México

Maradona estreia nas Eliminatórias com casa cheia

Após longa pausa, as seleções sul-americanas voltam se enfrentar na 11ª rodada das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2010. Depois dos jogos do final de semana, as equipes voltam a entrar em campo na quarta-feira, e só se encontrarão novamente em junho.

No sábado, a brincadeira já começa: Uruguai recebe o líder Paraguai, enquanto os venezuelanos visitam os argentinos e os colombianos jogam em casa contra a Bolívia. No domingo, é dia de Seleção Brasileira em campo. A equipe de Dunga encara a altitude equatoriana que, segundo o treinador Vizuete, é o que mete “medo” nos brasileiros. Peru e Chile encerram a rodada, em Lima.

Enquanto os argentinos já sofrem com filas enormes para comprar um ingresso e acompanhar a estreia do ídolo Maradona em uma partida oficial (até então, o treinador só comandou o elenco em dois amistosos, contra Escócia e França), as dirigências peruanas e chilenas torcem para que problemas diplomáticos entre os países não entre em campo, para aumentar a rivalidade e causar possíveis conflitos pólíticos.

Na América do Sul, em que a disputa acontece em apenas um grupo de dez seleções, os quatro primeiros colocados garantem vaga no torneio mundial. O quinto lugar irá para repescagem, em uma disputa contra o quarto na tabela das Eliminatórias da Concacaf. O vencedor do confronto acompanhará os classificados na viagem para a África do Sul em 2010.

Uruguai x Paraguai
Montevidéu, sábado, 17:00h

Até agora, a melhor campanha foi a dos paraguaios que, em dez jogos, conquistaram sete vitórias e dois empates, com apenas uma derrota para a Bolívia. “Os números paraguaios falam por si. Eles mudam pouco atuando tanto dentro como fora de casa, sempre pressionando muito no meio-campo, tanto para atacar, como no momento de recuperar a bola”, já disse o treinador da seleção uruguaia, Oscar Tabárez, que acredita que o adversário tem um futebol bem equilibrado, ofensivo, mas sem abrir a defesa.

O objetivo do técnico é conseguir localizar esses pontos fortes e neutralizá-los. Porém, para isso, a equipe que está em quinto lugar, posição de repescagem, não contará com o goleiro Castillo, que atua no Botafogo, nem Jorge Fucile, do Porto e Ignacio González, do Newcastle. O jogador do time da Premier League é um grande desfalque para Tabárez, pois no banco uruguaio não há um substituto natural para sua posição. Já o zagueiro Andrés Scotti, do Argentino Juniors, não joga pois está suspenso, após acumular dois cartões amarelos.

Pelo lado do grupo de Gerardo Martino, a visão é mais otimista. O treinador argentino espera contar com a recuperação do zagueiro Denis Caniza, que sentia dores na musculares na perna. Porém, também conta com um desfalque no ataque e outro na defesa: Roque Santa Cruz e Claudio Morel Rodríguez estão lesionados, e não poderão entrar em campo.

Martino deve usar três ou quatro jogadores na defesa, e afirmou que ainda não decidiu uma formação fixa. “Se há algo que caracteriza nossa seleção, é se adaptar às circunstâncias. Temos jogadores do meio-de-campo que avançam bem ao gol, exercem pressão”, declarou ele. “O Uruguai é um time para se respeitar”. O comandante da equipe espera outro jogo difícil, como o 1 a 0 que levaram em Assunção no ano passado.

Argentina x Venezuela
Buenos Aires, sábado, 19:10h

Na estréia de Maradona como técnico em jogos da Eliminatórias, os argentinos já prometeram lotar o estádio Monumental de Nuñez e não dar chances aos venezuelanos.

A ânsia da vitória é latente e repartida por todos os argentinos, que sabem que ganhar em casa é uma obrigação, que querem, com todas as suas forças, dedicar ao ídolo que comanda o time. “Entraremos em campo com muita vontade de vencer por Diego, e esperamos que seja uma festa. Ele confia muito neste grupo de jogadores, e isso o deixa tranquilo”, disse Lionel Messi, craque do time, que atua no Barcelona. “Com Maradona no banco, tudo ajuda para que tenhamos uma festa, ele causa entusiasmo no time e na torcida”, disse também o zagueiro Daniel Díaz.

Recentemente, Maradona se envolveu em polêmico bate-boca com Riquelme, que, devido a comentários do treinador que o desagradaram, decidiu deixar em definitivo (pela segunda vez) o time nacional. Sem o ídolo do Boca, no entanto, a equipe conta com uma linha ofensiva impecável: Messi, Tevez, Agüero. Porém, o jogador do Barça – que concorreu ao lado de Cristiano Ronaldo e Kaká para melhor do mundo em janeiro – não poderá entrar em campo contra os venezuelanos, pois está suspenso por uma partida.

