México

Morelia: sempre entre os favoritos, nunca como rei

Presença constante no mata-mata, ambiente relativamente tranquilo, bons jogadores, contratações cirúrgicas, boa média de público e um adversário sempre difícil de ser batido. Um time acostumado a brigar. Bom, talvez brigar não seja a palavra correta. Fato é que o Morelia é um dos times mais intermediários do futebol mexicano.

Explica-se: todo início de competição o roteiro é o mesmo. O Monarcas é listado entre os favoritos ao título, com um ou dois craques, um elenco redondo, mas com a dúvida: qual será o momento decisivo que o time irá entregar o ouro?

O que à primeira vista pode parecer perseguição dos rivais se mostra uma constante na história dos purépechas. O clube dificilmente fica de fora da Liguilla, quase sempre obtendo sua vaga de forma tranquila, superando rivais mais poderosos financeiramente. Na hora “H”, contudo, a queda invariavelmente acontece frente aos clubes mais tradicionais.

O modelo da Monarquía, adotado no fim do século passado, ainda hoje serve de inspiração para muitos clubes aztecas sem condições de duelar economicamente contra rivais com a força e popularidade de América, Cruz Azul, Chivas e UNAM. Pode-se dizer, inclusive, que o crescimento recente de clubes do norte do país teve grande inspiração nesse modelo, focado em estabilidade na direção técnica, mescla de promessas cuidadosamente escolhidas no mercado externo com jovens vindos de uma base muito bem trabalhada.

Clubes como Santos, Monterrey, Toluca e Pachuca, que enfileiraram troféus nesse início de século souberam adaptar de forma notável essa fórmula e, não à toa, desbancaram os clubes mais populares do país. Pioneiro, o Morelia até conquistou uma taça nacional, o Torneo Invierno em 2000, mas ficou nisso. O bi ficou perto do Morelos em mais três oportunidades desde então, mas o clube caiu na decisão em todas elas. Isso sem contar a série de decepções nos playoffs, ganhando a pecha de fraquejar nos momentos decisivos.

O torneio Apertura não parece fugir à regra: um craque, uma forte equipe de apoio, sem grandes estrelismos em um elenco entrosado, classificação praticamente certa para o mata-mata, mas a incômoda sensação da incapacidade de fazer frente aos rivais mais fortes.

Ninguém duvida do poder de decisão do chileno Héctor Mancilla. Aos 32 anos e indo para sua sétima temporada no futebol azteca, o “Pistolero” nunca marcou menos de 5 gols em um torneio curto no país, sendo duas vezes o goleador máximo da competição e ostentando a respeitável marca de 119 gols em 231 partidas na Primera División.

Na Apertura, é o vice-artilheiro com 7 gols e lidera a lista de passadores, com 4 assistências, contribuindo com mais de 50% dos gols dos canários. Além do chileno, a Equipe da Força ainda conta com a experiência e segurança do goleiro Villar, do zagueiro Huiqui e do meia Aldo Leão. Sem falar nos jovens e habilidosos atacantes Jefferson Montero, contratado a peso de ouro do Bétis (ESP), e Santiago Tréllez.

Uma equipe que desde o início do torneio ocupou uma das quatro primeiras posições, tem o melhor ataque e não sofre com o risco de rebaixamento há alguns bons anos. E mesmo assim ainda falta algo no Morelos…

Prova disso foram as derrotas em casa para Toluca e Monterrey, adversários que não passam por fases tão boas quanto em anos recentes. Mas se impuseram com relativa facilidade no território onde os purépechas deveriam dar provas definitivas de sua força.

O equilíbrio da Liga MX permite sonhar com surpresas constantes, mas é bom diretoria, comando técnico e líderes do elenco Canário começarem a mostrar força e ambição ou a queda voltará acontecer e os michoacanos seguiram com seu complexo de inferioridade nos momentos decisivos.

