Matar ou morrer

Com uma vitória por 2 a 1, de virada, no último sábado, a seleção mexicana eliminou a Guatemala e garantiu vaga para a semifinal da Copa Ouro da Concacaf. Foi o primeiro grande desafio enfrentado pela El Tri, já que uma derrota significaria a eliminação. E, como mostrou o resultado, notaram-se as primeira dificuldades que o time pode enfrentar, e quais delas podem interromper o caminho para o título.
Contra uma equipe 96 posições abaixo no ranking da Fifa, o México deixou que parte do favoritismo se sobrepusesse em alguns momentos de um jogo no qual, atrás no placar por um gol logo no início, teve mais dificuldades que as esperadas para impor sua superioridade.
Nervoso, o time mexicano foi surpreendido com um gol logo aos quatro minutos de jogo. O experiente atacante Carlos Ruiz, com passagem pelo Puebla, aproveitou uma bola afastada diretamente da defesa Bicolor e a bobeada do zagueiro Héctor Moreno, para abrir o placar e colocar os aztecas pela primeira vez em desvantagem no torneio.
Melhor em campo, o time mexicano até pressionou o adversário no restante da primeira etapa, mas viu suas oportunidades pararem na boa atuação do goleiro Jerez e na ansiedade de igualar o placar por parte do setor ofensivo.
No intervalo, “Chepo” substituiu o meia Israel Castro pelo atacante Aldo de Nigris, que, com apenas três minutos em campo, trouxe o resultado esperado. Após um bate-rebate na área do Chapines, De Nigris completou para o gol igualando o placar.
A partir daí, já sem a pressão da busca pelo empate, a El Tri se organizou em busca do gol da virada, que veio com um toque de classe de Chicharito. Após cruzamento da direita de Pablo Barrera, Hernández completou de letra, selando a vitória azteca, aos 16 minutos do segundo tempo. Foi o sexto gol de Chicharito, artilheiro com o dobro de gols do segundo colocado.
Com a vitória (e a vaga nas semifinais) assegurada e após o susto vieram os primeiros questionamentos acerca da excessiva dificuldade enfrentada pela El Tri para superar um time irregular, que somava apenas uma vitória, um empate e uma derrota no torneio, classificando-se como 3º colocado num grupo que contava com Jamaica, Honduras e Granada e que há 15 anos não alcançava uma semifinal da Copa Ouro.
Apesar de muito superior tecnicamente, o time azteca falhou em um momento no qual, contra adversários mais fortes e defensivamente mais regulares, pode ser difícil recuperar-se nos próximos jogos decisivos.
Na semifinal, o adversário será Honduras, carrasca da Costa Rica nos pênaltis nas quartas, uma seleção que, a despeito do menor número de bons jogadores, esteve presente no último Mundial, possui mais tradição que a Bicolor e conta com nomes mais experientes.
A seu favor, a El Tri tem o fato de os Catrachos não alcançarem a decisão há 20 anos, além do retrospecto amplamente favorável no duelo: em 27 encontros, são 17 triunfos mexicanos e apenas cinco dos hondurenhos (sendo todos estes em casa). Na Copa Ouro, são quatro jogos, todos em fase de grupos, com dois empates e duas vitórias aztecas.
Há três edições sem saber o que é ficar fora da decisão, os aztecas sabem que boa parte de suas chances estão depositadas no bom rendimento de seu setor ofensivo, capitaneado, principalmente, por Chicharito, Dos Santos e Guardado.
Os perigos hondurenhos residem nos lampejos individuais de nomes como o meia Ramón Núñez (que atua no Tottenham-ING) e os experientes atacantes Carlo Costly (do Atlas) e Walter Martínez (que joga na China). Os três devem receber atenção especial de Chepo, principalmente após a bobeada de Moreno nas quartas.
Uma das principais ameaças ao selecionado azteca, o grupo reduzido de jogadores em virtude da suspensão de cinco atletas por doping, parece já ter sido debelada. A Concacaf emitiu um parecer favorável ao pedido da Femexfut, possibilitando a convocação de mais cinco atletas, e “Chepo” chamou Héctor Reynoso, Luis Michel e Marco Fabián de la Mora do Guadalajara, Paul Aguilar do América e Hiram Mier, do Monterrey.
Um possível alívio ao grupo, que se via obrigado a se virar apenas os 18 nomes, algo que, especula-se, já começava a fazer a diferença, e poderia cobrar seu preço em uma possível decisão contra um adversário de melhor preparo, como os Estados Unidos.
A partir de agora não é possível errar. Os mexicanos deverão mostrar em campo todo seu favoritismo e aproveitar a irregularidade de seus principais concorrentes para levar a taça. Que viria a ser parte do já tão propalado domínio azteca em terras centro e norte-americanas. São apenas dois jogos.



