Méritos de quem?
Na análise de um resultado pós-jogo é sempre complicado avaliar se os méritos devem ser creditados ao vencedor ou ao perdedor da partida. Isso por que analisar um resultado é, também, algo muito mais simples do que prevê-lo. Via de regra as qualidades do vencedor e os defeitos do vencido se equilibram na equação. Não foi, contudo, o que ocorreu nas semifinais do Apertura da Liga MX.
Não que Toluca e TIjuana não tenham seus méritos pelas vagas na decisão. Ambos foram líder e vice-líder, portanto donos das melhores campanhas da primeira fase. Mas analisando exclusivamente os quatro jogos das semifinais da Primera División é impossível não creditar aos derrotados uma grande parcela da responsabilidade pelos resultados. Pelo potencial e expectativas criados em torno de León e América.
No caso do América, o erro foi coletivo, de certa forma. O treinador Miguel Herrera sabia da curiosa dificuldade que as águias enfrentam dentro de casa. Paradoxalmente o estádio Azteca há tempos vem sendo mais um fator contrário do que um incentivador no desempenho dos Cremas. Tanto que as únicas três derrotas do conjunto de Coapa no torneio haviam se concretizado frente a sua torcida. Dono da melhor campanha entre os visitantes na fase regular, o América ostentava apenas a 10ª colocação atuando em seus domínios.
A bola já havia sido levantada pela imprensa azteca na última semana. Mas mesmo com todos esses indícios, ou justamente por eles, as águias novamente não souberam atuar em casa. Mais do que apenas não aproveitar o fator casa, entretanto, o clube praticamente selou sua eliminação com um novo vexame no Azteca. O maior estádio do país até viu o América atuar bem na primeira etapa, mas a pressão pelo resultado falou mais alto e dois vacilos foram suficientes para dar aos Diablos uma vitória que definiria o confronto.
“Chucho” Benítez, o craque que poderia desequilibrar, esteve irreconhecível nas duas partidas, assim como Montenegro (no primeiro tempo) e Jiménez. O gol de Lucas fora suficiente para desanimar o time, mas o do paraguaio Benítez, já nos acréscimos minou qualquer perspectiva de reviravolta no Nemesio Díez. Ainda que tenha aberto 2 a 0 fora de casa, no jogo de volta, o Toluca manteve o controle da partida e soube, ao contrário dos Millonetas, manter a tranquilidade para chegar ao gol que definiu de vez a vaga na decisão, novamente marcado por Benítez.
Se o erro dos capitalinos foi coletivo, não se pode dizer o mesmo no caso do León. O clube recém-ascendido após dez anos na segunda divisão azteca tinha tudo para retornar à decisão após vencer o primeiro jogo, em casa, por 2 a 0, em troca de assistências e gols entre Arce e Peña, e levar uma vantagem difícil de ser revertida pelos Xolos, mesmo atuando no estádio Caliente.
Dono do melhor ataque da competição e com uma defesa segura durante todo o torneio, passou a ser difícil imaginar que os Esmeraldas estariam de fora da grande final. Ninguém contava, contudo, com a brusca mudança de postura do time na partida de volta. Gustavo Matosas, um dos técnicos mais jovens da Liga MX, optou por um esquema tímido e recuado, oposto da forma como a Fera atuou durante todo o Apertura (e até na Liga de Ascenso).
A mudança de postura refletiu não apenas nos adversários, que partiram para cima desde o início, mas também na própria atitude do clube leonino. Recuado e retrancado como raras vezes se viu na atual temporada, o elenco, ainda inexperiente na primeira divisão, viu-se podado e sem reação diante do passeio dos fronteiriços.
Os Xolos, ao contrário, mostraram que estão cada vez mais a vontade na divisão principal. Atuando de forma segura e paciente, o Tijuana abriu o placar no fim da primeira etapa, retomou a vantagem na metade do segundo tempo e no desespero dos visitantes selou a classificação no fim do jogo.
A final reserva um duelo inédito e empolgante. Os Xolos chegam para sua primeira decisão mantendo uma evolução em apenas três participações na elite tão esperada quanto surpreendente pela rapidez que ocorre. Os Rojos, por outro lado, voltam à decisão em busca de seu 11º título nacional, tentando igualar o recorde do Chivas, maior campeão azteca. Emoção não falta. E, ao contrário do que costuma acontecer em solo mexicano, reunindo os dois melhores times do campeonato. Ainda que boa parcela da culpa por esse confronto tenha partido da incapacidade dos adversários.
