México

Ligações perigosas

O livro “El Hijo del Ajedrecista” (“O Filho do Enxadrista”) ainda nem foi publicado, mas seu conteúdo já causou rebuliço no futebol colombiano. O autor é Fernando Rodríguez, filho de Gilberto Rodríguez Orejuela e sobrinho de Miguel Rodríguez Orejuela (foto), dois ex-líderes do Cartel de Cáli que estão presos nos Estados Unidos por tráfico de drogas. A publicação de trechos da autobiografia de Fernando pela imprensa de Bogotá mostrou como a obra contará como era a relação entre o narcotráfico e o futebol no país.

A influência dos traficantes no futebol já é bastante conhecida, tanto que o Atlético Nacional teve problemas pela ligação com o Cartel de Medellín e o América de Cáli vive crise financeira por ter bens bloqueados pela Justiça norte-americana (clique aqui e aqui para entender melhor) devido a proximidade com o Cartel de Cáli. No entanto, Fernando Rodríguez dá detalhes pouco conhecidos do grande público.

O auge desse fenômeno foi na década de 1980 e primeira metade da década seguinte (curiosamente, o melhor momento da história do futebol cafetero). De acordo com o livro, o Miguel Rodríguez impunha a dirigentes da Dimayor (liga de clubes da Colômbia) seu desenho de como deveria ser o regulamento e o gerenciamento de cada edição do Campeonato Colombiano. Na FCF (federação colombiana), o representante do tráfico seria Leon Londoño, amigo pessoal da família Rodríguez. Com ele, o cartel teria colocado dois de seus aliados, Juan José Bellini e Alvaro Fina, na presidência da entidade.

O poder do cartel seria tamanho que havia até manipulação dos sorteios do octogonal final para beneficiar o América de Cáli. Fernando Rodríguez conta que a bolinha com o nome do clube ficaria uma noite na geladeira para ser identificável pelo tato por quem fosse “sortear” as chaves.

O sorteio para o exame antidoping também seria previamente acertado, permitindo que os jogadores dos diablos rojos tomassem substâncias que melhorassem seus desempenhos. Aliás, o nível de detalhamento da publicação chega ao ponto de dizer que os responsáveis por levar as substâncias ao clube eram Falcioni – atual técnico do Gimnasia La Plata – e Gareca dois ex-jogadores argentinos do América.

O livro ainda lança uma versão para as três derrotas seguidas do América em finais da Copa Libertadores (entre 1985 e 1987). Fernando Rodríguez afirma que a Conmebol não queria que uma equipe sustentada pelo narcotráfico fosse campeã do torneio e, por isso, boicotaria os diablos.

Grandes no limbo
Jogo intenso, com duas equipes tradicionais lutando a cada centímetro do gramado pela bola. Alianza Lima x Sporting Cristal tinha cara de final de campeonato, até porque é o tipo de situação pela qual as duas equipes costumam passar quando se enfrentam. No entanto, o motivo de tanta voluntariedade no jogo da última quarta era outro. Os times dividiam a última posição no Clausura e já sentem o perigo do rebaixamento – definido pela soma de pontos de Apertura com Clausura – se aproximando. O Alianza teve melhor sorte e venceu por 2 a 1, mas o cenário ainda é de extremo cuidado para dois dos três grandes do futebol peruano.

A crise das duas equipes é basicamente técnica. No papel, os times não são ruins, mas até agora vivem com crises internas e falta de confiança. Desse jeito, não conseguem deslanchar e vão acumulando tropeços. Em oito rodadas (o Alianza tem um jogo a menos), cada um havia vencido uma partida e empatado três antes do confronto direto.

O Alianza sentiu mais rápido a necessidade de mudanças e trocou de técnico dias antes de encontrar o rival limeño. O chileno Miguel Ángel Arrué foi contratado justamente para tentar recuperar a auto-estima do elenco e dar nova motivação para arrancar no segundo turno. A primeira medida do treinador foi colocar o paraguaio Juan Acosta no lugar de Benavides no ataque (o pior do Clausura).

O resto do time continuou o mesmo. O que não é ruim, pois um elenco com jogadores como Arakaki, Jayo, Ciurlizza, Saritama e Maestri tem condições de lutar pelo título em um campeonato de nível técnico baixo como o Peruano.

O problema é que a chegada do técnico trouxe novas dores de cabeça ao clube. A FPF (federação peruana) acusou Arrué de trabalhar sem licença de treinador de futebol profissional. O chileno se defendeu e prometeu apresentar os documentos exigidos, mas a sensação de instabilidade rondou o clube victoriano na semana que antecedeu o clássico.

Menos mal para o Alianza Lima que a campanha no Apertura foi boa e o rebaixamento é apenas um perigo moderado. O mesmo não se pode dizer do Sporting Cristal. A equipe rimense fez um primeiro semestre fraco e, com a péssima campanha do segundo, caiu para a zona de rebaixamento. Aliás, o Cristal é o último colocado na tabela anual, atrás até do fraquíssimo Total Clean.