Maradona vem testando diferentes esquemas táticos com o time, mas deve optar por um bastante ofensivo, e tirar a vantagem do jogo da casa pois, na próxima rodada, enfrenta a altitude da Bolívia em La Paz, dia 1º de abril.

Apesar do peso dos nomes no elenco azul celeste, César Farías não mostrou medo de encarar os adversários. “Maradona não me produz sentimento nenhum”, disse o treinador da Venezuela, secamente. Farías afirmou categoricamente que seu elenco não se sentirá intimidado por enfrentar ídolos argentinos, seja em campo, ou no banco. “Eles são profissionais, não são garotos de 14 ou 15 anos que se sentirão nervosos por estar diante de uma figura como ele (Maradona)”.

Os venezuelanos entrarão em campo com um time audacioso e ofensivo, buscando quebrar o favoritismo do mando argentino. “Temos que atacar para conseguir um triunfo como visitantes”, apontou Farías.

Os donos da casa estão em terceiro, com 16 pontos, enquanto a Venezuela está em oitava, com 10.

Colômbia x Bolívia
Bogotá, sábado, 21:20h

Sétima e nona colocadas, a Colômbia e a Bolívia buscarão a todo custo a vitória, única chance de tentar ainda brigar por uma vaga entre, ao menos, os cinco primeiros colocados.

Eduardo Lara planeja colocar em campo uma equipe muito agressiva no meio-campo, que prepare o rápido ataque para seus ágeis jogadores avançados. Para isso, poderá contar com a boa fase mo meia Macnelly Torres, que atua no Colo Colo. “Ele tem excelente passe e costuma criar boas chances para os atacantes”, disse o treinador da Colômbia. Outro meio-campista, Fabián Vargas, do Boca Juniors, promete entrar em campo para vencer de qualquer maneira.

Já o comandante da seleção boliviana, Erwin Sánchez contará com um elenco não tão animador. Um dos principais jogadores e nome frequente nas convocações, Marcelo Moreno, ex-Cruzeiro, não vive boa fase no Shakhtar Donetsk. À frente apenas do Peru na tabela, a equipe precisará de uma sucessão de bons resultados pelas próximas rodadas para sonhar com uma participação no Mundial.

Peru x Chile
Lima, domingo, 20:10h

Apesar da triste campanha, amargando a lanterna com apenas uma vitória, quatro empates e cinco derrotas, tendo balançado as redes apenas cinco vezes em 10 partidas, o Peru ainda deposita confiança em seu treinador, José del Solar. O presidente da federação peruana de futebol, Manuel Burga, garantiu que, mesmo se perder para o Chile e para o Brasil (adversário de quarta-feira), ele não perderá o cargo, que deve ocupar até o fim das Eliminatórias, em novembro.

Apesar das questões políticas que envolvem os dois países atualmente – ambos disputam território, visando modificar os limites marítimos entre os dois países, caso que está sendo analisado na Corte Internacional da Justiça de Haia, Holanda – o dirigente afirma que não há nenhuma conjuntura extraesportiva envolvida para a partida. O treinador dos chilenos, Marcelo Bielsa, também não acredita que haverá qualquer tipo de disputa, enquanto o presidente da federação chilena, Harold Mayne-Nicholls, amenizou o caso e declarou que “é apenas uma partida de futebol”, sem envolvimento político.

Para os próximos jogos, os peruanos esperam, modestamente, ao menos uma vitória, para tentar uma chance de alcançar a repescagem. Seus jogadores estão fisicamente preparados, e o único possível desfalque é o meia Paolo de la Haza, que sofreu distensão do ligamento do joelho, mas tem conseguido treinar e pode entrar em campo. Outros que se recuperaram são Hernán Rengifo e Orlando Contreras. Do lado chileno, vários desfalques: o meia Arturo Vidal, do Bayern Leverkusen, não se recuperou de um problema no olho e foi cortado da seleção, assim como Fabián Orellana está com problemas musculares e não deve jogar, enquanto dois jogadores estão pendurados por cartões amarelos.

Ainda assim, Bielsa se mostrou muito confiante: “todos dos jogadores convocados estão em condições de ser titulares”, disse o argentino. Na dúvida, o comandante da Roja ainda não tem o time inicial definido, pois gosta de fazer mudanças de última hora, mas deve optar por quatro defensores, ao invés de três. O esquema deve ser o 4-3-3, com a seguinte formação: Bravo; Jara, Ponce, Estrada e Cereceda; Isla, Carmona e Matías Fernández; Sánchez, Humberto Suazo e Mark González.

Curiosamente, Mayne-Nicholls, também manifestou interesse na permanência do técnico na seleção, independente dos resultados da próxima semana.

O Chile está na zona de classificação, com os mesmos 16 pontos que a terceira colocada, Argentina, enquanto o Peru é o último, com apenas sete.

Clique aqui e confira a tabela das Eliminatórias da América do Sul

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