México

Mais que um cavalo paraguaio

Mesmo tendo uma trajetória segura e confortável ao longo das eliminatórias para a última Copa do Mundo, não há como negar a decepção e as interrogações no horizonte paraguaio em virtude da pífia campanha na Alemanha: duas derrotas, uma tímida vitória e uma disposição em campo que, nem de longe, lembrou a seleção de Gamarra, Arce e Chilavert. Um ano e meio depois, já consolidada a renovação de elenco e a fixação de uma nova forma de jogar, a seleção albirroja termina 2007 em alta, na ponta da classificação e tendo alguns jogos vencidos com muita autoridade.

Durante o próximo ano, a missão paraguaia será suportar a pressão dos adversários, especialmente a Argentina – muito mais pronta do que o Brasil de Dunga. Nesses momentos, membros da crônica tupiniquim farão comentários relacionados às possibilidades do time de Gerardo Martino ser o famoso cavalo paraguaio. Nos quatro primeiros jogos de Eliminatórias, porém, a estabilidade albirroja foi indiscutível.

Alterando finalmente a sistemática de jogo que priorizava o enfoque na defesa, o Paraguai se tornou um time envolvente no ataque. Em razão das opções que tem, é razoavelmente lógico que Martino imponha aos paraguaios a missão de agredir ao adversário. Placares como 5-1 no Equador e 3-0 no Chile, na última jornada dupla, atestam a tese. Gols construídos em jogadas armadas na bola aérea e em rápidas emboscadas na saída de bola adversários, denotam que o treinador também tem méritos no sucesso.

Com uma série de jogadores jovens, leves e competitivos, o Paraguai consegue atacar e defender com a mesma eficácia. Edgar Barreto e Cristian Riveros, dois nomes que vão crescendo a olhos vistos, normalmente preenchem a linha de quatro meio-campistas e oferecem muito equilíbrio. Enrique Vera, seja pela meia-direita, seja pela lateral-direita, é um atleta dinâmico, inteligente e que vem sendo um dos principais nomes das Eliminatórias. Victor Cáceres, o mais marcador do setor, é praticamente intocável.

A volúpia ofensiva, entretanto, atende pelos nomes de Nelson Valdez, Salvador Cabañas e Roque Santa Cruz. O trio, que chegou até a jogar junto contra o Equador em um raro dia de ofensivismo paraguaio, tem feito gols, criado oportunidades e feito o papel de referência psicológica – atue a dupla que atuar. Néstor Ayala, um nome relativamente jovem e que muito promete,tem tudo para pôr ainda mais fogo na briga por titularidade.

A linha defensiva vive um grande momento, algo que permite que se ouse mais no meio-campo. Morel Rodríguez, Paulo da Silva e Víctor Cáceres, especialmente, têm jogado em ótimo nível, assim como Justo Villar tem a mesma tranqüilidade que sempre lhe caracterizou. Com Morel habitualmente preso ao lado dos zagueiros, o veloz Enrique Vera pode ser recuado para a linha defensiva, embora atue quase sempre da intermediária em diante.

É indiscutível que, ao se lembrar do time paraguaio em 2007, não pode ser desprezada a campanha na Copa América e a célebre eliminação diante do México, no dia em que a albiroja levou de 6-0 – maior goleada do torneio. Jogos assim, até mesmo pelos demais feitos pelo Paraguai na competição, devem ser encarados como arroubos.

O que eles vão pedir na hora de pular as sete ondas?

Gerardo Martino quer…
Que o Paraguai continue com uma mentalidade ofensiva e vitoriosa. Sem se esquecer da defesa, claro.

Alfio Basile quer…
Que a Argentina não se esqueça do jogo após fazer um ou dois gols e liquidar a fatura.

Dunga quer…
Que seus três meias e o único atacante resolvam o jogo sozinhos, enquanto os outros sete jogadores se preocupam com a marcação.

Jorge Luis Pinto quer…
Que a Colômbia jogue melhor, pois nem sempre será possível ganhar pontos com o fraco futebol das primeiras jornadas – sobretudo na competitiva “classe média” das Eliminatórias.

César Farías quer…
Que seu curto currículo não seja obstáculo para manter a Vinotinto na espreita pelas primeiras posições. E que a torcida lhe ajude.

Oscar Tabárez quer…
Que o jovem Luis Suárez siga empolgando com um futebol rápido, inteligente e difícil de ser brecado. E que ele chute melhor a gol, também.

Marcelo Bielsa quer…
Que seu time jovem amadureça mais e aprenda a vencer os jogos com a mesma facilidade com que os tem dominado.

Sixto Vizuete quer…
Que o Equador volte a ser um time de muita força física e imponente quando atua em seus domínios. Ao menos isso já será de grande valia.

José Del Solar quer…
Que o futebol peruano descubra tantos zagueiros e meio-campistas quanto tem de atacantes. Del Solar precisa pular muitas ondas nesse Reveillon.

Erwin Sánchez quer…
Ter ao menos um pouco mais de sorte, já que pelo menos 80% do time é muito ruim.

Bom ano novo
A coluna deseja os melhores votos de sucesso e prosperidades a todos que passaram por este espaço em mais um ano. No próximo texto, Ubiratan Leal reaparece.

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Equipe Trivela

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