Os cerveceros pagam pelas dificuldades financeiras do clube. Ainda que o time titular seja forte o suficiente para disputar o Campeonato Peruano em bom nível, o elenco em geral é raso. Qualquer desfalque mais sensível já deixa o clube de Rímac em problemas. É o que ocorre no Clausura. A defesa se ressente demais das contusões da dupla de zaga Villalta e Rebosio e do volante Rainer Torres. Desse modo, fazer gols no Sporting Cristal se tornou tarefa relativamente simples.

Para piorar, o ataque não vem em boa fase, com atacantes pouco produtivos e um meio-campo em crise de inspiração. O técnico Juan Carlos Oblitas não consegue mudar essa realidade e sua demissão é dada como certa. Com a defesa mais vazada do campeonato e um setor ofensivo opaco, vencer os celestes é quase uma obrigação para qualquer time minimamente arrumado.

No duelo da última quarta, o Sporting Cristal surpreendeu. Entrou em campo disposto a comandar o ritmo da partida, impondo ao adversário um jogo rápido e intenso. O Alianza parecia sentir a insegurança de quem ainda vivia a incerteza da situação de seu técnico. Assim, não foi injusto quando Chara abriu o marcador para os cerveceros em uma falha da defesa aliancista. O experiente Maestri empatou o clássico ainda no primeiro tempo, mas o Cristal ainda era dono das ações.

No segundo tempo, os rimenses tiveram várias oportunidades para se recolocar em vantagem, mas o goleiro Pinto e a trave impediram que o empate saísse do marcador. Até que Arrué colocou o equatoriano Saritama e o jovem atacante Manco. Ambos deram novo fôlego ofensivo ao Alianza, que tomou o controle do meio-campo e passou a pressionar a defesa adversária. Nos minutos finais, Manco fez grande jogada e tocou para Saritama virar a partida.

O resultado tirou o Alianza da última posição. Com 9 pontos, os victorianos estão em penúltimo lugar, mas já se aproximam do pelotão intermediário (o quarto colocado, Cienciano, tem apenas quatro pontos a mais). A possibilidade de encontrar soluções dentro do elenco também dão esperanças aos aliancistas, que foram para 40 pontos na classificação anual e tiveram um sossego em relação ao rebaixamento.

A situação do Sporting Cristal ficou ainda mais grave. Oblitas deve sair e é preciso ver até que ponto um novo treinador consegue encontrar o futebol do time. Com seis pontos no Clausura e 28 na tabela anual, os cerveceros são últimos colocados e uma queda para a Segundona é bastante possível. Até porque o antepenúltimo colocado anual (o último que não cairia) é o Coronel Bolognesi, com 34 pontos na temporada e uma campanha no Clausura em ascensão.

Clássico da crise no norte
Monterrey é a terceira maior cidade do México, atrás apenas de Cidade do México e Guadalajara. Os times da cidade, Monterrey e Tigres de la UANL, têm torcidas fanáticas, tradição e orçamentos bastante polpudos, o suficiente para montarem elencos fortes e aspirarem o título. O problema é que, com os maus resultados nas últimas temporadas, as tais torcidas fanáticas fazem que os times joguem sob pressão, prejudicando o desempenho no campeonato.

Isso já é algo tão enraizado que, na apresentação do Apertura, essa coluna já alertara para a possibilidade de os dois times regiomontanos implodirem suas próprias campanhas devido à obrigação de vencer sempre. Por isso, não surpreende o fato de o Monterrey ser penúltimo colocado do Grupo 2 (9 pontos em sete jogos) mesmo contando com Arellano, Humberto Suazo, Ithurralde, Baloy e Arévalo no elenco. E também não causa sustos a lanterna que o Tigres segura no Grupo 3, com 5 pontos em oito jogos, apesar de ter o vencedor técnico Américo Gallego – campeão nacional em todos os clubes em que trabalhou – e um ataque com Gaitán na armação e Abreu e Kikín Fonseca para finalizar.

É nesse clima de desconfiança e crise latente que será disputado, neste sábado, a 85ª edição do Clásico Regio. Um jogo em que o Tigres, apesar da posição na tabela, parte com um ânimo melhor, depois de empatar com o América no Azteca e por terem o retorno de Gaitán e Rogério depois de passagem pelo departamento médico. Com isso, nem a ausência de Fonseca por suspensão atrapalha tanto.

O Monterrey tem a vantagem de já ter mostrado mais futebol neste Apertura. Até porque a má posição se deve também a um jogo adiado contra o fraco Tecos de la UAG. De qualquer maneira, há motivos de preocupação para o time de Miguel Ángel Herrera. Primeiro, a contusão do zagueiro panamenho Baloy (ex-Grêmio). A outra é a seqüência de 23 partidas dos rayados sem vitória fora de casa. O jogo deste sábado será no estádio Tecnológico (casa das duas equipes), mas o mando é do Tigres, que terá vantagem nas arquibancadas.

