Má campanha? Solução simples: troque o técnico, Chivas
Sete anos de jejum. Decepções seguidas e chances remotas de disputa pela taça. Um aproveitamento pífio de 27% em cinco rodadas. E uma vexatória derrota em seus domínios para o fraco Puebla no último fim de semana. Alguém certamente iria pagar a conta no Chivas Guadalajara. E não deu outra. Sobrou para o técnico e Benjamín Galindo tornou-se o segundo treinador a deixar o comando de um clube com apenas cinco rodadas disputadas do Apertura.
Mas será que é realmente esse o problema que aflige o Rebaño Sagrado? Dono do segundo pior ataque a da quarta defesa mais vazada do Apertura, o clube de Guadalajara parece somar todos os problemas do mundo, com exceção do único que realmente recebeu tratamento: o comando técnico.
Ainda que Galindo não tenha tido grande desempenho em sua segunda passagem pelo banco do Campeonísimo, é preciso ressaltar que se trata do treinador que há cerca de um ano levantava o caneco nacional (necessidade urgente no Omnilife) pelo Santos, encerrando uma incômoda sequência de reveses dos laguneros nos “Clásicos del Norte” decisivos em anos recentes.
Os problemas apontados pela direção já estavam lá desde a chegada do “Maestro”. E muito antes disso. Mais precisamente desde a conquista do último título nacional pelo clube: o Apertura de 2006. De lá para cá foram 13 campeonatos e em seis deles o Chiverío nem mesmo alcançou o mata-mata. Foram apenas duas lideranças ao fim da primeira fase, mas pouco favoritismo ostentado. Não por menos o Chivas não alcançou a decisão em nenhuma de suas participações na Liguilla desde então, parando ainda nas quartas de final em quatro das sete participações.
Um desempenho tão fraco não poderia passar incólume ao clube mais popular do futebol azteca. Mas dois fatores principais podem ser apontados como decisivos para a queda de rendimento do Chivas nos últimos anos. A principal, certamente, passa pela falta (ou manutenção) de um projeto claro a longo prazo. Um problema que tem forte ligação com a postura centralizadora e o temperamento intempestivo do dono do clube, Jorge Vergara.
Sob o comando de Vergara, o Chivas trocou cinco vezes a diretoria esportiva do clube e contou com 11 treinadores diferentes em seu banco de reservas. Isso sem mencionar as constantes alterações nos rumos dos projetos adotados. Aclamado pela proposta de trazer Cruyff para adaptar as divisões de base do clube ao modelo catalão, a ideia não sobreviveu nem mesmo ao primeiro percalço, com a saída do holandês e de toda a comissão técnica vindos do país europeu, incluindo o treinador John van’t Schip.
Projetos como esses se fazem necessários em Guadalajara por um motivo simples, e curiosamente a causa do segundo fator responsável pela queda: a política nacionalista dos Rojiblancos de não contarem com jogadores sem a cidadania mexicana. Ainda que o país conte com uma boa dose de talento interno, e grande parte desse talento concentre-se no clube de Guadalajara exatamente pela força econômica, política e popular do time, uma entressafra de jogadores ou uma grande “diáspora” para o mercado externo atinge justamente o clube que não conta com estrangeiros.
É certo que uma troca no comando de um elenco pode resultar numa mudança de mentalidade e até mesmo numa reação do time na Liga MX. O próprio Puebla, envolvido na briga contra a queda e que estreou novo treinador Rubem Omar Romano justamente no triunfo sobre o Rebaño é uma prova dessa possibilidade, ainda que a solução não seja tão duradoura.
Mais importante, contudo, é direção Rojiblanca entender que a situação não pede somente mudança de treinador. Exige mudanças mais profundas, tanto na administração quanto na mentalidade do elenco. O novo treinador Juan Carlos Ortega possui pouca experiência na elite do futebol mexicano, e ainda que resulte em algum benefício momentâneo, não parece ser capaz de resolver a situação do Chivas, que caminha para brigar contra o rebaixamento nas próximas temporadas, uma situação impensável anos atrás.
