México

Liguilla recheada

Na última rodada da primeira fase do Clausura 2011, os grandes mostraram sua força e alcançaram importantes triunfos para sacramentar a passagem para a Liguilla da Primera División. Além de Pumas, Tigres e Morelia, já classificados, Atlante, Cruz Azul, América, Monterrey e Guadalajara garantiram o passe para os playoffs.

Chama a atenção a chegada dos quatro clubes mais populares do país às eliminatórias. Pumas, Cruz Azul, Guadalajara e América não alcançavam juntos a Liguilla desde o Clausura de 2007. Com exceção do Pumas, os outros três só garantiram vaga na última rodada. Ainda assim, o fato deve elevar o interesse na disputa e acirras rivalidades.

As Águias surpreenderam o Pumas no Clásico Capitalino e, em pleno Olimpico Universitario, contaram com gols do artilheiro do torneio Ángel Reyna (13 gols) e Matías Vuoso para avançarem. O atual campeão Monterrey também coroou a boa fase e, com um gol já nos acréscimos de Ayovi, garantiu a vaga ao derrotar as Chivas, em Guadalajara, por 3×2.

Os duelos das quartas terão início já nessa quarta, com os seguintes encontros:
Tigres x Guadalajara, Pumas x Monterrey, Morelia x América e Atlante x Cruz Azul.

Difícil apontar favoritos, já que o campeonato mexicano, devido ao equilíbrio, é terreno propício para surpresas nessa fase. Contudo, Monterrey, pela arrancada na reta final e pelo título da Concachampios, e Tigres, pela excelente fase (ultrapassando o Pumas na liderança geral na última rodada), largam na frente até dos gigantes do futebol azteca.

Com exceção do América, que ainda joga a Libertadores, todos os clubes terão dedicação exclusiva ao torneio a partir de agora, o que promete grandes e emocionantes duelos. Todos os clubes já conquistaram o título nacional e estão consolidados na divisão principal. Agora é a hora de decidir quem é, de fato, o melhor time mexicano do semestre.

Monterrey campeón!

Em uma partida dramática, o Monterrey derrotou o Real Salt Lake, na casa do adversário e conquistou pela primeira vez em sua história a Liga dos Campeões da Concacaf. Sabendo que o empate por menos de dois gols daria o título ao adversário, a Pandilla contou mais uma vez com o faro de gol decisivo do chileno Humberto Suazo para marcar e definir o confronto.

O time regiomontano dominou boa parte do confronto e soube segurar a pressão do Real e garantir a conquista, que tem um sabor ainda mais especial para três nomes: Suazo, Vucetich e Arellano.

Para o atacante chileno, grande responsável pelo último Apertura, a conquista veio após o sofrimento com as lesões na Liga Mexicana, que travaram boa parte de seu desempenho. Mesmo assim, Suazo é o artilheiro do clube no Clausura e, com o triunfo continental, poucos ainda acreditam que deva permanecer após as recentes ofertas da Europa.

Já o técnico mexicano conquistou seu 10º título, o primeiro em plano internacional, somados a cinco Ligas, duas Copas México e duas Ligas de Ascenso. Foi a coroação de Vucetich como o melhor treinador da história do Coloso, que segue sem nunca ter sido derrotado em finais.

A conquista também coroou a carreira do capitão Jesús Arellano, que já soma 16 anos defendendo as cores do clube. Experiente e próximo da aposentadoria, o mexicano garantiu ser esse o time mais vitorioso da história do clube Rayado. Para o próximo semestre, o presidente do Monterrey, Luis Miguel Salvador, garantiu a continuidade de Arellano caso o meia prolongue sua carreira nos gramados: “o Mundial será a cereja no bolo da carreira de Arellano”.

Foi o terceiro título conquistado pelo clube em menos de dois anos (somados aos Aperturas de 2009 e 2010), que, além de garantirem a inédita vaga aos Rayados para o Mundial de Clubes, colocaram o clube a frente do arquirrival Tigres, ainda sem conquistas continentais.

O feito ganha ainda mais relevância pelo fato de o time norte-americano estar invicto há cerca de dois anos em seu estádio, o Rio Tinto, somando 37 jogos de invencibilidade. A vitória encerrou ainda a série de sete partidas sem triunfos dos Albiazules.

O foco do Monterrey agora deverá ser a preparação para o Mundial no Japão, onde enfrentará um africano na rodada de estreia. O vencedor fará o duelo contra o representante da Conmebol. A tarefa proposta será a de alcançar, no mínimo, a final, feito obtido apenas por clubes sul-americanos, europeus e, em 2010, pelos africanos do Mazembe, após eliminar o Pachuca.

Em uma temporada que ainda pode ser coroada com o título nacional, após avançar para a Liguilla no último fim de semana, o Monterrey volta a mostrar na parte final do semestre ser o time mais preparado para os momentos de decisão no futebol azteca. A conquista do bi no Clausura, feito alcançado pela última vez em 2004, com o Pumas, terá um bom aditivo a partir de agora.

Queda sem fim

Na semana retrasada um fato marcou ainda mais a queda do tradicional Veracruz, que disputa a segunda divisão do futebol azteca, e sofre há muitas temporadas com os pobres resultados dentro de campo e as fracas administrações fora dele. Um fato que ainda evidenciou as recentes preocupações das autoridades mexicanas com a situação financeira de boa parte dos clubes do país.

Classificado na quinta posição para a Liguilla da Liga de Ascenso, os Tiburones Rojos foram impossibilitados de disputar os playoffs em virtude da não quitação de dívidas trabalhistas com jogadores e comissão técnica, além de débitos contraídos por transferências e com a própria Federação. De acordo com a Federação Mexicana (Femexfut), que já avisara o clube no dia 20 de abril, houve o descumprimento do artigo 71 do Regulamento de Competência.

De propriedade do governo de Veracruz, o clube teve sua administração repassada ao empresário Mohamed Morales, que se recusou a quitar dívida de 40 milhões de pesos alegando ser a mesma responsabilidade de administrações anteriores. A vaga na fase final foi repassa aos Dorados de Sinaloa, oitavo na classificação geral.

Mais um capítulo na triste situação de um tradicional clube que já venceu duas vezes o nacional azteca, em 1946 e 1950, o Veracruz pode até mesmo perder a vaga na divisão, fato que preocupa o governo local, que agora negocia com a Federação para ter o lugar ocupado pelo Albinegros de Orizaba, de propriedade estatal, e já indicou novos nomes para dirigirem os Tiburones.

A lição dada pela Federação, que vem pregando nos últimos anos a austeridade nas contas dos clubes, atingiu também o Irapuato, que teve de apressar o passo para realizar o pagamento de suas dívidas em tempo hábil para disputar a Liguilla.

A exclusão do clube acendeu os faróis de alerta até mesmo de clubes maiores, como o Atlas, que durante o Clausura viu seus atletas protestarem contra os atrasos nos pagamentos de salários e premiações. Apesar das preocupações, a própria Femexfut ressaltou que com relação aos rojinegros ainda não existem pendências registradas formalmente, o que impede a tomada de ações contra o clube.

De qualquer modo, o crescimento das dívidas dos clubes e desastrosa situação financeira em que se encontram alguns times aztecas chamam a atenção nos últimos anos. Sempre visto como uma interessante opção para jogadores estrangeiros aumentarem seus rendimentos, pode ser a hora do futebol mexicano começar a repensar (e controlar) salários e premiações.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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