Curtas
– Seleção Trivela das semifinais do Apertura da Liga MX: Cirilo Saucedo (Tijuana), Edgar Castillo (Tijuana), Javier Gandolfi (Tijuana), Diego Novaretti (Toluca) e Carlos Gerardo Rodríguez (Toluca); Daniel Montenegro (América), Cristian Pellerano (Tijuana), Wilson Mathías (Toluca) e Sinha (Toluca); Alfredo Moreno (Tijuana) e Duvier Riascos (Tijuana); T: Antonio Mohamed (Tijuana);
– Donos das duas últimas vagas na fase de classificação do Apertura da Liga de Ascenso, La Piedad (6º) e Dorados (7º) farão a final da competição. O La Piedad venceu o Lobos BUAP por 2 a 0 fora de casa e, mesmo perdendo por 2 a 1 em seus domínios, ficou com a vaga na decisão;
– A surpresa maior ficou por conta do Dorados, que eliminou o líder Necaxa com a regra do gol fora de casa, após empatar por um gol em Sinaloa e arrancar o 2 a 2 em Aguascalientes;
Costa Rica
– Na briga pela quarta e última vaga nas semifinais do Campeonato de Invierno da Primera División, o Belén Siglo perdeu para o Puntarenas, mas ficou a vaga graças aos tropeços do Pérez Zeledón, derrotado duas vezes na última semana e único clube que tinha chances de brigar pela vaga;
– A Alajuelense arrancou um empate com o Cartaginés e terminou a primeira fase na liderança, com 44 pontos em 22 partidas. Saprissa (43), Herediano (37) e Limón (33) ficaram com as demais vagas. Herediano x Saprissa e Limón x Alajuelense serão os confrontos das semifinais, que começam a ser disputadas a partir do dia 2 de dezembro;
El Salvador
– Com as vagas já definidas, a última rodada do Apertura da Liga Mayor serviu apenas para definir as colocações finais e os confrontos das semifinais. O Isidro Metapán superou o Águila fora de casa e, com 36 pontos, garantiu a liderança e verá os rivais novamente na fase seguinte, já que as águias terminaram na quarta posição, com 31 pontos;
– Alianza (34 pontos) e FAS (33) venceram seus duelos, terminaram em segundo e terceiro lugares, respectivamente, e se enfrentarão na outra perna das semifinais, que começam a ser disputadas a partir do dia 1º de dezembro;
Guatemala
– Com triunfos sobre Malacateco e Heredia, o Marquense alcançou os 26 pontos e garantiu a oitava e última vaga para a Liguilla do Apertura da Liga Nacional. Imbatível, o Comunicaciones superou o Xelajú, fora de casa e com gol nos acréscimos, garantindo a liderança da primeira fase com 50 pontos em 22 rodada;
– Municipal (41 pontos), Xelajú (36), Heredia (35), Halcones (33), Malacateco (28) e Suchitepéquez (28), além do Marquense, também disputarão as quartas de final, que começam na próxima semana;
Honduras
– Nos duelos de ida das semifinais do Apertura da Liga Nacional, o Olímpia foi surpreendido e perdeu para o Atlético, em Choloma, por 1×0. Líder da primeira fase, os Merengues decidem a vaga em casa, jogando por uma vitória simples para ficar com a vaga na decisão;
– Na outra perna, o Victoria arrancou um empate por um gol em Tegucigalpa, frente ao Motagua e joga por nova igualdade em La Ceiba para chegar à decisão;
Panamá
– Nos duelos de volta das semifinais do Apertura da Liga Panamenha, a surpresa Río Abajo não conseguiu reverter o revés da primeira partida e, sem passar de um empate com o Chepo, deu adeus ao sonho de disputar a inédita final, a qual o Chepo retorna para buscar sua primeira taça;
– No confronto entre os grandes, a jogo de volta entre Árabe Unido e Plaza Amador foi adiado devido às chuvas que castigam o país. Remarcado para essa terça-feira, a vantagem é dos árabes, que venceram a primeira partida por 3 a 1.