Exemplos de clubes outrora grandes que caíram no futebol azteca existem (e o Necaxa, que amarga a Liga de Ascenso, é a maior prova), ainda que sejam raros, graças ao sistema que leva em conta a pontuação média das três últimas temporadas e rebaixa apenas um clube por ano. Isso sem falar nas frequentes viradas de mesa possibilitadas pelos clubes mais fortes econômica e politicamente (algo que Vergara tem de sobra). Passar por um vexame desse tamanho, contudo, não está nos planos dos fanáticos torcedores de Guadalajara. E é bom o clube começar a se organizar para evitar isso.
Curtas
– Seleção do site Mediotiempo da 6ª rodada do Apertura: Édgar Hernández (Querétaro), Severo Meza (Monterrey), Néstor Araujo (Santos), Oswaldo Alanís (Santos) e Rodrigo Salinas (Morelia); Luis Ángel Mendoza (América), Christian Giménez (Cruz Azul), Sinha (Toluca) e Isaac Brizuela (Toluca); Pablo Velázquez (Toluca) e Oribe Peralta (Santos); T: Miguel Herrera (América);
Costa Rica
– Um empate sem gols contra a USC manteve o Saprissa na ponta do Campeonato de Invierno, com 4 pontos em duas rodadas. Atual campeão, o Herediano bateu o Puntarenas e soma o mesmo número de pontos, ao lado de Cartaginés e Santos. Já a Alajuelense não passou de um empate em visita ao Limón e ocupa a modesta 9ª colocação;
Guatemala
– No duelo mais disputado pela 3ª rodada do Apertura, o Municipal venceu o Suchitepéquez na casa do adversário e assumiu a vice-liderança da Liga Nacional, com 7 pontos. Curiosamente, o triunfo também ajudou o arquirrival dos rojos, Comunicaciones, que bateu o Coatepeque e isolou-se na liderança, com 9 pontos e único time ainda 100% na competição;
El Salvador
– Com um empate sem gols frente ao Dragón e um triunfo fora de casa sobre o Santa Tecla, o Alianza manteve a ponta do Apertura, com 10 pontos em 4 jogos. Vice-líder, o Atlético Marte também obteve um empate e uma vitória na semana para alcançar os 8 pontos. Já o atual campeão Luis Ángel Firpo segue sem vencer na Liga Mayor e, com 3 pontos, ocupa o modesto 7º posto;
Honduras
– Com triunfos sobre Victoria e Platense, ambas por 2×0, o Real Sociedad desgarrou no topo do Apertura da Liga Nacional, com 9 pontos em 3 partidas. Superando Parrillas One e o atual tetracampeão Olimpia de forma contundente, o Real España recuperou-se da derrota na estreia e já ocupa a vice-liderança, ao lado do Deportes Savio, com 6 pontos. O Olimpia é apenas o 4º colocado;
Panamá
– Um triunfo por 2×0 sobre o CAI no “Derby Chorrerano” deu ao San Francisco a liderança do Apertura da Liga Panamenha, com 10 pontos em 5 jogos. Com a derrota do Tauro para o Árabe Unido, que manteve os Toros com 8 pontos, a vice-liderança passou para o Sporting San Miguelito, que bateu o Alianza e alcançou 9 pontos;
Haiti
– Contando a com a excelente fase do artilheiro André Amy, o atual campeão Valencia bateu o Baltimore fora de casa e assumiu a liderança do hexagonal decisivo da Division 1 da Liga Haitiana, com 6 pontos em três partidas. Na sequência aparece o Mirebalais, que segurou o empate no duelo contra o maior vencedor nacional, Racing Club Haïtien, e soma 5 pontos;
– No hexagonal contra o descenso, o Victory perdeu para o América des Cayes e continua sem somar pontos em duas rodadas, assim como o Don Bosco, superado pelo Cavaly. América (6 pontos), Tempête (4), FICA (4) e Cavaly (3) escapariam da queda, caso a competição terminasse hoje;
Nicarágua
– Com uma vitória fora de casa sobre o Real Madriz, o atual tetracampeão Real Estelí manteve os 100% no Apertura do Campeonato Nacional, alcançando os 12 pontos e liderando de forma isolada a competição. Maior campeão nacional, o Diriangén bateu o San Marcos e aparece na vice-liderança, com 9 pontos, ao lado do Walter Ferretti, que superou o Managua no fim de semana.



