México

Na Libertadores, tudo como começou

A vitória emocionante contra o São Paulo nas quartas-de-final colocou o Fluminense como força incontestável da Libertadores 2008. A virada contra o Boca Juniors nas semifinais consolidou a causa tricolor na competição. O clube das Laranjeiras é o favorito ao título na final contra a LDU Quito, por mais que comissão técnica e jogadores queiram assumir uma postura de modéstia em respeito aos equatorianos.

Se o futebol fosse lógico, seria difícil imaginar o que poderia parar o Fluminense no atual momento. O time está em um embalo impressionante, com os setores funcionando muito bem (inclusive a defesa, que ainda dá seus sustos, mas não tem comprometido), jogadores mostrando grande espírito de competição e uma autoconfiança geral para não se intimidar com o ineditismo da campanha que protagonizam.

No entanto, há o imponderável. Os cariocas são favoritos e sabem disso. Já abre espaço para uma eventual soberba. Além disso, Dodô fez um gol importante contra o São Paulo e participou dos três na vitória sobre o Boca Juniores. O atacante pode pedir uma vaga no time titular. São questões que Renato Gaúcho tem de manobrar com habilidade para o time não perder a linha de raciocínio.

Talvez fosse importante para o treinador lembrar a todos (incluindo torcedores e jornalistas) de como foi a estréia do Fluminense na Libertadores. O adversário foi justamente a LDU, em Quito. Os blancos dominaram completamente o primeiro tempo e só não fizeram três gols (pelo menos) devido à noite inspiradíssima pela qual passava Fernando Henrique. Depois do intervalo, os tricolores equilibraram o jogo e até tiveram condições de vencer. Ficou mesmo no 0 a 0.

Naquela partida, puderam-se ver as virtudes da Liga de Quito. Um time com sistema tático incomum (3-3-3-1 que vira 3-3-1-3), os equatorianos têm marcação forte e meio-campo com grande poder de se articular. Nos jogos em casa, ainda contam com a altitude para sufocar o adversário com um jogo acelerado. Foi assim que superaram os argentinos Estudiantes e San Lorenzo (ainda que tenham precisado dos pênaltis contra esse último) e o América, três equipes mais fortes no papel.

Para superar esse inesperado, mas perigoso, oponente, o Fluminense precisa se impor. Júnior César e Gabriel precisam de cobertura cuidadosa para que Bolaños e Guerrón não tenham muito espaço, nem tirem a força ofensiva das laterais tricolores. Aproveitar a necessidade dos equatorianos de vencerem em casa também pode ajudar, pois a dificuldade em conseguir o resultado rapidamente pode enervar os blancos e dar a vantagem psicológica aos brasileiros.

Se souber jogar essa final, o Fluminense tem totais condições de conquistar sua primeira Libertadores. Para isso, basta fazer um trabalho de regressão e analisar sua primeira partida. Lá estão boa parte das lições que deverão ser levadas para a decisão.

Começa a era Eriksson

Com muita polêmica e demora nas conversações, o México acabou acertando com o sueco Sven-Goran Eriksson. Uma aposta ousada, mas que pode ser bastante interessante para os mexicanos darem um passo adiante no cenário internacional. Ainda que muita gente duvide.

O sueco enfrenta céticos no próprio país. Alguns jogadores, jornalistas e torcedores contestam a validade de se contratar um treinador com nenhuma experiência no futebol mexicano. De acordo com esses, a Femexfut (federação mexicana) deveria buscar um técnico local para o projeto da Copa do Mundo de 2010.

Em teoria, parece fazer sentido. No entanto, essa foi a receita que a federação mexicana sempre adotou e os resultados nunca foram dos melhores. Hugo Sánchez surgiu assim. Ricardo La Volpe também. Bem como Javier Aguirre, Manuel Lafuente e Miguel Mejía-Barón. Desses, apenas Lafuente e Mejía-Barón tiveram resultado que representassem algum progresso. E somente Aguirre conseguiu se projetar internacionalmente como treinador.

Eriksson pode ser um fato novo positivo. Jogadores mexicanos reclamam constantemente da falta de intercâmbio internacional. O campeonato nacional é muito forte e inibe a ida de jogadores à Europa. Além disso, as competições da Concacaf não acrescentam muita coisa tecnicamente aos mexicanos e as participações em torneios da Conmebol são limitadas pelo status de “convidados”.

Se os jogadores não têm conhecimento do futebol que se pratica no resto do mundo, o técnico sueco tem (e não se questiona a competência dele). Além disso, Eriksson é uma figura conhecida e midiática, que pode chamar para si a atenção – e as cobranças –, deixando o time mais tranqüilo para trabalhar. Algo que ficará ainda mais evidente se ele se mudar para o México, atraindo um pouco mais a simpatia de seus críticos (e evitando o erro cometido por Cesare Maldini no Paraguai).

