México

“Livres e Loucos”

Não foi somente um título. Foi a alforria de um grito preso há anos na garganta. Foi a garantia de uma conquista de um time que há tempos esbarrava na trave. A conquista do Apertura 2011 da Primera División azteca pelo Tigres foi mais do que justa, se é que o futebol permite a utilização desse termo.

Com um elenco sólido, cheio de bons nomes em quase todos os setores e um time que liderou boa parte da competição, a UANL chegou aos playoffs novamente como um dos favoritos, mas, dessa vez, sem a pecha de Superlíder e (quem sabe?) talvez tenha sido esse um dos motivos do triunfo.

Sem a habitual pressão, os felinos souberam impor-se com facilidade sobre o Pachuca nas quartas, tiveram algumas dificuldades contra o surpreendente Querérato na semi, mas fizeram por merecer de vez a taça com a fácil vitória sobre o Santos Laguna na decisão. Decisão que evidenciou a superioridade da equipe. O clube, aliás, foi o único a obter triunfos tranquilos na Liguilla, na qual não sofreu nenhuma derrota, vencendo cinco de suas seis partidas, numa campanha há muito não vista em território mexicano.

Fator de peso no caminho para a taça, a invencibilidade no estadio Universitario trouxe o apoio que faltava para essa boa equipe chegar ao topo. Após um começo oscilante, com muitos empates, a UANL emendou boas vitórias em seus domínios, incluindo um sonoro 5×0 sobre o Pachuca e um 4×1 sobre a rival UNAM. O costumeiro caldeirão, dessa vez, jogou totalmente a favor da equipe.

Equipe que contou, como de praxe, com ótimos valores, mas que deve sua coesão e estilo de jogo ao treinador brasileiro Ricardo Ferretti. Há anos no futebol azteca, o ex-atleta conquistou seu terceiro nacional pelo terceiro clube diferente. E consolidou-se de vez como técnico de elite no país. Ao assumir os felinos em 2010, após a eliminação nos playoffs pelo Pumas, Ferretti acreditou no projeto do clube para sair da fila e, desde então, manteve os universitários sempre próximos do topo, pregando que esse seria o melhor jeito de uma hora ou outra alcançar a taça.

Em campo, uma mescla fundamental de experiência e juventude derão o tom. Na defesa, o zagueiro brasileiro Juninho foi a chave para dar experiência ao setor, que contou com os jovens e promissores Hugo Ayala e Torres Nilo, trazidos do Atlas, além dos pratas-da-casa Israel Jiménez e Enrique Palos, ainda oscilante, mas necessário para o bom andamento da retaguarda universitária.

No meio, com a presença do também jovem Viniegra a diretoria acertou a mão ao repatriar Salcido, que atuou boa parte da competição como meio-campista, auxiliando na armação das jogadas, em um setor que ainda contará, para 2012, com a chegada do promissor Elías Hernández, vindo do Pachuca.

O setor de ouro do Tigres, contudo, foi mesmo o ataque. A experiência bancada por Ferretti de contar apenas com sul-americanos do meio para frente foi crucial para a conquista. Para isso, o brasileiro trouxe seu compatriota Danilinho, do Jaguares, e o chileno Héctor Mancilla, do Toluca, que conquistou seu terceiro troféu da Primera División e, se dessa vez não levou a artilharia, foi autor de nove tentos fundamentais na campanha, três deles nos playoffs. Os dois juntaram-se aos argentinos Lucas Lobos (capitão da equipe) e Damián Álvarez.

A importância da conquista também pode ser percebida nas ruas de Monterrey. Para coroar a festa, o rival regiomontano caiu prematuramente nas quartas-de-final do Mundial de Clubes. Aliás, tendo como maior rival o time de maior sucesso recente no país, a fila de quase três décadas atingiu profundamente o orgulho dos torcedores “Libres y Locos”.

Apesar da taça, mesmo o mais fanático torcedor sabe que dificilmente os rivais ficarão atrás por muito tempo. E dificilmente outra temporada em que Pumas e Monterrey fiquem fora da Liguilla se repetirá tão rápido. A pressão do outro lado da cidade (no caso do Pumas, outra cidade) só deve aumentar e há um longo caminho a ser percorrido pelos felinos para se igualarem aos dois rivais de maior sucesso.

Não há dúvida que o clube tem todos os atributos para estar entre os grandes da Liga Mexicana. Torcida e história o Tigres possui, além de representatividade, levando-se em consideração que mesmo sem conquistar a taça desde 1982, permaneceu durante todo o período na divisão de elite, com exceção de uma temporada na qual foi rebaixado e voltou com autoriade, conquistando os dois torneios da Liga de Ascenso (na época, 1996-97, chamada “Primera A”).

A partir de agora, mais do que nunca, os títulos terão de vir senão em sequência pelo menos com hiatos menores. Quem sabe dessa forma o Tigres não entre de vez no rol dos grandes clubes aztecas.

Curtas

Liga de Ascenso

– Com duas vitórias (3×1 e 1×0), o Correcaminos superou o Superlíder La Piedad e levou o título do Apertura 2011. Como destaque, o Corre teve o artilheiro da competição, o argentino Roberto Nicolás Saucedo, autor de 14 gols na competição;

 

Costa Rica
– Após dois empates por 1×1, A Alajuelense venceu o rival Herediano nos pênaltis e conquistou o Campeonato de Invierno 2011, 27ª conquista nacional dos manudos;

El Salvador
– Na final do Apertura 2011, o Isidro Metapán derrotou o Once Municipal pelo placar mínimo e obteve seu sexto título da Primera División;

Guatemala
– Com duas vitórias por 2×0, o Municipal superou com facilidade o rival Comunicaciones e alcançou seu 29º nacional e superando os playoffs de forma invita após suada classificação;

Honduras
– O meia Carlos Mejía tem estrela. Entrando durante o segundo tempo nas duas partidas das finais, ele foi o autor dos três gols do Olímpia nas vitórias por 1×0 e 2×0 na decisão contra o Real España que deram aos merengues a 24ª conquista da Liga Nacional;

Panamá
– Uma goleada de 4×1 sobre o Plaza Amador na final foi mais do que suficiente para o Chorrillo FC conquistar a Copa Digicel Apertura 2011, seu primeiro título nacional na elite da liga Panamenha de Futebol;

– O colunista desculpa-se pela longa ausência em virtude alguns problemas de ordem pessoal e garante a partir da próxima semana o início do balanço completo de tudo o que rolou no Apertura 2011.

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Equipe Trivela

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