México rompe com a Conmebol

Depois de a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) insistir em marcar partidas únicas para os confrontos envolvendo Chivas e San Luis na Copa Libertadores, a federação mexicana (Femexfut) decidiu romper seus laços com a entidade e excluir os clubes e a seleção do país de todas as competições que disputam como convidados.
Na tarde de sexta-feira, o presidente da Femexfut, Justino Compeán, anunciou que os dois times mexicanos para as oitavas de final haviam desistido do torneio, por causa da recusa de seus adversários em viajar para o México, temendo o surto de gripe suína. O Chivas enfrentaria o São Paulo, e o San Luis o Nacional-URU.
Diante da posição da Conmebol, Compeán convocou nova coletiva para afirmar que a entidade sul-americana havia rompido um acordo para a saída dos mexicanos do torneio.
Comunicado unilateral
“Estivemos com vocês (imprensa) aproximadamente às 14h45, falando sobre o que imaginávamos ser o fim desta história”, disse o dirigente. “Terminamos às 14h23, no meu escritório, as últimas conversas com as pessoas da Conmebol, o secretário Deluca e o vice-presidente Figueredo, que estiveram em contato com o vice-presidente Grondona, em que juntos acertamos os pontos que tratamos com vocês a partir das 14h45. Que sairíamos da Libertadores e teríamos uma reunião em 30 dias, provavelmente nas Bahamas, na ocasião do Congresso da Fifa onde estaremos nós e a Conmebol, onde acertaríamos uma forma de ressarcir o futebol mexicano na parte econômica e esportiva”.
“Junto com Decio de María (secretário geral da Femexfut) e as pessoas mencionadas, e em contato com o vice-presidente Grondona, aprovamos um documento que seria divulgado no Paraguai, na casa da Conmebol, no final da tarde, e com desagradável surpresa nos deparamos com outro comunicado assinado pelo dr. Nicolás Leoz (presidente da Conmebol) às 16h53”, prosseguiu Compeán.
“Entregamos (à imprensa) cópias de ambos os documentos, porque tivemos, felizmente, o tino de solicitar que nos enviassem por escrito o comunicado que havíamos acertado e que corrigimos conjuntamente. Temos cópia deste comunicado e a hora que eles nos enviaram, aprovado por ambas as partes, e por isso procedemos a conversar com vocês às 14h45. Repito, desagradavelmente e surpreendentemente, recebemos outro comunicado com o qual não estamos de acordo, porque havia algo acertado previamente com as pessoas com que tínhamos estado toda a semana por muitas horas, tanto Decio de María quanto eu, e resultou que há outra história”, lamentou.
“Como vocês podem ver, são duas posições radicalmente opostas. Por isso, quero anunciar que estávamos de pleno acordo com o primeiro comunicado. Com o segundo, quero informar que na minha condição de presidente da federação mexicana, o futebol mexicano se retira completamente de qualquer competição da Conmebol, enquanto não chegarmos a um acordo que melhore em muito o acerto do primeiro comunicado”, seguiu o presidente da Femexfut.
Compeán acusou ainda a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) de influenciar a decisão de Nicolás Leoz, dizendo que Julio Grondona, presidente da federação argentina (AFA) e vice da Conmebol, tentou intervir a favor de um acordo.
“Demoramos a voltar à sala de imprensa porque recebi uma ligação de Julio Grondona, pessoa que aprecio e agradeço que tenha ligado, em que pedia que mantivéssemos aberta a porta do primeiro comunicado. Que ele, em sua qualidade de vice-presidente da Conmebol, não está de acordo com o segundo comunicado, que é uma decisão do presidente Leoz, possivelmente com influência da federação brasileira, e que o resto dos presidentes da Conmebol estão plenamente de acordo com o primeiro comunicado, com o qual também estávamos de acordo, mas não do segundo”.
Compeán disse ainda que o acerto inicial previa possíveis compensações esportivas, como vagas a mais para o México na próxima temporada: “Era um bom acordo, nos dariam mais duas vagas e seríamos cinco. Conquistamos no campo o prestígio do México na América do Sul, através de muitos anos de esforço, e temos de manter isso. Não vamos abaixar os braços. Se somos convidados, somos convidados de categoria, então os acordos têm de ser respeitados. Isso o futebol mexicano não pode permitir. Não pode existir um comunicado às 14h23 com o qual concordamos e outro às 16h53 que não é 'fair-play'”.
Decisão reversível
O secretário-geral Decio de María afirmou que a decisão é reversível, desde que a Conmebol mude sua posição.
“O presidente foi muito claro. Por hoje, o México está fora da Libertadores, da Sul-Americana e da Copa América. O que vai acontecer amanhã? Nunca se deve colocar barreiras, falamos com todos na Conmebol e escutá-los de frente não custa nada. Mas hoje estamos fora. Quando as coisas são acertadas, têm de ser cumpridas. Infelizmente, dentro da Conmebol aconteceram coisas que fogem ao controle da Femexfut. O que está ao nosso alcance é sermos claros: estamos fora de todas as competições sul-americanas”, disse.
Perguntado se considerava uma traição da Conmebol, De María comentou: “Creio que quem se traiu foi a própria Conmebol. No México, quando se dá a palavra da federação, se cumpre. Quem tem de se sentir mal são os dez países membros, são eles que têm de esclarecer as coisas”.
Os times mexicanos participam das competições da Conmebol desde 1998. O Pachuca chegou a vencer a Copa Sul-Americana em 2006, e o Cruz Azul foi finalista da Libertadores em 2001.



