Monterrey é tri na Concacaf – e em um final épico como nunca
Há três temporadas, não há um clube que faça frente ao Monterrey nas Américas do Norte e Central. Os Rayados criaram uma hegemonia regional renovada nesta quarta-feira, com a conquista do tricampeonato da Liga dos Campeões da Concacaf. Um feito só registrado pelo Cruz Azul, no início da década de 1970, e por outros cinco clubes em outras competições continentais – Real Madrid, Ajax, Bayern Munique, Independiente e Estudiantes.
Nenhum dos outros títulos do Monterrey, contudo, foi tão sofrido quanto o deste ano. E tão emocionante. Após empatarem por 0 a 0 o jogo de ida contra o Santos Laguna, em Torreón, os Rayados deixaram os rivais abrirem dois gols de vantagem no início do segundo tempo. E por pouco os Guerreros não marcaram o terceiro, parados pelo goleiro Jonathan Orozco. Dentro de casa, os então bicampeões estavam à beira do fiasco.
A reação só começou a ser desenhada a 30 minutos do fim, em uma confusão na área que possibilitou o gol de Aldo de Nigris. A partir de bolas alçadas, o Monterrey pressionava. Chegou ao empate aos 39, com Neri Cardozo, em resultado que ainda dava a taça ao Santos Laguna. Aos 43, enfim, De Nigris marcou novamente e fez as arquibancadas do Estádio Tecnológico explodirem de alegria. Uma festa só completada nos acréscimos, com o tento que fechou a vitória por 4 a 2.
Coube a Humberto Suazo, um dos jogadores mais representativos do elenco, marcar o gol derradeiro. É o segundo jogador na história a marcar gols em três finais continentais consecutivas, o primeiro desde Alfredo Di Stéfano. Ao lado outros símbolos, como o capitão José María Basanta, é um dos 12 atletas presentes em todas as campanhas do tricampeonato, sempre comandados pelo técnico Victor Manuel Vucetich.
Dono de uma campanha invicta, o Monterrey empatou apenas dois de seus dez jogos na Liga dos Campeões, deixando pelo caminho o Los Angeles Galaxy nas semifinais. Tamanha supremacia no torneio continental, porém, não se reverte necessariamente no Campeonato Mexicano. Os Rayados levaram o nacional quatro vezes, a última delas em 2010, um ano antes de iniciar a sequência na Concacaf. No atual Clausura, o time é o nono colocado, brigando pela classificação aos playoffs.
Mais prioritário ainda é mudar a imagem construída ao longo dos últimos anos no Mundial de Clubes. O Monterrey caiu nas quartas de final em 2011, para o Kashiwa Reysol, e foi engolido pelo Chelsea no ano passado, ficando com o bronze após vitória na decisão do terceiro lugar. Sem criar tantas expectativas quanto nos anos anteriores, é o primeiro clube a carimbar o passaporte ao Marrocos, onde acontece a próxima edição.
Com tanta rodagem, os Rayados já passaram da hora de dar um passo à frente na competição internacional. Se não for para avançar à decisão, que seja ao menos para ameaçar um possível rival na semifinal, europeu ou sul-americano. Só assim conseguirá fazer valer a reputação construída na Conchampions, ao invés de apenas escancarar as deficiências de um torneio continental desequilibrado e figurativo – que não à toa, só premia mexicanos desde 2006.



