense foi superada (2×0) para o San Carlos, mas manteve a ponta do Campeonato de Invierno da Primera División, com 25 pontos em 13 jogos. Com uma vitória sobre o Limón e um empate contra o Municipal Pérez Zeledón, o Herediano voltou à vice-liderança, com 23 pontos em 14 partidas. Em terceiro aparece o Saprissa, que soma 21 pontos em 12 jogos;

El Salvador

– Não houve rodada no Apertura da Liga Mayor, Assim, o Alianza manteve a liderança com 20 pontos em 10 jogos, contra 18 do  Isidro Metapán e 17 do atual campeão Águila;

Guatemala

– Sobrando na Liga Nacional, o Comunicaciones voltou a vencer e manteve a folga no topo. O triunfo sobre o Deportivo Marquense levou o time aos 34 pontos em 14 partidas. Em segundo lugar, aparece o Municipal, que derrotou o Deportivo Petapa por 2×1 e soma 28 pontos. Com um ponto a menos está o Xelajú, que bateu o Mictlán;

Honduras

– Mesmo superado pelo Marathón, por 1×0, o Olímpia manteve a liderança do Apertura da Liga Nacional, com 23 pontos em 12 jogos. Isso por que o vice-líder Victoria não passou de um empate sem gols com o Vida e soma 22 pontos. Com o triunfo sobre o líder e os tropeços de Real Sociedad e Real España, o Marathón já é o terceiro, com 17 pontos;

Panamá

– Com duas boas vitórias sobre Tauro e Río Abajo, o Árabe Unido entrou de vez na briga pelo topo do Apertura da Liga Panamenha, com 21 pontos em 13 jogos, na segunda colocação. Mesmo com o revés, o modesto Río Abajo segurou a ponta, com 23 pontos. O Tauro, que além da derrota empatou com o Plaza Amador, é o terceiro, com 20 pontos;

– Mais notícias sobre o futebol mexicano e da Concacaf pelo twitter: @futebolmexicano

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