Curtas

– Seleção do site Mediotiempo da 11ª rodada do Apertura: Jesús Corona (Cruz Azul), Miguel Layún (América), Paulo da Silva (Toluca), Rafa Márquez (León) e Gerardo Rodríguez (Toluca); Luis Montes (León), Cristian Borja (Veracruz), Edson Rivera (Atlas) e Rubens Sambueza (América); Raúl Nava (Toluca) e Luis Madrigal (Monterrey); T: Miguel Herrera (América);

Costa Rica
– Na 280ª edição do “Clásico Nacional”, Saprissa e Alajuelense deram uma verdadeira aula de futebol, em duelo emocionante com 3 viradas, oito gols e um empate por 4×4, que manteve os Morados na ponta do Campeonato de Invierno, com 18 pontos em 8 partidas, e os Rojinegros na vice-liderança, com 17 pontos e um jogo a mais que os rivais. Atual campeão, o Herediano aparece logo a seguir, com 14 pontos em 7 partidas, após empatar com a UCR na rodada;

Guatemala
– Durou apenas uma rodada a liderança do Municipal na Liga Nacional. Com um gol solitário do zagueiro Wilson Lalín, o Comunicaciones superou o rival no “Clásico Chapín” e reassumiu o topo do Apertura, com 19 pontos em 8 jogos. Os Escarlatas ainda são os vice-líderes, com 17 pontos, mas viram a aproximação de Heredia (16) e Suchitepéquez (15), que venceram seus duelos na rodada;

El Salvador
– Após empatar com o UES, o Atlético Marte manteve a invencibilidade na Liga Mayor, mas agora divide a ponta com o Alianza, que superou com facilidade o atual campeão Luis Ángel Firpo no “Clásico Joven”. Ambos somam 17 pontos em 9 partidas. Com um ponto a menos aparece o FAS, que bateu o Dragón. O Isidro Metapán é o 4º, enquanto o Águila é o sexto e o Firpo apenas o 8º colocado no Apertura;

Honduras
– Com um triunfo tranquilo sobre o lanterna Vida, o atual tetracampeão Olimpia disparou na ponta do Apertura da Liga Nacional, com 19 pontos em 8 jogos. Seu antigo perseguidor, Real España, perdeu em casa para o Deportivo Savio e caiu para a 4ª posição, com 13 pontos. Real Sociedad (15) e o próprio Savio (14) aparecem entre os rivais, enquanto o Motagua perdeu para o Victoria e aparece em quinto, com 11 pontos;

Panamá
– Vencendo o Tauro pelo placar mínimo, o San Francisco manteve a liderança do Apertura da Liga Panamenha, com 22 pontos em 11 partidas, dois à frente do Independiente, que superou o Sporting San Miguelito. Terceiro colocado com 19 pontos, o Plaza Amador caiu para o Chorrillo na rodada. O Tauro aparece em quinto (17 pontos), enquanto o Árabe Unido é o sétimo (13) da Copa Digicel;

Haiti
– Sem partidas disputadas na rodada, a briga pelo título da Digicel Première Division segue com Mirebalais (15 pontos), Racing Club Haïtien (14), Valencia (12) e Baltimore (9). Faltando 3 rodadas, Petit-Goâve (5 pontos) e Aigle Noir (2) não tem mais chances no hexagonal decisivo;

– Na briga contra a queda, Don Bosco (11 pontos), Cavaly (11), FICA (11) e Tempête (8) se salvariam da degola, mas América des Cayes (8) e Victory (7) seguem em busca da sobrevivência na Liga Haitiana;

Nicarágua
– Mesmo de folga na rodada e com duas rodadas de defasagem para os demais, o atual tetracampeão Real Estelí segue na liderança da Liga Nacional, com 21 pontos em 8 partidas. Vice-líder e 3º colocado, Jalapa e Walter Ferretti não saíram do zero no confronto direto e seguem com 19 e 17 pontos em 10 jogos, respectivamente. Maior campeão nacional, o Diriangén também ficou no 0x0 com o Chinandega e agora divide o quarto lugar com o Managua, que venceu o Real Madriz e também soma 15 pontos.

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