CURTAS

TORNEIO INTERCLUBES DA UNCAF
– Começaram as quartas-de-final com Alajuelense (CRC) 0x0 Real Espana (HON). Os outros jogos de ida das quartas – Saprissa (CRC) x Puntarenas (CRC), Municipal (GUA) x Xelajú (GUA) e San Francisco (PAN) x Motagua (HON) – serão realizados no próximo meio de semana.

BOLÍVIA
– Neste domingo, será realizado o superclásico paceño entre The Strongest e Bolívar. Ao contrário do que ocorreu nos últimos anos, são os atigrados que chegam como favoritos.

CHILE
– Nelson Acosta já tem emprego novo. É no Everton, clube de Viña del Mar que luta contra o rebaixamento.

COLÔMBIA
– Resultados da rodada de dérbis locais: Once Caldas 2×2 Pereira, Deportivo Cali 0x1 América de Cáli, Boyacá Chicó 1×0 Quindío, Real Cartagena 1×0 Atlético Junior, Atlético Huila 3×0 Tolima, La Equidad 0x0 Deportivo Pasto, Cúcuta 3×1 Bucaramanga, Independiente Medellín 1×4 Atlético Nacional e Independiente Santa Fe 0x1 Millonarios.

– Você se lembra do goleiro Bobadilla, do Paraguai e do Boca Juniors? Então, ele acaba de acertar com o Independiente Medellín.

– Foram anunciados os preços dos ingressos para a estréia da Colômbia nas eliminatórias da Copa, contra o Brasil. O mais barato é COP 20 mil (cerca de US$ 10) e o mais caro é COP 200 mil (cerca de US$ 100).

COSTA RICA
– Cenários distintos nas duas chaves do Apertura. No grupo A, muito equiíbrio: o Herediano lidera com 15 pontos, seguido por Alajuelense, Universidad e Carmelita (12) e Puntarenas (11). No B, o líder já dispara: o ponteiro é o Saprissa (15 pontos), à frente de Pérez Zeledón (10), Cartaginés, Santos e Liberia (8). Foram disputadas oito rodadas e os quatro primeiros de cada grupo vão para as quartas-de-final.

EQUADOR
– Está marcada para 19 de outubro a partida de despedida do meia Alex Aguinaga. O jogador, que encerrou oficialmente a carreira há dois anos, convidou várias ex-estrelas do futebol latino-americano: Zamorano, Valderrama, Francescoli, Gorosito, Beto Acosta, Latorre, Basay, Asprilla, Higuita e Chilavert, entre outros.

– O Comitê Olímpico Equatoriano anunciou também que o Museu Olímpico de Quito terá uma ala dedicada apenas à vida de Aguinaga.

– O Emelec venceu o Barcelona no clássico de Guaiaquil. Agora, a segunda etapa do campeonato está extremamente equilibrada, e só com os grandes na disputa: LDU, Emelec e El Nacional dividem a liderança com 22 pontos, o Barcelona tem 21 e o Deportivo Quito está com 20.

MÉXICO
– A estatística do Clásico Regio é impressionantemente equilibrada. O Tigres tem 30 vitórias, o Monterrey tem 29 e houve 25 empates.

– Com dois pontos em oito rodadas, o Atlas mudou de técnico. O técnico Rubén Romano declarou que deixaria o clube na próxima semana, independentemente do resultado do jogo contra o Jaguares de Chiapas neste domingo. A diretoria se aiantou e resolveu demiti-lo agora.

PARAGUAI
– Duelos tradicionais na rodada deste fim-de-semana: Cerro Porteño x Olimpia e Libertad x Guaraní. Os liberteños são líderes com 25 pontos, seguidos por Cerro Porteño (19) e Olimpia (18). O Guaraní é penúltimo, com 8, à frente apenas do Sportivo Luqueño, campeão do Apertura que dá vexame no Clausura e tem apenas 4 pontos.

PERU
– O Sport Ancash deu mostras de força ao vencer o Universitario por 2 a 1 no Monumental no último fim-de-semana. O Municipal venceu o Sporting Cristal e segue líder, com 17 pontos (dois a mais que o Ancash). O Cienciano ficou para trás após ser goleado pelo Melgar no clássico do sul (4 a 1 para os arequipeños).

URUGUAI
– O Rampla Juniors continua na liderança, com 12 pontos. Mas é seguido de perto por Danúbio (11) e Defensor Sporting (10).

VENEZUELA
– O Caracas venceu o duelo de líderes contra o Deportivo Anzoátegui por 3 a 2 de virada e alargou sua vantagem na ponta. Agora, tem 14 pontos, contra 12 do Unión Maracaibo (novo vice-líder), 11 do Trujillanos e 10 do Anzoátegui.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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