Com paz para trabalhar, o México de Eriksson pode ser bem diferente do time visto nas últimas competições internacionais. Uma equipe com capacidade técnica, mas pouca imaginação tática e falta de confiança para os momentos decisivos.

Chile: Redenção de Acosta

Depois da vitória por 2 a 0 no jogo de ida, poucos duvidavam que o Colo-Colo seria pentacampeão chileno em cima do Everton. Pois o time de Viña del Mar surpreendeu. Venceu por 3 a 0 no jogo e volta e conquistou seu quarto título chileno.

A principal figura da campanha evertoniana foi o técnico Nelson Acosta. O uruguaio chegou a Viña del Mar no final do Clausura 2007, quando o Everton estava ameaçado de rebaixamento. O treinador aceitou o convite desesperado, até pelos vínculos que têm com o clube (o Everton foi o clube que tirou Acosta do Uruguai na década de 1970, dando início à carreira do então volante no futebol chileno).

Acosta montou uma equipe sem estrelas (o jogador mais conhecido é o goleiro Johnny Herrera, ex-Corinthians), mas muito combativa. Com isso, teve um bom início de campanha no Clausura e chegou a liderar a competição. O time perdeu fôlego e acabou apenas com a quinta posição na classificação geral. No entanto, o Everton recuperou seu espírito competitivo no mata-mata.

O ponto-chave foi nas quartas-de-final contra o Audax Italiano. Depois de perder em casa por 3 a 0, os evertonianos estavam virtualmente eliminados. Mas tiveram forças para fazer 4 a 1 em Santiago e seguiram no torneio. A partir daí, foi difícil segurar a confiança da equipe. A equipe passou por Universidad de Chile e Colo-Colo, as duas maiores equipes do Chile.

O grande destaque do Everton na reta final foi Miralles. O atacante fez os três gols da vitória sobre La U no jogo de ida, em Santiago, e dois na decisão contra o Colo-Colo. O meia Canío também foi importante pela capacidade de armar o jogo e ainda chegar ao ataque para finalizar.

O título recuperou a imagem de Acosta. Depois da má campanha na Copa América 2007, o treinador ficou marcado por não segurar o elenco que saiu da concentração na véspera do jogo contra o Brasil nas quartas-de-final. Aí, voltou-se a se falar na suposta sorte que teria acompanhado o técnico por toda sua carreira, permitindo que um comandante mediano tivesse tantos bons resultados (como ida à Copa de 1998 e medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de 2000).

México: Santos Laguna, com seis meses de atraso

Com um empate por 1 a 1 em Torreón, o Santos Laguna confirmou o favoritismo e conquistou o Clausura mexicano. Um título justo pelo que se viu na fase final, mas que, principalmente, premiou um trabalho que mostrou bons resultados desde o Apertura.

No segundo semestre de 2007, os guerreros terminaram a primeira fase com a melhor campanha. Já se via um futebol muito consistente, com ênfase no meio-campo muito forte na armação (sobretudo com Ludueña) e uma dupla de ataque perigosa (o rápido Christian Benítez e o fisicamente avantajado Vuoso).

Para 2008, o clube trouxe um reforço fundamental: Fernando Arce. O meia, que estava no Morelia, é um dos jogadores mexicanos em melhor fase. Técnico e inteligente, tem boa visão do jogo e consegue distribuir as jogadas com muito critério. Além disso, ajuda na marcação. Sua chegada a Torreón deu a estabilidade que o Santos precisava.

Depois de um início em ritmo moderado, os guerreros ganharam corpo na reta final. O time só sofreu duas derrotas em todo o Clausura (fora de casa contra as Chivas de Guadalajara e em casa para os Jaguares de Chiapas), sendo a última na 10ª rodada. Desde então, a equipe conquistou resultados significativos, como fazer 6 a 1 no Atlas e 4 a 1 no San Luis.

Curiosamente, o Santos não venceu nenhuma partida em casa no mata-mata. Foram três empates. No entanto, vitórias como visitante contra Necaxa e Cruz Azul e empate contra o Monterrey permitiram que os torreonenses só administrassem a vantagem no seu estádio Corona.

Foi assim a final contra a Máquina Cementera. Ludueña abriu o marcador no início da partida e, com os 2 a 1 do Santos no jogo de ida, o terceiro título nacional se tornou quase uma certeza. O gol de empate do Cruz Azul nos minutos finais nem assustou a torcida.

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Equipe Trivela

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